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Mensagens revelam teia de extorsão de delegado condenado com policIais

metropoles.com By Alfredo Henrique 2026-02-24 686 words
Mensagens revelam teia de extorsão de delegado condenado com policIais

Eduardo Peretti já havia sido demitido da Polícia Civil por outro crime, mas conseguiu voltar aos quadros da instituição por via judicial

atualizado

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O delegado Eduardo Peretti Guimarães foi condenado, na sexta-feira (20/02), a nove anos de prisão, em regime fechado, por integrar uma organização criminosa formada por policiais civis e militares em São Paulo. Segundo a sentença, obtida pelo Metrópoles, ele exercia papel central no grupo, coordenando ações e se valendo da estrutura do estado para dar aparência de legalidade às abordagens que terminavam em cobrança de dinheiro.

De acordo com a decisão, o esquema reunia agentes públicos que, em vez de combater o crime, atuavam em conjunto para obter vantagem indevida. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) entendeu que o grupo funcionava de maneira organizada e estável, característica que configura o crime de organização criminosa.

Além de Peretti, foram condenados os policiais militares Jorge Luiz Cascarelli Junior e Jocimar Canuto de Paula, além dos policiais civis Wilson Isidoro Junior, Ronaldo Batalha de Oliveira e Diego Bandeira Lima. Cada um deles recebeu oito anos e nove meses de prisão, também em regime fechado, além de multa, pelo mesmo crime. Todos negam os crimes e respondem ao caso em liberdade.

"Chapéu" e cocaína

Há diálogos interceptados em que comparsas discutem a divisão do dinheiro e reclamam de suposto "chapéu", termo usado para indicar que parte do valor não teria sido repassada entre eles.

Além das extorsões, o processo descreve a entrega de cocaína pelo delegado a outros integrantes do grupo, chamada em conversas de "negócio branco" dado pelo "doutor".

Condenados e absolvidos

Na avaliação do Judiciário, o delegado tinha posição de liderança dentro da estrutura. As provas reunidas indicaram que ele participava das decisões e influenciava os demais integrantes. A pena mais alta aplicada a Peretti refletiria esse entendimento.

A sentença também determinou a perda do cargo público para os policiais militares Cascarelli e Jocimar e para os policiais civis Ronaldo e Diego. Wilson Isidoro Junior também foi condenado, mas a decisão não aplicou a ele a mesma consequência administrativa.

Apesar das condenações por organização criminosa, todos foram absolvidos das demais acusações que respondiam no processo, como extorsão e crimes ligados ao tráfico de drogas.

Mesmo com a absolvição nesses pontos específicos, o conjunto de provas, como interceptações telefônicas, quebras de sigilo e depoimentos, foi considerado "farto e decisivo" para sustentar a condenação pelo envolvimento estruturado e permanente na organização.

Conduta grave

O caso expôs um cenário que, segundo a própria decisão judicial, compromete a confiança da população nas instituições de segurança. Para a Justiça, os condenados se valeram da função pública para atuar de forma articulada e obter ganhos ilegais, conduta considerada especialmente grave por envolver agentes do estado.

Peretti já havia enfrentado problemas disciplinares no passado. Em 2017, foi demitido da Polícia Civil por concussão, crime que envolve exigir vantagem indevida usando o cargo. Em 2021, contudo, retornou à corporação por decisão judicial.

Com as condenações fixadas, o caso marca um dos episódios mais sensíveis envolvendo integrantes das forças de segurança em São Paulo, pelo fato de reunir um delegado, dois PMs e outros três policiais civis na mesma estrutura criminosa, segundo a conclusão da Justiça.

O que foi apurado

As investigações apontaram que Peretti não apenas integrava a organização criminosa, como também participava diretamente de ações de extorsão e fornecimento de drogas.

Em um dos episódios detalhados no processo, obtido pelo Metrópoles, o grupo teria constrangido um comerciante, sob ameaça com arma de fogo, a pagar R$ 20 mil para evitar o fechamento de sua casa noturna, sob alegação de que haveria drogas no local. O pagamento teria sido exigido "com o intuito de obter indevida vantagem econômica". Parte do valor foi negociada em parcelas de R$ 5 mil.

Dias depois, segundo a denúncia, houve nova cobrança de R$ 5 mil. Em outra ocasião, no Natal de 2021, um policial civil, por ordem de Peretti, teria exigido mais R$ 7.5 mil, afirmando que aquele era o valor "devido" e que a vítima deveria "ficar esperta" para "depois não reclamar".

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