A
26/30
Excellent

Bactéria de 5.000 anos sobrevive no gelo e resiste a antibióticos modernos

uol.com.br By Colaboração para VivaBem 2026-02-19 432 words
Bactéria de 5.000 anos sobrevive no gelo e resiste a antibióticos modernos

Ler resumo da notícia

Uma bactéria preservada por cerca de 5.000 anos no gelo de uma caverna subterrânea na Romênia surpreendeu cientistas ao demonstrar resistência a 10 antibióticos amplamente usados na medicina atual.

O que aconteceu

A descoberta reacende o debate sobre a evolução natural da resistência antimicrobiana e seus possíveis impactos no futuro. O microrganismo foi isolado na Scarisoara Ice Cave (Caverna de Gelo de Scarisoara) e analisado por pesquisadores do Instituto de Biologia de Bucareste. O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Microbiology.

Resistência antiga a medicamentos modernos. A cepa analisada, chamada Psychrobacter SC65A.3, permaneceu preservada em uma camada profunda de gelo que integra um núcleo de 25 metros perfurado pelos pesquisadores, representando uma linha do tempo de aproximadamente 13 mil anos.

A cepa bacteriana Psychrobacter SC65A.3, isolada da Caverna de Gelo de Scarisoara, apesar de sua origem antiga, resiste a múltiplos antibióticos modernos e carrega mais de 100 genes relacionados à resistência. Cristina Purcarea, cientista sênior do Instituto de Biologia de Bucareste da Academia Romena, em nota

Segundo ela, o fenômeno não é recente. "Estudar microrganismos como Psychrobacter SC65A.3, recuperado de depósitos de gelo de cavernas com milhares de anos, revela como a resistência aos antibióticos evoluiu naturalmente no ambiente, muito antes do uso de antibióticos modernos."

A bactéria mostrou resistência a 10 dos 28 antibióticos testados. "Os 10 antibióticos aos quais encontramos resistência são amplamente utilizados em terapias orais e injetáveis empregadas no tratamento de diversas infecções bacterianas graves na prática clínica", destacou Purcarea.

Entre eles estão rifampicina, vancomicina e ciprofloxacino, usados contra doenças como tuberculose, colite e infecções urinárias.

Para chegar à bactéria, a equipe perfurou um núcleo de gelo na região conhecida como Grande Salão da caverna. O material foi armazenado em condições estéreis para evitar contaminação antes de seguir para o laboratório, onde passou por sequenciamento genético completo. Além dos genes de resistência, os cientistas identificaram centenas de sequências com funções ainda desconhecidas, o que amplia o potencial científico da descoberta.

Risco ambiental e promessa científica

A pesquisadora alerta para dois cenários possíveis. "Se o gelo derretido liberar esses microrganismos, esses genes podem se espalhar para bactérias modernas, ampliando o desafio global da resistência aos antibióticos", afirmou.

Ao mesmo tempo, ela destaca o potencial biotecnológico da descoberta. "Mas também pode inibir o crescimento de várias 'superbactérias' resistentes a antibióticos e demonstrou importantes atividades enzimáticas com potencial biotecnológico relevante."

Por outro lado, eles produzem enzimas únicas e compostos antimicrobianos que podem inspirar novos antibióticos, enzimas industriais e outras inovações biotecnológicas. Cristina Purcarea

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic