B
25/30
Good

Instabilidade política leva Peru a adotar chapas com dois vices presidenciais

operamundi.uol.com.br By Victor Farinelli 2026-02-19 798 words
Instabilidade política leva Peru a adotar chapas com dois vices presidenciais

País sul-americano teve oito presidentes nos últimos oito anos, seis deles foram destituídos; presidenciais deste ano terão primeiro turno em abril

As eleições presidenciais no Peru, cujo primeiro turno está marcado para o dia 12 de abril, terão uma novidade importante. A partir deste ano, as chapas inscritas precisarão ter não dois, mas sim três nomes: um candidato a presidente, um candidato a primeiro vice-presidente e um candidato a segundo vice-presidente.

A mudança pode parecer pitoresca, mas faz sentido com o cenário de alta instabilidade política em um país que teve oito presidentes diferentes nos últimos oito anos.

O atual mandatário peruano foi escolhido através de uma eleição indireta no Congresso unicameral do país, realizada nesta quarta-feira (18/02).

Se trata de José María Balcázar, do partido de esquerda Peru Livre, que assumiu o cargo de forma interina, apenas para completar o atual mandato, que se encerra em 28 de julho.

Balcázar substituirá o conservador José Jerí, que também era interino, e que foi destituído na última terça-feira (17/02), devido a uma moção de censura relativa a supostos crimes de corrupção e tráfico de influência, baseada em encontros semiclandestinos entre o ex-mandatário e empresários chineses que possuem contratos com o Estado.

As eleições presidenciais no Peru utilizam fórmula eleitoral similar àquela que rege os processos eleitorais no Brasil: para ser eleita no primeiro turno, uma candidatura deve ter mais de 50% dos votos, caso contrário haverá um segundo turno.

No entanto, o calendário eleitoral apresentado este ano pelo Departamento Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, por sua sigla em espanhol) ainda não especificou uma data exata para um possível segundo turno, caso ele seja necessário. Nas últimas eleições, em 2021, essa votação aconteceu em junho, dois meses depois do primeiro turno.

Histórico de instabilidade

A série de destituições presidenciais teve início com Pedro Pablo Kuczynski, que venceu as eleições de 2016 e renunciou ao cargo em março de 2018 para escapar de um impeachment. Em seu lugar assumiu o vice, Martín Vizcarra, destituído em novembro de 2020.

O terceiro da lista foi também o mais breve: Manuel Merino durou apenas cinco dias no cargo, entre 10 e 15 de novembro de 2020, sendo substituído por Francisco Sagasti, que assumiu como interino e se manteve até o final daquele mandato presidencial, em julho de 2021 – dos sete presidentes que o Peru teve nos últimos dez anos, ele foi o único que não foi destituído.

Eleito nas últimas presidenciais do país, em junho de 2021, Pedro Castillo foi destituído após 16 meses no cargo, em dezembro de 2022, após superar duas tentativas anteriores de impeachment.

A vice de Castillo, Dina Boluarte, entrou em seu lugar e se tornou a primeira mulher a governar o Peru, mas terminou sendo a quinta da lista de destituídos, em outubro de 2025 – foi também a que mais tempo permaneceu no cargo, durante dois anos e dez meses.

José Jerí foi indicado como presidente interino do Peru por ser o presidente do Congresso quando Boluarte foi derrubada. Ele se manteve no cargo por apenas quatro meses.

Quatro presidentes por mandato

Curiosamente, os dois últimos mandatos presidenciais tiveram quatro diferentes mandatários ao longo do seu período.

Durante o mandato iniciado por Kuczynski em 2016 também passaram pela Presidência outros três nomes: Vizcarra, Merino e Sagasti.

Já o mandato de Castillo, inaugurado em 2021, teve a Presidência ocupada, posteriormente, por Boluarte, Jerí e agora Balcázar.

Ademais, a eleição de Balcázar talvez não seja o último capítulo da crise política no país. A líder do partido de extrema direita Força Popular, Keiko Fujimori – filha do falecido ditador Alberto Fujimori (1990-2000) – declarou, horas depois da votação no Congresso, que seu setor precisa "se unir para frear o avanço da extrema esquerda".

"Este é um dia muito triste
para o país, no qual permitimos que a esquerda radical volte a governar. Nunca deveríamos ter aberto esta porta, e agora temos que evitar que ela (esquerda) avance", disse a líder fujimorista, dando a entender que pretende promover o impeachment do novo mandatário interino.

Assim, mesmo que a mudança na conformação das chapas no Peru pareça uma medida sintonizada com a instabilidade política no país, é destacável o fato de que se ela estivesse vigente em eleições anteriores talvez não teria sido suficiente para frear a crise política no país.

Se Balcázar sobreviver à investida da extrema direita e se manter no cargo até o final do atual mandato, ele entregará a faixa presidencial no dia 28 de julho – data que marca a celebração da independência do país –, a quem for eleito nas próximas eleições para um mandato de cinco anos, até 28 de julho de 2031. Keiko Fujimori é uma das candidatas inscritas até o momento.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic