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Eric Dane em suas 'últimas palavras': 'Não sinto pena de mim'

uol.com.br By Ane Cristina De Splash; Em São Paulo 2026-02-20 1145 words
Eric Dane em suas 'últimas palavras': 'Não sinto pena de mim'

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Eric Dane deu uma entrevista para a Netflix que ele sabia que só seria divulgada após sua morte. O ator que morreu ontem, aos 53 anos, desabafou sobre o suicídio do seu pai, seu casamento com Rebecca Gayheart, e as duas filhas, Billie e Georgia.

Quer saber? Fod*-se, eu estou morto, então estou orgulhoso de tudo. Tudo isso me fez chegar até aqui. Eric Dane ao Famous Last Words

O ator contou sobre a perda do pai quando ainda tinha sete anos. Questionado sobre se a morte foi suicídio ou acidente, Dane disse, emocionado: "Eu não acho que uma pessoa que estivesse tão alterada iria brincar com uma arma em um banheiro sozinho por diversão. Eu acho que meu pai quis fazer aquilo. Eu fico pensando no quanto sozinho e assustado ele estava. É de partir o coração".

Essa perda o traumatizou pela vida inteira. "Eu acho que o trauma nos atinge a nível celular e é muito difícil tirar isso do nosso organismo. É provavelmente impossível. E única coisa que você pode fazer é aprender a lidar com isso".

Eu escrevo cartas para eles. Não muito ultimamente, [mas] foi onde eu encontrei paz.

O artista não acreditava em vida após a morte. "Eu acho que quando as luzes se apagam, é o fim. Eu não acredito que há um outro espaço para onde as almas vão. Eu acho que as pessoas acreditam nessas coisas porque isso dá conforto, mas eu realmente consegui assimilar isso. Eu acredito que quando nós nos vamos, nós vivemos na memória das pessoas que vão sentir nossa falta".

Questionado sobre as filhas, disse ter sido um bom pai. "Elas diriam que eu era durão, resiliente, amoroso, cativante, compassivo, empático e confiável. Um bom pai [...] Eu acho que aparecer é a qualidade nº 1, eu não tenho sido perfeito com isso, mas eu sempre estive lá quando importava".

Eu fui a todos os recitais de balé da Billie. Eu vou aos jogos de vôlei de praia da Georgia. Eu sou presente na vida delas, seja na frente delas ou a 2.000 milhas de distância.

Ele também contou que Rebecca, mãe de suas filhas, estava noiva quando eles se conheceram. "Eu conheci Rebecca, eu olhei para o amigo dela e disse, 'Eu vou casar com ela'. E o amigo disse: 'De forma alguma. Ela nunca vai terminar com o noivo dela. Eles estão juntos desde os 15'. Quatro anos depois, eu casei com ela".

Dane também revelou porque a relação acabou. "Eu acho que Rebecca era mais disposta a fazer a parte dela do que eu. Eu não tenho aquele gene que faz você continuar independente do que aconteça. Eu sou tipo: se tem um buraco no barco, não tenta tapar o buraco, afunda essa coisa e vai procurar um novo".

A gente ainda se ama profundamente, eu só acho que a gente não quer mais viver um com o outro. Mas tem muito amor aí. Eu nunca vou me apaixonar por qualquer mulher como eu me apaixonei pela Rebecca. Ela é a mãe das minhas filhas.

Diagnóstico de ELA

O artista conseguiu encontrar algo positivo na ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). "Essa coisa me fez amaciar um pouco, ficar mais mais aberto, e disponível para experienciar verdades sobre mim. Tudo que me foi deixado sou eu mesmo. E é um jeito meio ferrado de perceber que eu era suficiente o tempo todo".

E também lamentou o pior lado da doença. "Eu não vou estar aqui para minhas filhas para, você sabe, levar minhas garotas ao altar, ter netos... isso é uma coisa dura para considerar".

Eu nunca achei que isso ia acontecer comigo, nunca foi parte da história que eu criei para mim. Eu nunca achei que teria algo como ELA, por que eu teria isso? Eu sou saudável. Mas eu não sinto pena de mim. Eu me sinto mal pelas minhas filhas, Rebecca, e meus amigos.

Dane também foi sincero sobre não querer continuar vivendo com o avanço da doença. "Se eu não posso me comunicar com minhas filhas e não posso me mover, eu não quero estar aqui mais".

Ao final da entrevista, ele deixou um último recado para as filhas. Dane disse quatro coisas às filhas: vivam o agora, se apaixonem, escolham bem seus amigos e lutem.

Leia na íntegra

Billie e Georgia, essas palavras são para vocês. Eu tentei. Eu teimei algumas vezes, mas eu tentei. No geral, nos divertimos muito, né?

Eu me lembro de todas às vezes que fomos à praia, vocês duas, eu, sua mãe, em Malibu, Havaí, México. Eu vejo vocês agora brincando no oceano por horas, minhas bebês aquáticas. Aqueles dias eram o paraíso. Eu quero dizer a vocês quatro coisas que aprendi com essa doença e eu espero que vocês não só escutem, mas me ouçam.

Primeiro, vivam agora, o presente. É difícil, mas eu aprendi a fazer isso. Por anos, eu me perdi na minha cabeça, chafurdando em preocupação, autopiedade, vergonha e dúvida. "Eu deveria ter feito isso", "eu nunca deveria ter feito isso". Não mais. Para sobreviver, eu me forcei a estar no presente, mas eu não quero estar mais em lugar nenhum. O passado contém arrependimentos e o futuro permanece desconhecido, então vivam o agora. O presente é tudo que vocês têm.

Segundo, se apaixonem. Não necessariamente por uma pessoa, embora eu também recomende isso. Mas se apaixonem por algo. Encontrem sua paixão, sua alegria, a coisa que vai fazer vocês levantar da cama pela manhã. Eu me apaixonei pela primeira vez na idade de vocês, me apaixonei pela atuação. Eu ainda amo meu trabalho, ainda quero fazê-lo, ainda quero ficar na frente da câmera e fazer meu papel. Meu trabalho não me define, mas me anima. Achem algo que anime vocês, seu caminho, propósito, sonho, então vão atrás disso.

Terceiro, escolham bem seus amigos. Achem suas pessoas e permitam que elas achem vocês, e se deem a eles. Os melhores darão a vocês de volta. Sem julgamento, condições ou perguntas a serem feitas. Eu sou muito grato pela minha família e amigos mais próximos. Todos se colocaram à disposição. Eu não posso fazer nem as menores coisas que eu costumava fazer. Não posso dirigir, ir à academia, ao café, mas aprendi a abraçar alternativas. Meus amigos vêm até mim. Nós comemos juntos, assistimos a um jogo, ouvimos música. Eles não fazem nada de especial, apenas aparecem.

Finalmente, lutem com toda a força do seu ser e com dignidade. Quando vocês se depararem com desafios, de saúde ou outra coisa, lutem. Nunca desistam. Lutem até o seu último suspiro. Essa doença está tomando meu corpo aos poucos, mas nunca vai tomar meu espírito. Vocês duas são pessoas diferentes, mas ambas são fortes e resilientes. Vocês herdaram resiliência de mim, esse é meu superpoder.

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