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13/30
Very Poor

Pastelão no tapete vermelho

revistaoeste.com By Guilherme Fiuza 2026-02-06 462 words
A entrega do Grammy 2026 foi mais uma solenidade histórica. Los Angeles nunca mais será a mesma depois da performance daquela jovem cantora da Família Addams. O prêmio era de música, mas ela ganharia fácil um de cinema também — no gênero terrir (comédia de terror).

Aliás, não importa mais o gênero. Não importa nem se é música, cinema ou dominó. O que vale são as caras e bocas. Aquele biquinho do Wagner erguendo o Globo de Ouro resumiu tudo. O filme em si, ele mesmo já tinha deixado em segundo plano — preferindo usar os holofotes para afagar seu amigo palaciano, herói da democracia contra o fascismo imaginário.

Assim como o Wagner, a cantora da Família Addams também mora em Los Angeles. Eles detestam aquele lugar. O Wagner falou que lá não é mais uma democracia. E a cantora disse que aquilo é terra roubada. Ninguém é ilegal em terra roubada, ela explicou.

O Capitão Nascimento também já tinha falado dos am
igos ilegais dele. Esses capitães de hoje em dia são muito flexíveis. Até porque esse negócio de lei é muito relativo. Cumpre quem quer. Quem não quiser, fica ilegal. Super legal.

Depois do discurso da jovem Mortícia sobre as terras roubadas da América, surgiram alguns candidatos a morar na mansão dela em Los Angeles. Já que não há ilegalidade, por que não acolher esses irmãos cheios de sonhos? Eles ainda tiveram a preocupação de só fazer o pedido depois de anunciado, pela musa do Grammy, que estariam em situação legal. Ou seja: gente correta.

Mas não deu pé. Parece que os muros são muito altos, o portão é muito grosso e ninguém atende à campainha. Aí não dá pra entender. Pra que erguer uma fortaleza em terra roubada? Será que a lei dos cem anos de perdão foi revogada? É muita falta de empatia.

Mas nada disso importa. O importante é a jovem estrela consciente ter bastante espaço para guardar sua coleção de estatuetas, conquistadas num universo que premia o mérito — especialmente o mérito de colocar em tudo aquela caprichada maquiagem humanitária. Fora Trump! E se o serviço de imigração do Obama foi mais bruto que o do Trump… Deixa pra lá. Ninguém vai ter a indelicadeza de estragar a festa com uma lembrança triste.

Vem aí o Oscar e já podemos imaginar a quantos discursos para a posteridade teremos o privilégio de assistir. É capaz até do Capitão Nascimento duelar contra o fantasma da ditadura — com aquela proteção ocular que o livra de ver as atrocidades na Venezuela, no Irã e em outros quintais de tiranos amigos.

Se essa gente perfumada se empenhasse tanto pelo bem comum como se empenha pela sua fama e pela sua grana, o mundo estaria salvo.

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