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Carnaval BH: ambulantes comemoram boas vendas e organização

otempo.com.br By Gabriel Rezende 2026-02-17 1128 words
O calor intenso durante os quatro dias oficiais de Carnaval em Belo Horizonte contribuiu significativamente para o aumento do faturamento dos ambulantes que atuaram em diversos pontos da cidade. As vendas de água, cerveja, refrigerante e um leque diversificado de bebidas alcoólicas saborizadas elevaram o faturamento de veteranos e novatos. E a organização – tanto para pegar as credenciais quanto para trabalhar nos cortejos – foi destacada por vários trabalhadores.

No terceiro ano atuando como ambulante no Carnaval de BH, Cléuber Lourenço, de 32 anos, afirmou que todo o processo de trabalho ficou mais organizado, especialmente na fase de credenciamento. Assim, afirmou, ficou mais fácil focar apenas em ganhar dinheiro. A meta de Cléuber é lucrar ao menos R$ 3.000, valor que ele considera suficiente para aliviar as contas e planejar um descanso merecido em Cabo Frio (RJ). O valor, segundo ele calcula, seria alcançado ontem.

Sem empurra-empurra

Apesar de contar com 11.528 ambulantes cadastrados, um aumento de aproximadamente 12% em relação ao ano anterior, Cléuber afirmou não ter observado muitos conflitos ou dificuldades com a concorrência.

"Este ano, não presenciamos nenhuma confusão. Graças a Deus, está sendo um ano tranquilo. A entrega de credencial era uma bagunça, mas, desta vez, organizaram. Para mim, pareceu até que havia menos ambulantes", continuou.

O balanço também é positivo para Adriana Cavalcanti, de 53 anos, há oito trabalhando na folia belo-horizontina. "Para mim foi excelente, não tem o que reclamar. Tinha que ter pelo menos três Carnavais por ano", brincou. Ela disse que este ano ficou entre os melhores em desempenho financeiro. "É segredo (faturamento), mas foi bom. Valeu a pena", disse.

Segundo a ambulante, o perfil de consumo também mudou ao longo dos anos. Se antes a cerveja dominava as vendas, hoje outras bebidas ganham espaço. "Agora o povo procura drinks saborizados, energéticos, Xeque Mate, Mascate. O pessoal gosta bastante".

Sobre a organização do espaço para ambulantes, Adriana avaliou de forma positiva o modelo adotado neste ano. "Foi bom, porque trabalhamos livres, sem restrições sobre marcas. Quando colocam muita regra, fica ruim para quem está vendendo".

Estreia

A vendedora Natália Santos, de 38 anos, está trabalhando pela primeira vez no Carnaval de BH. Ela atuou em diferentes regiões e blocos. "A gente tinha uma expectativa grande, e conseguimos alcançar", comemorou.

Natália conta que o bloco de Marina Sena, o Marinada, que saiu no domingo (15/2), foi o melhor em vendas. A festa realizada no entorno do Mineirão recebeu entre 130 mil e 150 mil foliões, sob forte calor, o que elevou a venda de água.

O Carnaval de Belo Horizonte atraiu multidões, mas nem todos os ambulantes comemoraram o movimento. Felício Aparecido, 52, que vende acessórios de festa na Savassi, Barro Preto e Mineirão, contou que percebeu mais gente nas ruas, mas menos compras. "Quando era só a gente, camelô, vendia. Mas agora as lojas estão abertas também", disse.

Felício trabalha o ano todo em eventos de rodeio e passou a atuar no Carnaval após amigos pedirem ajuda nos finais de semana. "Aprendi a trabalhar e vim fazer no Carnaval. É bom porque você junta o útil ao agradável: trabalha e festa ao mesmo tempo", completou. Ele pretende voltar no próximo ano.

O comerciante Eduardo Guimarães, de 46 anos, conta que investiu cerca de R$ 30 mil para trabalhar neste Carnaval e rodou diversos blocos. "Se estava ruim em um, eu ia para outro", conta. A maratona foi puxada: ele diz que dormiu apenas quatro horas na sexta-feira e passou o restante dos dias na rua, acompanhando o fluxo da multidão.

Venda com objetivo

Entre os estreantes, também está o casal Ludwig Matias de Souza, 34, e Ana Caroline Montanauro da Silva, 28, que trabalhavam com o veterano Pedro Henrique Montanauro da Silva, 26, irmão de Ana.

Ludwig contou que eles trabalhavam nesse Carnaval com um objetivo: pegar o dinheiro e ir para São Paulo comprar mercadorias para montar uma loja de semi-joias para a esposa que tinha acabado de ter a filha, a Sofia, de 1 ano. "A ideia é ela trabalhar de casa, sabe? Por causa da neném", contou o jovem.

Eles também se programaram para trabalhar na folia: juntaram cerca de R$ 2.000 para comprar as bebidas e o resto do material que precisariam para vender bebidas no Carnaval. O casal esperava um retorno melhor. "Na Avenida Brasil, o movimento foi bom, mas na Pampulha vendemos mais", contou Caroline.

Segundo Pedro, que já trabalhou em outros carnavais, o fluxo de pessoas cresce a cada ano, mas a compra não acompanha. "Está mais cheio sim, mas o pessoal não está comprando", relatou.

Renda boa para quem carregou foliões

O motorista de aplicativo Marcos Antônio Ribeiro, de 36 anos, afirmou, ontem, que o Carnaval garantiu faturamento médio diário de cerca de R$ 600. Segundo ele, o resultado colocou a folia deste ano entre as melhores das quatro em que trabalhou.

"O motorista de aplicativo vive dos finais de semana e das datas comemorativas. A forma de trabalhar nesses dias foi muito satisfatória. Foi até inesperado, muito legal. Todas as viagens foram tranquilas". Segundo ele, a demanda foi constante ao longo da folia, principalmente nos horários de dispersão dos blocos.Os carros por aplicativos e o transporte coletivo (ônibus e metrô) foram as principais modalidades de deslocamento usados pelos foliões na capital mineira.

Aposta na fotografia

O Carnaval de Belo Horizonte tem sido um bom cenário para quem sabe inovar. Além dos trabalhadores tradicionais da festa, como ambulantes que vendem bebidas, comida e adereços, há quem aposte em negócios diferenciados para lucrar com a festa. Atento ao fato de que todo mundo quer um registro da folia, Alexandre Almeida, de 50 anos, vendia fotos polaroide nos blocos.

O analógico está na moda novamente, e o administrador viu oportunidade para atuar como freelancer no Carnaval de BH. Ele conta que gosta de viajar e, nesses passeios, descobriu um talento secreto para a fotografia. "Fazendo viagens pelo Brasil, eu notei que, em algumas capitais, o pessoal estava oferecendo as fotos, e eu falei: 'É uma maneira de fazer uma graninha e estar passeando'", contou.

O primeiro teste veio durante o Natal em Belo Horizonte, na Praça da Liberdade. O investimento deu certo e, agora, Alexandre levou a estratégia para os quatro dias da Festa de Momo. "Eu curto esse esquema de fotografia, então eu aproveito para me divertir e fazer aqui as fotinhas".

Ele vende dois modelos de fotografia. Um deles é pela máquina polaroide, cujo resultado é "surpresa", impresso direto do aparelho. Essas fotos estão no valor de R$ 10. Há, também, com prévia. Ele faz a foto pelo celular e usa uma impressora portátil para extrair as fotos. Neste caso, a fotografia sai por R$ 20. Alexandre estima que, até a manhã de ontem, já havia vendido cerca de 150 fotografias.

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