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Enquanto os foliões pulam, eles trabalham no Carnaval

otempo.com.br By Gabriel Rezende 2026-02-16 760 words
Enquanto muitos foliões começam o dia escolhendo fantasia e combinando o ponto de encontro, Camila Oliveira, de 34 anos, já está de pé. Nos dias de Carnaval, ela acorda às 5h e só retorna para casa por volta das 22h. A rotina inclui até dois blocos por dia e pode render, em média, R$ 150 por bloco.

Camila trabalha na "corda", função responsável por delimitar o espaço do trio elétrico e garantir a circulação da equipe e dos artistas. É o segundo ano dela na atividade. "É financeiro, né? A gente precisa trabalhar. É uma oportunidade para poder receber um pouquinho a mais", afirmou.

A rotina começa semanas antes da folia oficial. "Desde o pré-Carnaval a gente já está trabalhando. São duas a três semanas. Eu acordo 5h, organizo com as meninas (colegas de trabalho) para pegar ônibus e vou embora só 22h", contou. O custo com o deslocamento até o local de trabalho também depende delas.

Apesar do cansaço, ela diz que o trabalho também tem momentos de leveza. "Enquanto a gente está movimentando pra lá e pra cá, nem sente tanto. O cansaço bate mesmo quando senta no ônibus para ir embora".

O apoio entre colegas é fundamental para manter o ritmo. "Tem dia que uma está desanimada, mas a outra puxa. Trabalhar em grupo ajuda muito", disse. Para reduzir custos, elas dividem corridas por aplicativo ou vão juntas de ônibus. Segundo Camila, não há auxílio para transporte.

Malvadão

Ganhando pouco mais de R$ 100 para atuar como cordeiro no Bloco do Malvadão — valor que ele diz ser padrão na maioria dos eventos —, o dia de trabalho de Leandro Lucas Moreira, de 25 anos, não foi simples. E, segundo ele, atuar como freelancer na função nunca é tarefa fácil.

Apesar dos desafios, ele afirma que o trabalho é uma forma de garantir renda extra enquanto cursa análise e desenvolvimento de Sistemas na faculdade. "Para quem precisa, para quem está correndo atrás, é sempre uma boa. Eu recomendo muito. Se estiver precisando de um freelancer, busque no Google, nas redes sociais e com amigos. O importante é buscar independência, seja ela mental ou financeira", afirma.

No apoio

Enquanto os foliões pulavam com o batuque da bateria do bloco Corte Devassa, o empresário Valdeci Prado, de 45 anos, dirigia uma picape que funcionava para levar alegorias e carro de som. Ele realiza esse tipo de trabalho há 22 anos e notou que há cerca de dez anos, era uma outra realidade, muito menos movimentado do que atualmente. Além do cortejo da Corte Devassa, Valdeci iria apoiar também o Bloco das Flores, em Venda Nova, e o Bloco das Bonecas, em Ribeirão das Neves nesta segunda-feira (16/2). Sorridente ao volante, o empresário afirma ter satisfação em trabalhar com algo em que possa ver a felicidade das pessoas. "Ver a galera feliz é bom demais, fico feliz também. Em 22 anos a gente nunca teve problema, zero briga, sempre andei tranquilo. Eu já trabalho com os mesmos blocos há muitos anos, esse aqui já faz cinco anos", conta.

C

Segurança

Flávio Augusto Xavier e Silva, de 43 anos, é diretor do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), da Secretaria de Estado de Justiça (Sejusp). Nesta segunda-feira (16/2), ele trabalhava no posto instalado nos arredores do Mineirão, que acompanhava o bloco do cantor sertanejo Michel Teló, o "Beagá na Folia - Sertanejinho do Teló". Este é o quinto Carnaval que ele trabalha efetivamente nas ruas. À reportagem, ele explicou que há uma escala entre os profissionais das forças de segurança, o que possibilita aproveitar o feriado, mesmo que um pouco. Para manter a folia em Belo Horizonte, há um trabalho em conjunto envolvendo diferentes forças, como a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Guarda Civil. "A gente vem tentando melhorar essa política de integração. Eu acredito que é um trabalho que vem dando certo. Geralmente, os eventos que são maiores, são monitorados de forma mais perta. Hoje a gente tem uma expectativa muito grande de público aqui na Pampulha, assim como foi ontem, então eu acredito que é muito importante manter esse tipo de trabalho", ressalta. No CICC, há uma concentração das informações que contribuem para manter a segurança para os foliões. Há, por exemplo, o monitoramento de pessoas com tornozeleira eletrônica nas redondezas. "A gente tem aqui a Polícia Civil, um contato direto com a Polícia Federal, se for preciso fazer algum outro tipo de intervenção. Então, a gente tenta manter aqui um centro de comando e controle para fomentar as equipes operacionais que estão em campo", explica.

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