B
25/30
Good

Por que o corpo sofre após o Carnaval e quanto tempo leva para o sono voltar ao normal

acritica.com By Gabriel Machado 2026-02-22 681 words
Saúde e bem-estar

Especialista explica como noites mal dormidas e o consumo de álcool desregulam o relógio biológico, afetam a memória e indicam quando o cansaço pode ser sinal de alerta

Gabriel Machado

22/02/2026 às 15:18.

(Foto: Divulgação)

Depois de dias intensos de festa, blocos e poucas horas de descanso, o corpo costuma cobrar a conta. A sensação de cansaço extremo, dificuldade para dormir no horário habitual e aquela impressão de que o relógio biológico "quebrou" são comuns no pós-carnaval. Mas o que, de fato, acontece com o organismo depois de uma sequência de noites mal dormidas?

Segundo a especialista do sono Luciane Zuffo, o desequilíbrio tem explicação biológica. "O sono é regulado por dois principais mecanismos biológicos: a pressão do sono, relacionada à adenosina, quanto mais tempo acordado, maior a necessidade de dormir; e o ritmo circadiano, regulado pelo núcleo supraquiasmático no hipotálamo, sincronizado principalmente pela luz e pela rotina de horários para dormir e acordar", explicou ao VIDA.

Quando esses dois sistemas são constantemente desrespeitados, como ocorre durante a maratona de festas, o organismo perde a referência de horário.

O consumo de álcool, bastante comum nesse período, agrava ainda mais o cenário. Embora muita gente relate que "apaga" rapidamente ao deitar, isso não significa sono de qualidade. "O álcool tem efeito sedativo inicial, por isso a pessoa pode adormecer mais rápido. Mas biologicamente ele fragmenta o sono na segunda metade da noite, reduz o sono REM [a fase final do ciclo de sono], que é essencial para memória e regulação emocional, aumenta despertares, piora o ronco e pode agravar quadros de apneia do sono", afirmou.

A especialista destaca que, apesar da sensação de ter dormido, o descanso não é reparador. "Com a utilização do álcool, a pessoa apaga, dorme rapidamente, mas não tem sono reparador. E no dia seguinte se sente mais cansada, fadigada, com déficit cognitivo e falta de atenção. Tudo isso provocado por uma noite mal dormida de péssima qualidade por consequência do álcool", reforçou.

Diante do cansaço acumulado, muita gente tenta compensar dormindo por longas horas nos dias seguintes. A estratégia, porém, tem limites. "Parcialmente, sim. Totalmente, não. O corpo consegue recuperar uma parte do débito de sono, principalmente aumentando o sono profundo na primeira noite de recuperação. Mas dormir excessivamente pode atrasar ainda mais o relógio biológico, dificultar dormir no horário habitual e prolongar a desorganização do ritmo circadiano", orientou.

Segundo Luciane Zuffo, o consumo de álcool, bastante comum nesse período de carnaval, agrava ainda mais o cenário de sono desregulado.

Em geral, o corpo consegue se reorganizar relativamente rápido. "O organismo leva de dois a cinco dias para se reorganizar após um período curto de privação. Se houve várias noites seguidas mal dormidas, excesso de álcool ou mudança intensa de horários, a regularização pode levar até uma semana", explicou Luciane.

Pessoas que já convivem com insônia ou apneia do sono podem precisar de mais tempo para retomar o equilíbrio.

Para acelerar esse processo, algumas medidas simples fazem diferença. A especialista recomenda voltar a um horário fixo para acordar, priorizar a exposição à luz solar pela manhã, evitar cochilos longos durante o dia, reduzir a luz artificial à noite, suspender o consumo de álcool e manter regularidade nos horários das refeições e na prática de atividade física. Pequenos ajustes diários ajudam o cérebro a recalibrar o ritmo circadiano de forma gradual.

Por fim, é importante estar atento aos sinais de que o problema ultrapassou o cansaço comum do pós-folia. Sonolência excessiva durante o dia, dificuldade de concentração, irritabilidade, despertares frequentes, ronco alto com pausas respiratórias, dor de cabeça matinal e sensação de sono não reparador podem indicar que algo mais sério está acontecendo.

Como alerta a especialista: "Dificuldade para iniciar ou manter o sono por mais de duas a três semanas, sonolência que interfere nas atividades diárias ou sinais como pausas respiratórias e aumento da pressão arterial são indicativos de que a privação de sono merece avaliação médica", finalizou.

Sobre o Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic