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Zelensky diz que pode realizar novas eleições na Ucrânia se houver cessar-fogo de 60 dias

operamundi.uol.com.br By Serguei Monin 2026-02-19 775 words
Zelensky diz que pode realizar novas eleições na Ucrânia se houver cessar-fogo de 60 dias

Presidente ucraniano vem sendo pressionado por Trump para convocar novo pleito; autoridades russas afirmam que regime de Kiev é 'ilegítimo'

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, admitiu que novas eleições presidenciais poderiam ser realizadas simultaneamente com um referendo no país, mas destacou, no entanto, que a condição para isso seria o estabelecimento de um cessar-fogo de 60 dias.

Segundo ele, a adoção de uma trégua de pelo menos dois meses permitiria que as decisões necessárias para a realização de uma votação no país fossem tomadas em nível parlamentar.

"Se tivermos um cessar-fogo de dois meses durante as eleições, farei todo o possível para conversar com o parlamento e pressioná-lo", afirmou o presidente ucraniano durante uma entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan.

Ao mesmo tempo, Volodymyr Zelensky afirmou que a questão das eleições durante uma guerra exige uma resposta dos parceiros da Ucrânia: se eles querem um processo democrático ou uma tentativa de "substituir" o atual presidente. Ele também expressou a opinião de que a Rússia tem interesse em mudar a liderança ucraniana e pode usar várias ferramentas para atingir esse objetivo.

"Acho que nossos parceiros precisam responder a uma pergunta: o que eles querem? Querem eleições ou apenas querem me substituir? Porque, ao que me parece, os russos simplesmente querem me substituir. Mas nem mesmo o povo apoia a realização de eleições durante uma guerra, porque mesmo que haja um cessar-fogo de dois meses, isso não significa que a guerra acabou", disse Zelensky.

O presidente ucraniano também observou que o cessar-fogo de um dia que a Rússia concordou é insuficiente para realizar uma votação, classificando essa posição como absurda e um possível sinal de que Moscou não está pronta para uma paz verdadeira. Segundo Zelensky, qualquer acordo de paz deve ser submetido a um referendo popular na Ucrânia.

Zelensky afirmou também que organizar uma votação nacional durante uma guerra é complexo, tanto do ponto de vista da segurança quanto do ponto de vista processual, já que no sistema político ucraniano as decisões são tomadas por meio de mecanismos parlamentares, e não "por decreto".

Em dezembro de 2025, o presidente da Verkhovna Rada (parlamento ucraniano), Ruslan Stefanchuk, aprovou a criação de um grupo de trabalho sobre a viabilidade da realização de eleições. Em 7 de janeiro de 2026, Zelensky afirmou que a elaboração de emendas legislativas relativas a eleições e referendos poderia começar em fevereiro, mas que isso dependia das negociações de paz.

Paralelamente, o presidente dos EUA, Donald Trump, também pressionou pela necessidade de realizar eleições na Ucrânia durante uma declaração em dezembro de 2025. Após as declarações do líder estadunidense, Zelensky acenou para a possibilidade de organizar um novo pleito nacional, mas exigiu que os EUA e os aliados europeus "garantissem a segurança" de sua condução.

Em 11 de fevereiro, uma reportagem do Financial Times publicou que o presidente Volodymyr Zelensky teria planos de anunciar eleições presidenciais e um referendo sobre um acordo de paz com a Rússia em 24 de fevereiro. Ao comentar a publicação, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que "é muito cedo para falar sobre isso".

"Estamos basicamente trocando mensagens desse tipo pela imprensa, vindas de diversas fontes. Uma fonte afirmou que os preparativos para as eleições já haviam começado, e outra fonte, também da administração, do gabinete do regime de Kiev afirmou que isso não procede e refutou a informação", disse ele.

Ao mesmo tempo, o porta-voz do Kremlin afirmou que esses fluxos de "informação" devem ser monitorados de perto e levados em consideração. "Mas ainda precisamos confiar em fontes primárias", disse ele.

De acordo com a constituição ucraniana, as eleições, incluindo as presidenciais e parlamentares, podem ser suspensas enquanto houver uma lei marcial no país. A lei marcial foi declarada na Ucrânia em fevereiro de 2022, logo após o início da guerra, e é regularmente prorrogada.

Nesse contexto, as eleições para a Verkhovna Rada (parlamento ucraniano), que em tempos de paz aconteceriam em outubro de 2023, e as eleições presidenciais, que seriam realizadas em março de 2024, foram suspensas pela continuidade do estado de guerra no país. Com a não realização das eleições, as autoridades russas constantemente alegam que o regime de Zelensky é "ilegítimo".

Ainda em novembro de 2025, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que os cidadãos ucranianos "cometeram um erro estratégico ao terem medo de participar das eleições presidenciais". Ele observou também que a "ilegitimidade" do atual governo ucraniano torna mais difícil chegar a um acordo sobre o conflito entre os dois países. "Assinar quaisquer documentos com a atual liderança do país é inútil", declarou o presidente russo.

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