C
20/30
Fair

Jesse Jackson, líder dos direitos civis nos Estados Unidos, morre aos 84 anos

operamundi.uol.com.br By Tatiana Carlotti 2026-02-17 713 words
Jesse Jackson, líder dos direitos civis nos Estados Unidos, morre aos 84 anos

Reverendo marcou historia norte-americana e abriu caminhos no Partido Democrata para que políticos negros disputassem e vencessem eleições

O reverendo Jesse Jackson, liderança histórica da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, morreu aos 84 anos, nesta terça-feira (17/02). A causa da morte não foi informada.

"Nosso pai foi um líder servidor – não apenas para nossa família, mas para os oprimidos, os sem voz e os marginalizados em todo o mundo. Compartilhamos ele com o mundo e, em troca, o mundo se tornou parte da nossa família", diz o texto, ao pedir a seus admiradores que "honrem sua memória continuando a luta pelos valores pelos quais ele viveu".

"Seu compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e dignidade. Um incansável agente de mudança, ele deu voz aos que não tinham voz — desde suas campanhas presidenciais na década de 1980 até a mobilização de milhões para se registrarem para votar — deixando uma marca indelével na história", acrescenta a nota.

Figura central na política norte-americana desde a década de 1960, Jackson enfrentava paralisia supranuclear progressiva (PSP) há mais de uma décadas e foi diagnosticado com Doença de Parkinson, além de hospitalizado duas vezes com Covid-19, durante a pandemia.

A saúde fragilizada, no entanto, não o impediu de continuar denunciando as desigualdades raciais no sistema de saúde durante a pandemia, ou de apoiar a então candidata democrata Kamala Harris contra Donald Trump, durante a campanha de 2024.

Trajetória de luta

Com uma longa carreira política, Jesse Jackson consolidou-se como uma das figuras mais duradouras e influentes da luta por direitos civis nos Estados Unidos, atravessando gerações e contextos políticos distintos.

Nascido em 1941, na cidade de Greenville, em pleno regime de segregação racial na Carolina do Sul, Jackson entrou na luta contra a discriminação racial ainda jovem. Em 1960, ele participou de um ato histórico ao lado de outros estudantes negros que desafiaram a proibição de acesso à biblioteca pública da cidade, exclusiva para brancos. O grupo, conhecido como "Os Oito de Greenville", foi preso mas, posteriormente, conquistou o direito de usar a instituição, levando à integração do sistema de bibliotecas local.

Jackson transferiu-se para a North Carolina Agricultural and Technical College, instituição historicamente negra, onde aprofundou sua atuação política. Em meados da década de 1960, conheceu Martin Luther King Jr., que se tornaria seu mentor e ao lado de quem realizaria várias ações e mobilizações, como em Selma, no Alabama.

Ele foi convidado por King a integrar a Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC) e assistiu, em 4 de abril de 1968, o assassinato do líder dos direitos humanos no Lorraine Motel. Em 1971, ele fundou a organização People United to Save Humanity (Push) voltada à justiça econômica e à ampliação de oportunidades para a população negra.

Atuação política

Um dos grandes quadros do Partido Democrata, por duas vezes, Jackson se lançou à disputa presidencial nos Estados Unidos. Em 1984, ele se tornou o segundo político negro a se lançar em uma campanha presidencial, depois de Shirley Chisholm, obtendo 3,3 milhões de votos nas prévias democratas.

Em 1988, ele disputou novamente, obtendo 6,8 milhões de votos, perdendo as primárias partidárias para o governador de Massachusetts, Michael Dukakis, derrotado pelo republicano George H.W.Bush. Na Convenção Nacional Democrata daquele ano, ele liderou a Coalizão Arco-Íris, reunindo a população negra, branca, latina, asiática e LGBTQ+ e pressionando por um Partido Democrata mais progressista.

"Nossa bandeira é vermelha, branca e azul, mas nossa nação é um arco-íris — vermelho, amarelo, marrom, preto e branco — e todos nós somos preciosos aos olhos de Deus", disse.

Nos anos 1990, ele criou a Rainbow Push Coalition, entidade voltada à igualdade educacional e econômica, que transferiu mais de US$ 6 milhões em bolsas de estudo universitárias e prestou assistência financeira a mais de 4.000 famílias ameaçadas de execução hipotecária para que pudessem salvar suas casas.

Em 2000, Jackson recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade do então presidente Bill Clinton e, duas décadas depois, com a eleição de Barack Obama como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Jackson recebeu várias homenagens e teve o reconhecimento por sua luta e pioneirismo na história norte-americana.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic