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Um mês após prisões, mortes em UTI no DF ainda são cercadas de mistério

metropoles.com By Willian Matos 2026-02-19 577 words
Um mês após prisões, mortes em UTI no DF ainda são cercadas de mistério

Ainda não se sabe a motivação para os acusados terem injetado desinfetante e altas doses de medicamentos em pacientes do Hospital Anchieta

atualizado

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Um mês após as prisões dos técnicos de enfermagem do Hospital Anchieta acusados de injetar substâncias em pacientes com o intuito de matá-los, algumas questões ainda seguem sem respostas. O principal mistério é a motivação para o crime.

Veja a cronologia do caso

Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) deflagrou a primeira fase da Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

Àquela altura, porém, o caso ainda não havia vindo à tona. O teor da operação só foi noticiado em 19 de dezembro, quando a PCDF confirmou que três técnicos de enfermagem foram presos por suspeita de envolvimento em mortes de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta.

O caso foi denunciado à polícia pelo próprio Hospital Anchieta, após a instituição notar estranheza nos óbitos e semelhança entre os casos.

Descobriu-se, então, que Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 injetaram altas doses de medicamentos que provocaram parada cardíaca em João Clemente Pereira, 63; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75 (os três na foto em destaque).

Segundo as investigações, Marcos Vinícius era o responsável por injetar as medicações, enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.

O Metrópoles obteve imagens dos técnicos de enfermagem injetando substâncias que mataram os três pacientes. Os acusados aumentavam as doses dos remédios em até 10 vezes, tornando-os tóxicos e letais. Em um dos casos, eles chegaram a ministrar desinfetante nas vítimas.

A motivação ainda é desconhecida. Tudo o que se tem são depoimentos aparentemente controversos de Marcos Vinícius.

Ao ser preso, o enfermeiro negou ter matado os pacientes e disse que apenas ministrou medicamentos prescritos pelos médicos. As investigações apontam, porém, que o trio usou carimbos de profissionais propositalmente para cometer o crime.

Em seguida, Marcos Vinícius foi contestado com imagens e acabou confessando a prática criminosa. Diante do flagra, ele teria dito que "parece que fez isso mesmo". O técnico de enfermagem disse que teria tirado a vida dos pacientes com o intuito de "aliviar o sofrimentos das vítimas".

Em um quarto relato a respeito da motivação dos crimes, Marcos chegou a dizer que o hospital "estava tumultuado" e que ele teria ministrado as altíssimas doses de medicamentos "por estar nervoso".

Dada a inconsistência em cada uma das versões, não é possível precisar se uma das declarações de Marcos Vinícius é verdadeira. Não há detalhes sobre os depoimentos das enfermeiras Amanda e Marcela Camilly.

A Operação Anúbis, que desvendou o caso e resultou nas prisões dos técnicos de enfermagem, segue em andamento. A expectativa é que, com a consolidação dos depoimentos e dos laudos periciais, o inquérito seja concluído nas próximas semanas e a motivação seja descoberta, bem como a possível participação de outras pessoas.

Prisão prorrogada

Marcos Vinícius, Amanda e Marcela Camilly foram presos temporariamente por 30 dias. Na terça-feira (10/2), a prisão foi prorrogada pelo mesmo período.

As defesas dos investigados sustentam a inocência dos clientes e afirmam que os fatos ainda estão em fase de apuração. O Hospital Anchieta, por sua vez, reafirma que foi o responsável por comunicar as suspeitas às autoridades e diz colaborar integralmente com a investigação.

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