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Uso de álcool e drogas pelos pais influencia consumo dos filhos? Veja pesquisa - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Tatiana Favaro; Tati Fávaro 2026-02-19 822 words
Brasil

Uso de álcool e drogas pelos pais influencia consumo dos filhos? Veja pesquisa

Estudo mostra que o comportamento dos responsáveis impacta diretamente o risco de adolescentes consumirem álcool e outras substâncias, e que estilos parentais positivos podem reduzir essa influência

Pesquisa da Fapesp/Unifesp em SP associa consumo de álcool/drogas por pais ao uso por adolescentes, com dados de 4.280 jovens.

Estudo aponta que o consumo de álcool pelos pais eleva em 24% a probabilidade de filhos consumirem álcool e 6% para múltiplas substâncias.

Estilo parental "autoritativo" (acolhimento, diálogo e regras) demonstrou reduzir o risco de consumo de substâncias entre adolescentes.

Uma pesquisa brasileira recente concluiu que o uso de álcool e drogas pelos pais influencia de forma relevante o consumo dos filhos e que a forma como os responsáveis educam os adolescentes pode diminuir ou amplificar esse risco. O estudo, conduzido por um grupo de pesquisadores vinculados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), analisou dados de 4.280 adolescentes e seus responsáveis em cidades paulistas e apontou que escolhas e atitudes parentais são alguns dos fatores mais relevantes na prevenção ao uso de substâncias pelos jovens.

Os pesquisadores separaram os perfis de consumo entre abstêmios, aqueles que apenas bebem e aqueles que usam duas ou mais substâncias. Os resultados mostraram que quando os responsáveis consomem álcool, a probabilidade de seus filhos consumirem também aumenta significativamente: cerca de 24% para bebidas alcoólicas e 6% para uso de múltiplas substâncias quando apenas o álcool está presente no padrão dos pais. Se os responsáveis usam várias substâncias — incluindo cigarro, vapes ou maconha — o risco de que os filhos também consumam sobe ainda mais, chegando a 17% e 28%, respectivamente.

Outro achado importante foi entender que o estilo parental pode amenizar o risco mesmo em famílias onde os pais usam substâncias. O estilo classificado na pesquisa como "autoritativo" (caracterizado por acolhimento, diálogo, presença e regras claras de conduta) é apontado como o mais eficaz em reduzir a probabilidade de uso entre os adolescentes analisados.

Outros três estilos parentais foram analisados: o autoritário (foco na disciplina porém menos afetuoso), o permissivo (mais carinhoso, mas com poucas regras e limites) e negligente (alto grau de liberdade, sem regras e afeto mínimo). Nenhum deles foi tão eficaz.

Regras, afeto e prevenção: fatores que reduzem o risco

Autora principal do estudo, a professora Zila Sanchez, do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, reforçou, em entrevista à Agência Fapesp, que embora fatores como regras, limites claros e expressão de afeto em casa possam minimizar o risco de repetição do padrão, o uso dos responsáveis é um preditor de consumo muito forte para os filhos.

"O maior preditor de abstinência dos jovens é o não uso pelos responsáveis. Quando eles são abstinentes, 89% dos adolescentes também não usam nem álcool nem outras drogas lícitas ou ilícitas. Foi a associação mais forte que encontramos", afirma a professora.

"O maior preditor de abstinência dos jovens é o não uso pelos responsáveis. Quando eles são abstinentes, 89% dos adolescentes também não usam nem álcool nem outras drogas lícitas ou ilícitas. Foi a associação mais forte que encontramos", afirma a professora.

O estudo integra um projeto maior financiado pela Fapesp que busca investigar estratégias comunitárias de prevenção ao consumo de álcool por adolescentes, incluindo intervenções escolares e programas familiares que possam orientar políticas públicas e práticas educativas mais eficazes.

O que isso significa para famílias e políticas públicas

Os resultados da pesquisa reforçam a importância de olhar para o contexto familiar como um fator determinante no início do uso de substâncias na adolescência. Eles sugerem que, além de campanhas e políticas públicas voltadas ao ambiente escolar e comunitário, iniciativas que fortaleçam estilos parentais positivos e envolvimento familiar podem ser cruciais para reduzir o consumo de álcool e drogas entre jovens.

O estudo também dialoga com dados nacionais que mostram que, no Brasil, mais da metade da população experimentou álcool antes dos 18 anos, apesar da proibição legal da venda de bebidas alcoólicas para menores — um cenário que ressalta a necessidade de ações mais amplas de prevenção e educação.

De acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado em 2025, mais de um quarto (27,6%) dos adolescentes de 14 a 17 anos já consumiu álcool em algum momento da vida, o que corresponde a cerca de 3,2 milhões de pessoas. No último ano, o uso foi relatado por 19%, o equivalente a 2,2 milhões de jovens.

Em relação à maconha, o Lenad mostra que cerca de 1 milhão de adolescentes usaram alguma vez na vida, sendo metade no último ano. Na população em geral, quase um em cada cinco brasileiros (18,7%) experimentou pelo menos uma substância psicoativa (nesse caso excluindo álcool e produtos à base de nicotina).

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