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Chega, STF! Como no meme da garotinha: “já deu”

oantagonista.com.br By Ricardo Kertzman 2026-02-20 528 words
Chega, STF! Como no meme da garotinha: "já deu"

Não. Não é normal intimidar políticos, jornalistas, auditores fiscais e líderes sindicais como vem acontecendo

Eu tenho muito pouca – ou quase nenhuma – paciência com figurinhas e memes de redes sociais. Algumas são fofinhas, outras engraçadas, mas a preguiça, ou mesmo incapacidade de escrever algumas poucas palavras ao interlocutor, é, a meu ver, no mínimo, descortesia.

Eu mando uma mensagem a alguém: "Bom dia! Tudo bem? Podemos falar?". E ao invés de um "Bom dia, sim", ou mesmo de uma imediata ligação como retorno, lá vem um "joinha" ou uma figurinha idiota qualquer. Caramba! Quando foi que isso começou?

"Ah, Ricardo, deixe de ser antiquado". Uma ova! Ler, escrever, falar, interagir socialmente (presencialmente) jamais serão antiquados. Se parte significativa dos seres humanos decidiu voltar às cavernas da comunicação, que siga em paz. Mas não conte comigo.

Dentre estes memes "fofinhos", está o de uma garotinha com ar enfezado, supostamente respondendo à mãe: "Um, dois, três… Deu! Deu por hoje. Já deu!". Se espontâneo ou ensaiado, o vídeo de quatro ou cinco segundos viralizou e se tornou também resposta.

Aderindo aos memes

Contrariando, pois, minha própria regra, tomo emprestada a fala da criancinha e mando meu recado ao STF, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes: Deu, pessoal! Já deu! Chega de tantos desmandos, tanto enxovalho, tanta arbitrariedade e tanta confusão.

Chega, ministra Cármen Lúcia, de dizer que é "contra a censura" para, em seguida, meter uma vírgula e votar em favor da censura – quando lhe convém, claro. Ou de chamar os brasileiros de "213 milhões de pequenos tiranos soberanos". Deu, ministra! Por hoje, já deu.

Chega, ministro Gilmar Mendes, de processar jornalistas por "excesso de ironia" ou de responder, com igual ironia, à sociedade sobre o Gilmarpalooza: "Acho engraçado". Chega, também, de achar normal atuar em casos de pessoas com as quais tem relação pessoal ou social.

Chega, ministro Flávio Dino, de processar pessoas por causa de adjetivações infantis contra o senhor. Ou de se declarar "STF Futebol Clube". O senhor é um ministro da Suprema Corte, e não uma espécie de soldado, a serviço de um exército que não observa regras e códigos.

Basta! Não dá mais

Chega, ministro Dias Toffoli, de amizades mal-explicadas, de decisões incomuns, anulações de acordos, multas e sentenças. Chega de chorar junto a seus pares, afetando a emoção sincera de quem acorda, vive e dorme pensando apenas na Justiça e no bem comum.

Mas, sobretudo, chega, ministro Alexandre de Moraes! Chega de arbítrios, de autoritarismo, de intimidação. Chega de atuar como vítima, investigador, relator e juiz, Chega de torcer e retorcer os artigos da Constituição para sustentar o que pensa e o que quer.

Não, senhores capas pretas. Não é normal um ministro manter relações comerciais com investigados. Não é normal um ministro conversar com autoridades públicas, podendo interferir em ações cuja a esposa recebe milhões de reais para atuar como advogada.

Não é normal abrir um inquérito de ofício, nomear sem sorteio seu presidente e mantê-lo indefinidamente aberto para servir a qualquer propósito. E não! Não é normal intimidar jornalistas, auditores fiscais e líderes sindicais como vem acontecendo. Chega! Já deu!

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