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Homenagem a Lula: escolas de samba receberam o mesmo valor, sem distinção de enredo - Jornal GGN

jornalggn.com.br By Icaro Brum 2026-02-07 776 words
O governo federal investiu R$ 12 milhões no Carnaval 2026 do Rio de Janeiro, o mesmo valor destinado em 2025, distribuído igualmente entre as 12 escolas de samba do Grupo Especial. A polêmica sobre suposto favorecimento à Acadêmicos de Niterói, que estreia no Grupo Especial homenageando o presidente Lula, foi rebatida pelo presidente da Embratur, Marcelo Freixo, que reforçou que o patrocínio beneficia todas as escolas sem distinção de enredo.

A polêmica surgiu quando críticos da direita passaram a questionar um suposto favorecimento federal à agremiação. O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) chegou a protocolar uma ação popular pedindo a suspensão do repasse de R$ 1 milhão à escola, alegando possível desvio de finalidade em ano eleitoral. Na prática, o patrocínio é o mesmo do ano anterior e não beneficia uma escola específica, mas sim o Carnaval do Rio como um todo, evento que gera impacto direto na economia nacional.

Distribuição dos recursos públicos

Conforme explicou Marcelo Freixo, presidente da Embratur, em vídeo gravado na Cidade do Samba, os R$ 12 milhões do governo federal são distribuídos igualmente entre todas as escolas do Grupo Especial mediante contrato com contrapartida e promoção. "Foram 12 milhões no ano passado e 12 milhões esse ano, o mesmo valor", afirmou Freixo.

Além do aporte federal, a Prefeitura do Rio de Janeiro investe R$ 24 milhões também via contrato com a Liesa, distribuídos igualmente entre todas as escolas. O governo estadual fluminense completa o financiamento público com R$ 40 milhões, totalizando R$ 76 milhões divididos entre as 12 agremiações.

O Grupo Especial do Carnaval carioca mantém 12 escolas de samba, conforme regulamento da Liesa para 2026, com sistema de acesso e rebaixamento em que apenas uma escola sobe e uma desce. Cada escola gasta entre R$ 16 e R$ 17 milhões por desfile, segundo informações da própria Liga.

"Se uma escola homenageia o Lula, se outro homenageia a Rita Lee, se outro vai homenagear o Ney Mato Grosso, essa é uma escolha de cada escola. O enredo é do interesse e da prioridade da própria escola", explicou Freixo. Ele ressaltou que a Embratur é "um órgão de promoção do Brasil e não de censura", e que não cabe ao governo avaliar os enredos.

Retorno econômico do investimento

O Carnaval 2025 do Rio de Janeiro movimentou aproximadamente R$ 8,8 bilhões na economia fluminense, considerando efeitos diretos, indiretos e induzidos – alta de 39,7% em comparação com 2024. O impacto direto dos gastos com hospedagem, alimentação, transporte e lazer chegou a R$ 3,4 bilhões durante o período, crescimento real de 36% em relação ao ano anterior.

A festa registrou ocupação hoteleira de 98,5% na capital, com mais de 8 milhões de pessoas circulando pela cidade durante os dias de folia. O setor de bares e restaurantes teve faturamento superior a R$ 1,4 bilhão, e apenas os quiosques da orla registraram aumento de 30% no faturamento em relação aos dias comuns de verão.

"O Carnaval do Rio de Janeiro é a maior promoção do Brasil no mundo", afirmou Freixo, reforçando que o investimento público é estratégico para atrair turistas, gerar emprego e renda. A arrecadação municipal com ISS proveniente de serviços relacionados à folia superou R$ 220 milhões em 2025.

O enredo sobre Lula

A Acadêmicos de Niterói, campeã da Série Ouro em 2025 e estreante no Grupo Especial, desfilará no dia 15 de fevereiro com o enredo "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". O carnavalesco Tiago Martins, em parceria com o enredista Igor Ricardo, criou uma narrativa que parte da referência ao mulungu, árvore típica do agreste, para simbolizar a infância de Lula e os caminhos que o levaram à política e à liderança sindical.

Esta é a primeira vez que Lula será tema de um desfile no Grupo Especial do Rio de Janeiro. O samba-enredo, assinado por Teresa Cristina, Paulo César Feital, André Diniz, Fred Camacho, Júnior Fionda e Lequinho, conta a trajetória do presidente desde o sertão de Pernambuco até a Presidência da República.

O presidente da escola, Wallace Palhares, justificou a escolha: "É um enredo forte para uma escola que está chegando agora. O time é todo formado por pessoas que vieram de periferias e foram beneficiadas por programas sociais. Esse enredo casa com a identidade da escola e de seus componentes".

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