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Mulher com fungo no pé espera há mais de 400 dias por amputação no SUS

metropoles.com By Isabella Wagner 2026-02-24 680 words
Na MiraColunas

Mulher com fungo no pé espera há mais de 400 dias por amputação no SUS

Ela adquiriu a infecção fúngica, conhecida como Micetoma Eumicótico, há 30 anos, em 1996, por uma pequena ferida no membro inferior

atualizado

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Uma mulher luta há mais de 27 anos contra uma infecção grave no pé direito, o que a impossibilita de andar, trabalhar e viver uma vida digna. Ela já espera há pouco mais de 400 dias na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma consulta e uma cirurgia de amputação com urgência, pois a doença já atingiu o sistema ósseo.

Dona Maria Aparecida, de 52 anos, residente de Águas Lindas de Goiás, é a vítima que ainda espera por um milagre. Segundo familiares, ela adquiriu a infecção fúngica, conhecida como Micetoma Eumicótico, há 30 anos, em 1996, por uma pequena ferida no membro inferior. Esse fungo, de acordo com os médicos, tende a atingir agricultores e trabalhadores rurais, por solos contaminados por esses microrganismos. Na época, ela morava em uma área rural de Alexânia (GO).

A filha de Maria, Denise Dutra, contou ao Metrópoles que, no início, a doença começou como um "caroço" pequeno, e conforme a demora para diagnosticar, foi crescendo e inchando, até tal ponto onde os remédios antifúngicos receitados pelos médicos não estavam surtindo mais efeito. A filha conta que, durante esses anos, a mãe procurou atendimento tanto no sistema de saúde de Goiás quanto no do Distrito Federal. Atualmente, ela faz o acompanhamento médico no Hospital Universitário de Brasília (HUB).

De mãos atadas, a resposta que a família recebeu da equipe médica foi de que Maria precisaria amputar o pé. A justificativa era de que a infecção já atingiu o sistema ósseo, e se cair na corrente sanguínea pode causar sepse – uma infecção generalizada que se não tratada precocemente leva ao choque e morte. O problema é que o tempo de espera para uma consulta e cirurgia no SUS, já soma o número de 405 dias e Maria está no 31º lugar. A aposentada deu entrada na fila em 13 de janeiro de 2025.

Apelo

Denise conta que não tem mais onde recorrer, que o problema da mãe afeta não só o físico, mas o psicológico dela também.

"Ela fica muito agoniada, diz que sente os fungo andando pelo corpo dela e toma analgésicos todos os dias", conta.

A filha acredita que Maria desenvolveu hipocondria, e a cada duas semanas pede para ir ao hospital ver se está tudo bem, que não deixa de tomar os remédios pois, segundo Denise, ela [Maria] teme que o quadro piore e morra. Maria chegou ainda a se consultar com um psiquiatra que a receitou um antipsicótico.

Além disso, a aposentada não anda mais faz três anos, a locomoção agora é feita em uma cadeira de rodas. Situações básicas do cotidiano viraram um grande desafio, como tomar banho e caminhar no quintal de casa.

Em vídeo (veja acima) enviado ao Metrópoles, a dona de casa conta em detalhes a situação em que se encontra atualmente e pede que médicos e órgãos responsáveis possam ajudá-la de alguma forma. Denise afirmou que já enviou solicitações para a ouvidoria do SUS, que, por sua vez, respondeu que as demandas hospitalares podem alterar de acordo com novas inserções de pacientes prioritários, alterações na classificação de risco de pacientes que já aguardam pela regulação, cancelamentos de solicitações e redução do número de vagas ofertadas pelas unidades executantes.

Por fim, os familiares contam que, durante esses 27 anos de tratamento, a situação teve vários desdobramentos, internações, inclusive remédios que não estavam disponíveis pelo SUS, e que tiveram que entrar na justiça para conseguir o valor dos medicamentos. Mesmo com tantos esforços nenhuma melhora apareceu e a única saída para Maria Aparecida é a amputação.

O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde do DF e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela administração do Hospital Universitário de Brasília, que não haviam respondido aos questionamentos da reportagem até a última atualização deste texto. O espaço segue aberto para atualizações.

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