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Socorro ao BRB pode ser um novo Banco Pan para a Caixa

jb.com.br By Gilberto Menezes Côrtes 2026-02-23 963 words
ECONOMIA

Socorro ao BRB pode ser um novo Banco Pan para a Caixa

Por GILBERTO MENEZES CÔRTES [email protected]

Publicado em 23/02/2026 às 19:49

Alterado em 23/02/2026 às 19:55

Em ano eleitoral, surgem as alianças mais estapafúrdias na política. E, na maioria das vezes, as alianças custam caro ao Erário. Vejam o caso do encalacrado Banco Regional de Brasília (do Distrito Federal, governado pelo MDB de Ibaneis Rocha). O BRB, que mantinha negócios no mercado interbancário com Banco Master, de Daniel Vorcaro, começou a ficar com posições a descoberto no final de 2024 e propôs ao Banco Central (já sob a gestão de Gabriel Galípolo, que substituiu a Roberto Campos Neto, em janeiro de 2025) em março do ano passado comprar 68% das ações do Master.Na gestão de Campos Neto já se sabia dos problemas do Master, que, fiando-se nas garantias do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 250 mil, expandia a captação e cedeu R$ 12,2 bilhões em créditos ao banco de Brasília. Quem acompanhava a união do Master com o BRB era o diretor de Organização do Sistema Financeiro Nacional, Renato Dias Brito, cujo mandato expirou em 31 de dezembro de 2025. Em setembro, após identificar fraudes em títulos precatórios e de outros ativos, o Banco Central vetou a união.Sem liquidez, o Master sofreu liquidação do BC em 18 de novembro de 2025, um dia depois de anunciar que tinha fechado uma promessa de compra e venda de R$ 3 bilhões com o grupo financeiro Fictor, que teria parceria do Fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos (não confirmada). Em janeiro, o Fictor deu calote no Mastercard, teve bloqueados R$ 150 milhões em entrou em recuperação judicial, solicitando repactuação de R$ 4 bilhões em dívidas.Enquanto os escombros do Master já causaram prejuízos de mais de R$ 53 bilhões ao FGC, nas entranhas do governo gesta-se uma operação de socorro do combalido BRB, que precisa de capitalização mínima de R$ 5 bilhões para cobrir o rombo deixado pelo Master com uma aliança da Caixa Econômica Federal com o BRB, que passaria a controlador do banco do DF.Pontos em comum com o PanO caso lembra muito a operação-socorro que a CEF fez (inicialmente em dezembro de 2009) ao comprar, através da Caixa Participações S.A. (CaixaPar) por R$ 739,2 milhões, 49% do capital votante e 35,54% do capital total do Banco Panamericano, do grupo Silvio Santos. Só que, a exemplo do Master, o rombo alegado pelo Pan era muito maior [durante os últimos quatro anos, o banco cedia créditos inadimplentes a outras instituições financeiras, mas os gestores do Pan não davam baixa contábil as operações, engordando falsamente o ativo]. O resultado é que o Pan virou um sorvedouro de dinheiro que quase tragou todo o patrimônio do dono do SBT. Silvio Santos entregou o Baú da Felicidade e as lojas do Baú e ainda deu o controle do SBT e da cosméticos Jequiti em garantia a empréstimo de R$ 450 milhões do FGC.A necessidade de mais aportes no Pan, apesar dos socorros quase diários de liquidez, se materializou no balanço do primeiro semestre de 2010. Em 19 de julho de 2010, a CaixaPar fez pagamento residual de R$ 234,2 milhões. Mas isso não bastou. Silvio Santos, em visita ao presidente Lula, em setembro de 2010, em Brasília, relatou a situação desesperadora do grupo. Os créditos junto ao FGC já somavam R$ 2,5 bilhões, a serem pagos até 2028 apenas com correção monetária e carência de três anos. Um grande acordo foi feito, às vésperas do primeiro turno que envolvia a disputa da ex-ministra da Casa Civil e "mãe do PAC", Dilma Roussef (PT), contra o ex-ministro da Saúde, senador José Serra (PSDB-SP). Com grande penetração popular o SBT fustigou Serra.Depois de ser descoberto rombo extra de R$ 1,5 bilhão no Banco Pan em novembro de 2020, a CaixaPar nomeou quase todos os diretores do Pan (o Conselho da Administração coube à então presidente da CEF, Maria Fernanda Ramos Coelho, e a vice-presidência foi ocupada por um representante indicado pelo Fundo Garantidor de Crédito - FGC). Mas em fato relevante divulgado pelo Banco Panamericano em 31 de janeiro de 2011, o conglomerado anunciou o ingresso de um novo sócio: o BTG-Pactual, de André Esteves que ficou com 50,8% do controle do Pan, pagando R$ 450 milhões emprestados pelo FGC.Em 26 de janeiro de 2026, o banco de André Esteves fez emissão de capital para bancar as operações de liquidação das dívidas do Banco Ban, que fechou o capital na B3 e foi incorporado integralmente ao BTG-Pactual. Como se percebe na operação de salvamento do Banco Pan e do grupo Silvio Santos a Caixa gastou muito e resgatou suas ações por menos de R$ 350 milhões. A preços históricos, perdeu cerca de R$ 500 milhões.Velho enredo, novos e velhos personagensPor tudo isso, a ideia de federalizar o BRB cheira mal. A operação foi sugerida ao governo Lula pelo Centrão e pode estar ligada a alianças políticas com a campanha de Lula por parte do MDB (Ibaneis Rocha e o ex-presidente Michel Temer eram interlocutores de Daniel Vorcaro) e do PP. O partido presidido pelo senador Ciro Nogueira, do Piauí, que tem como um dos expoentes o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, deputado por Alagoas, estado do senador Renan Calheiros (MDB). Ciro Nogueira quis elevar em 2024 a garantia do FGC a R$ 1 milhão.Mas há forças do Centrão da Paraíba (terra natal do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira. No cargo desde o final de 2023, por influência do PP, Carlos Vieira já foi diretor da Financeira do BRB. Tem contados dos dois lados em processo de discussão para uma fusão acionária. Também é do PP-RN, o diretor do SBT, o ex-deputado e ex-ministro Fábio Faria.

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