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Comerciante deixou Sobral após CV extorquir distribuidoras de água

opovo.com.br By Lucas Barbosa; Lucas-Barbosa 2026-02-19 639 words
Comerciante deixou Sobral após CV extorquir distribuidoras de água

Um comerciante foi obrigado a se mudar de Sobral (Região Norte do Estado) após a operação policial que prendeu suspeitos de extorquir distribuidoras de água mineral da cidade a mando da facção criminosa Comando Vermelho (CV).

Ele teve a casa invadida e furtada pelos criminosos, tendo precisado da ajuda da Polícia Militar do Ceará (PM-CE) para sair de Sobral, afirmou o Ministério Público Estadual (MPCE) em uma das denúncias contra suspeitos de praticar a extorsão.

O POVO identificou que, em 12 e 13 de fevereiro passados, o MPCE denunciou, pelo menos, cinco homens que estariam, já há algumas semanas, obrigando comerciantes de Sobral a adquirir apenas garrafões de águas fornecidos por duas empresas.

As investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Região Norte mostraram que também essas empresas foram alvo das extorsões do CV.

Um funcionário de uma dessas distribuidoras chegou a relatar à Polícia Civil que, em uma determinada ocasião, os trabalhadores estavam sendo mantidos "reféns" dentro do estabelecimento, uma forma dos criminosos garantirem o controle sobre a venda e saída de garrafões.

Keyller Christian Rocha Ripardo e Paulo Victor de Sousa Paixão, ambos de 20 anos, seriam os responsáveis por "se infiltrar" na empresa "para contabilizar as vendas e garantir o repasse dos valores extorquidos", conforme o MPCE.

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A Draco chegou a receber denúncia de um cliente da empresa que percebeu "excessivo nervosismo" por parte dos funcionários diante de dois homens que "jamais haviam sido vistos anteriormente no local".

Em outro depoimento, foi dito que um integrante do CV já havia recebido R$ 3 mil pela extorsão e que já estava previsto a ele o pagamento de mais R$ 4 mil. Esse homem foi identificado como Sérgio de Sousa Frota, de 29 anos, também denunciado pelo MPCE. Sérgio foi apontado como dono de um depósito clandestino de garrafões de água.

Além das empresas fornecedoras, a Polícia também identificou que distribuidoras menores foram extorquidas pelo CV. Júlio Maciel da Silva, de 25 anos, foi acusado pelo MPCE de ser um dos homens que ameaçaram comerciantes para que estes só vendessem os garrafões das marcas "autorizadas" pela facção.

No dia 3 de fevereiro, câmera de vigilância registrou Júlio indo até um mercadinho, ocasião em que ele teria dito que, a cada garrafão vendido, R$ 1 deveria ser pago à facção. O denunciado, porém, negou os crimes imputando, afirmando que foi até o estabelecimento apenas para pedir a entrega de água.

Ordens para as extorsões teriam vindo do Rio de Janeiro

As investigações também tiveram acesso a mensagens trocadas por homens que seriam membros do CV e que estariam por trás das cobranças das "taxas". A Draco apurou que chefes da facção que se escondem no Rio de Janeiro emanavam as ordens através de um grupo de Whatsapp.

"Caminhão de água pode parar todos", afirmou no grupo um homem cujo número de celular tinha o DDD 21, oriundo do Rio. "Os comerciantes que vende tem que pegar as que nois determina" (SIC), afirmou ele em outra mensagem.

Fotos dos caminhões que faziam a distribuição de água chegaram a ser compartilhadas no grupo. Entre os chefes do CV que fariam parte do grupo de onde partiam as ordens de extorsões está Jairo Morais de Vasconcelos, o "JJ", apontado como principal chefe do CV em Sobral. Jairo, que integra a Lista de Mais Procurados do Estado, está escondido no RJ.

Além de Keyller Christian, Paulo Victor, Sérgio e Júlio, o MPCE também denunciou José Gleydson Rodrigues de Sousa, um dos participantes do grupo de Whatsapp usado para determinar as extorsões.

José Gleydson havia sido preso em 6 de fevereiro, mas teve a liberdade provisória concedida pela Justiça. Ele negou ser integrante do CV, mas afirmou que "cola" com a facção, ou seja, é um simpatizante do grupo.

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