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Tatiana Sampaio: a cientista brasileira em evidência no País

opovo.com.br By Irna Cavalcante; Irna-Cavalcante 2026-02-18 764 words
Quem é Tatiana Sampaio, pesquisadora apontada nas redes sociais como mais relevante que Virgínia

Resumo

A declaração surgiu após Gabriel David, presidente da Liesa, citar Virgínia Fonseca.

Sampaio pesquisa a polilaminina para reabilitação de lesões medulares.

Os estudos com a molécula já resultaram em ensaios clínicos com melhora significativa em pacientes.

A Anvisa aprovou o início do estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina.

Sampaio destacou a rapidez dos resultados e a importância da molécula no corpo humano.

A cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), voltou a ter seu nome viralizado nas redes sociais esta semana após declaração de Gabriel David, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), à revista Veja, de que a influenciadora Virgínia Fonseca seria atualmente a mulher mais relevante do Brasil do ponto de vista midiático.

Em resposta, muitos internautas reagiram dizendo que esse título, na verdade, deveria pertencer à pesquisadora, cujo trabalho tem potencial de mudar a história da reabilitação motora no mundo.

Mas afinal, quem é a pesquisadora Tatiana Sampaio?

Especialista em biologia celular e matriz extracelular, Tatiana Coelho de Sampaio, de 59 anos, lidera há quase três décadas as pesquisas sobre a polilaminina, molécula promissora no tratamento de lesões da medula espinhal.

Os primeiros ensaios clínicos envolveram oito pacientes com lesões recentes na medula. A maioria apresentou melhora significativa, com recuperação parcial ou total de movimentos, resultado que chamou a atenção da comunidade científica, de autoridades de saúde e do público em geral, quando a visão de pacientes voltando até mesmo a andar foi alcançada.

Um desses casos foi o de Bruno Drummond, que ficou tetraplégico em 2018, após sofrer um acidente de carro. Ele ficou completamente sem movimentos do pescoço para baixo, mas começou um tratamento com a polilaminina. Primeiro, sentiu movimento em um dedo. Hoje, ele tem todos os movimentos do corpo.

Com o encerramento dessa etapa inicial, a aplicação da polilaminina passou a ocorrer também por meio de uso compassivo, autorizado por decisões judiciais. Até agora, 16 pacientes receberam o tratamento.

No dia 5 de janeiro, a Anvisa aprovou o início do estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina no tratamento do Trauma Raquimedular Agudo (TRM).

O POVO publicou no último dia 7 de fevereiro, uma entrevista exclusiva do repórter Adriano Queiroz com a pesquisadora. Às Páginas Azuis, Tatiana Sampaio falou sobre a paixão pela ciência, o início da carreira e os resultados da pesquisa.

Confira aqui alguns trechos:

OP - Falando sobre a polilaminina. Ela entrou na sua trajetória meio por acaso em 1997. O que a fez insistir nessa molécula por quase três décadas?

Tatiana Sampaio - É que ela me deu alegria muito rápido. Ela já deu resultados surpreendentes, interessantes, muito rapidamente.

Então, isso aí fez com que eu me interessasse. Fora que ela tem muitas funções, uma cena muito importante no corpo. Então, faz funções muito importantes. Ela controla a regeneração do sistema nervoso, o desenvolvimento, a regeneração. Então é um assunto bem interessante. Aí… me ganhou.

OP - Foi rápido, mas em que momento percebeu que ela poderia representar uma possibilidade real de recuperação funcional para pessoas com lesão medular?

Tatiana Sampaio- Eu acho que quando a gente começou a ver esses resultados em ratos. Quando testou o modelo de lesão medular e viu os animais melhorando. Isso foi mais ou menos em 2004, por aí. Eu me lembro que foi uma aluna minha para os Estados Unidos para poder aprender exatamente como é que fazia, para ver a técnica diretamente, aprender direto com pessoas que trabalhavam mesmo na área.

E eu me lembro que ela estava lá e me ligava dizendo: 'Olha, está funcionando, está legal, está dando resultado'.

OP - Casos como o do Bruno Drummond deram um rosto, digamos assim, a esses resultados da pesquisa. Como é acompanhar essas histórias e, ao mesmo tempo, manter uma certa cautela que todo cientista precisa ter na hora de desenvolver uma pesquisa?

Tatiana - Eu acho que é um desafio. Porque claro que a gente se empolga. E como são poucos pacientes, a gente acaba acompanhando muito de perto. Então, você acaba se envolvendo com a pessoa, com a família e tudo, e vibrando com os resultados positivos.

Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que manter o pé no chão e saber que isso é uma construção lenta. A gente precisa de mais validação e de tempo.

Confira a entrevista às Azuis na íntegra aqui

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