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Exclusivo: Jatos de Vorcaro pousaram ou decolaram ao menos 28 vezes em paraísos fiscais

otempo.com.br By Renato Alves 2026-02-20 963 words
BRASÍLIA – Três jatos do empresário Daniel Vorcaro fizeram ao menos 28 pousos ou decolagens no principado de Mônaco, em Dubai (nos Emirados Árabes Unidos) e em Genebra ou Zurique, na Suíça, considerados paraísos fiscais. O investidor brasileiro é dono do Banco Master e protagonista do maior escândalo financeiro do país.

Um grupo de congressistas brasileiros debate a necessidade de realizar uma viagem oficial a Dubai para coletar documentos e informações relacionadas às investigações sobre irregularidades financeiras envolvendo o caso Master e desvios de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), alvos de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

Leia mais: Três jatos de Vorcaro fizeram quase 270 voos internacionais em 2 anos; veja os destinos

Reportagem da equipe de O TEMPO Brasília revelou nesta sexta-feira (20/2) que três jatos em nome de uma empresa dele fizeram 268 voos internacionais e 261 nacionais nos últimos dois anos. Os números foram colhidos por meio do cruzamento de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do site ADS-B Exchange, que fornece informações sobre a aviação em todo o mundo.

Do total, 11 voos pousaram em Mônaco ou decolaram do principado. Outros oito fizeram o mesmo em Genebra ou Zurique. Já nove envolveram chegada ou partida em Dubai.

Mônaco fica na Riviera Francesa e tem o maior número de milionários per capita do mundo. O país com 40 mil habitantes e 2 km² de extensão oferece imposto de renda zero para pessoas físicas, tornando-se um paraíso fiscal.

A Suíça é frequentemente mencionada como um paraíso fiscal devido às suas leis e regulamentações favoráveis aos contribuintes estrangeiros e à confidencialidade de suas instituições financeiras. Este status tem atraído muitos investidores e indivíduos de alto patrimônio líquido que buscam proteger seus ativos e minimizar seus impostos.

Confira os voos internacionais de cada modelo da empresa de Vorcaro para paraísos fiscais:

Mônaco

25 de setembro de 2023: Confins-Mônaco

29 de setembro de 2023: Mônaco-Confins

25 de junho de 2024: Lisboa-Mônaco-Salerno (Itália)

19 de julho de 2025: Guarulhos-Brasília-Mônaco

22 de julho de 2025: Brasília-Mônaco

24 de julho de 2025: Mônaco-Paris-Mônaco

25 de julho de 2025: Mônaco-Paris

21 de agosto de 2025: Brasília-Mônaco

22 de agosto de 2025: Miami-Mônaco

26 de agosto de 2025: Mônaco-Miami-Chatanooga (EUA)

27 de agosto de 2025: Mônaco-Guarulhos-Brasília

Genebra (Suíça)

10 de janeiro de 2024: Guarulhos-Genebra (Suíça)

23 de janeiro de 2024: Genebra-Guarulhos

15 de janeiro de 2025: Guarulhos-Genebra

23 de janeiro de 2025: Genebra-Zurique (Suíça)

24 de janeiro de 2025: Zurique-Confins

28 de março de 2025: Paris-Zurique-Confins

16 de janeiro de 2025: Miami-Genebra (Suíça)

23 de janeiro de 2025: Genebra-Miami

Dubai (Emirados Árabes)

2 de outubro de 2024: Roma-Dubai (Emirados)

17 de outubro de 2024: Dubai-Miami

3 de maio de 2025: Confins-Luanda-Dubai

6 de maio de 2025: Dubai-Luanda-Confins

24 de junho de 2025: Paris-Dubai

27 de junho de 2025: Dubai-Crotone (Itália)

13 de outubro de 2024: Roma-Dubai

17 de outubro de 2024: Dubai-Confins

16 de outubro de 2024: Dubai-Doha (Catar)

A maioria dos voos internacionais dos jatos de Vorcaro saiu dos aeroportos de Confins (MG) e de Guarulhos (SP). Em Belo Horizonte e na cidade de São Paulo ficavam as sedes do Banco Master e do conglomerado de Vorcaro, protagonistas do maior escândalo financeiro do Brasil. Ele nasceu e cresceu na capital mineira.

Todos os três jatos estão registrados em nome da Viking Participações, holding sediada em Belo Horizonte, da qual Vorcaro é o único dono. Nenhum dos três jatos está alienado a bancos. Isso indica que foram adquiridos e pagos à vista, sem financiamento.

Vorcaro embarcaria em um dos seus aviões, um modelo Falcon 7X, quando foi preso pela Polícia Federal (PF), no aeroporto de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025. Investigadores suspeitam que ele fugiria para Malta, pequeno país da Europa.

Na manhã seguinte, a PF deflagrou a operação Compliance Zero para apurar suspeitas de crimes envolvendo a venda do Master para o Banco de Brasília (BRB). Simultaneamente, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Master.

Policiais federais prenderam sete pessoas e apreenderam joias, carros de luxo, obras de arte, uma coleção de vinhos caros e R$ 1,6 milhão em espécie. Agentes também recolheram, em Guarulhos, o Falcon 7X de Vorcaro. Ela foi levada para Minas Gerais.

O jatinho foi fabricado em 2010 pela Dassault e está avaliado em R$ 200 milhões. Ele leva até 8 pessoas, além da tripulação, e tem autonomia de 12 mil quilômetros, suficiente para voos transatlânticos sem escalas, como de Los Angeles a Londres.

Com comandos digitais, ele alcança cerca de 1.200km/h, quase a velocidade do som. Com quase 12 metros de comprimento interno e 1,88m de altura, este modelo é usado também por forças aéreas de alguns países, além de alguns chefes de Estado.

A unidade comprada por Vorcaro recebeu itens para torná-lo mais confortável, como cama. Seus advogados negam a fuga e dizem que o cliente iria a Dubai a negócio. Horas antes da prisão, foi anunciada a compra do Master pelo consórcio liderado pelo grupo de investimento Fictor Holding Financeira.

O negócio envolveria investidores dos Emirados Árabes Unidos, cujos nomes nunca foram revelados. Na manhã da deflagração da Compliance Zero e da liquidação do Master, o Fictor anunciou a suspensão da operação de compra do Master. No início de fevereiro, o Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. A PF abriu um inquérito contra o grupo.

Os outros dois aviões atribuídos a Vorcaro são um Falcon 2000 e um Gulfstream GV-SP. O primeiro é avaliado entre R$ 23,8 milhões e R$ 46,11 milhões. O outro pode levar até 21 passageiros, com autonomia de 7,4mil km. Vorcaro comprou o aparelho em 27 de junho de 2023, de uma empresa de táxi aéreo de São Paulo, por R$ 120 milhões.

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