Mulher com fungo no pé espera há mais de 400 dias por amputação no SUS
Mulher com fungo no pé espera há mais de 400 dias por amputação no SUS
Ela adquiriu a infecção fúngica, conhecida como Micetoma Eumicótico, há 30 anos, em 1996, por uma pequena ferida no membro inferior
atualizado
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Uma mulher luta há mais de 27 anos contra uma infecção grave no pé direito, o que a impossibilita de andar, trabalhar e viver uma vida digna. Ela já espera há pouco mais de 400 dias na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma consulta e uma cirurgia de amputação com urgência, pois a doença já atingiu o sistema ósseo.
Dona Maria Aparecida, de 52 anos, residente de Águas Lindas de Goiás, é a vítima que ainda espera por um milagre. Segundo familiares, ela adquiriu a infecção fúngica, conhecida como Micetoma Eumicótico, há 30 anos, em 1996, por uma pequena ferida no membro inferior. Esse fungo, de acordo com os médicos, tende a atingir agricultores e trabalhadores rurais, por solos contaminados por esses microrganismos. Na época, ela morava em uma área rural de Alexânia (GO).
A filha de Maria, Denise Dutra, contou ao Metrópoles que, no início, a doença começou como um "caroço" pequeno, e conforme a demora para diagnosticar, foi crescendo e inchando, até tal ponto onde os remédios antifúngicos receitados pelos médicos não estavam surtindo mais efeito. A filha conta que, durante esses anos, a mãe procurou atendimento tanto no sistema de saúde de Goiás quanto no do Distrito Federal. Atualmente, ela faz o acompanhamento médico no Hospital Universitário de Brasília (HUB).
De mãos atadas, a resposta que a família recebeu da equipe médica foi de que Maria precisaria amputar o pé. A justificativa era de que a infecção já atingiu o sistema ósseo, e se cair na corrente sanguínea pode causar sepse – uma infecção generalizada que se não tratada precocemente leva ao choque e morte. O problema é que o tempo de espera para uma consulta e cirurgia no SUS, já soma o número de 405 dias e Maria está no 31º lugar. A aposentada deu entrada na fila em 13 de janeiro de 2025.
Apelo
Denise conta que não tem mais onde recorrer, que o problema da mãe afeta não só o físico, mas o psicológico dela também.
"Ela fica muito agoniada, diz que sente os fungo andando pelo corpo dela e toma analgésicos todos os dias", conta.
A filha acredita que Maria desenvolveu hipocondria, e a cada duas semanas pede para ir ao hospital ver se está tudo bem, que não deixa de tomar os remédios pois, segundo Denise, ela [Maria] teme que o quadro piore e morra. Maria chegou ainda a se consultar com um psiquiatra que a receitou um antipsicótico.
Além disso, a aposentada não anda mais faz três anos, a locomoção agora é feita em uma cadeira de rodas. Situações básicas do cotidiano viraram um grande desafio, como tomar banho e caminhar no quintal de casa.
Em vídeo (veja acima) enviado ao Metrópoles, a dona de casa conta em detalhes a situação em que se encontra atualmente e pede que médicos e órgãos responsáveis possam ajudá-la de alguma forma. Denise afirmou que já enviou solicitações para a ouvidoria do SUS, que, por sua vez, respondeu que as demandas hospitalares podem alterar de acordo com novas inserções de pacientes prioritários, alterações na classificação de risco de pacientes que já aguardam pela regulação, cancelamentos de solicitações e redução do número de vagas ofertadas pelas unidades executantes.
Por fim, os familiares contam que, durante esses 27 anos de tratamento, a situação teve vários desdobramentos, internações, inclusive remédios que não estavam disponíveis pelo SUS, e que tiveram que entrar na justiça para conseguir o valor dos medicamentos. Mesmo com tantos esforços nenhuma melhora apareceu e a única saída para Maria Aparecida é a amputação.
O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde do DF e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela administração do Hospital Universitário de Brasília, que não haviam respondido aos questionamentos da reportagem até a última atualização deste texto. O espaço segue aberto para atualizações.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Adequate named sources (family member) and some expert indicators, but lacks direct primary medical sources or official responses.
Specific Findings from the Article (4)
"Dona Maria Aparecida, de 52 anos, residente de Águas Lindas de Goiás"
Identifies the main subject by name and location.
Named source"A filha de Maria, Denise Dutra, contou ao Metrópoles"
Named family member provides firsthand account.
Named source"Segundo familiares, ela adquiriu a infecção fúngica"
Uses secondary attribution for medical history.
Secondary source"de acordo com os médicos, tende a atingir agricultores"
References medical expertise without specific attribution.
Expert sourcePerspective Balance
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Summary
Primarily presents the family's perspective with minimal effort to include official viewpoints.
Specific Findings from the Article (2)
"Denise conta que não tem mais onde recorrer"
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One sided"O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde do DF e a Empresa Brasileira de Se"
Attempts to include official perspective but notes lack of response.
Balance indicatorContextual Depth
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Summary
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Specific Findings from the Article (3)
"ela adquiriu a infecção fúngica, conhecida como Micetoma Eumicótico, há 30 anos, em 1996"
Provides historical timeline of the condition.
Background"o tempo de espera para uma consulta e cirurgia no SUS, já soma o número de 405 dias"
Provides specific quantitative data about wait time.
Statistic"A justificativa era de que a infecção já atingiu o sistema ósseo, e se cair na corrente sanguínea pode causar sepse"
Explains medical rationale for amputation.
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Mostly neutral reporting with 1-2 instances of emotional language.
Specific Findings from the Article (3)
"Uma mulher luta há mais de 27 anos contra uma infecção grave no pé direito"
Factual description of situation.
Neutral language"é a vítima que ainda espera por um milagre"
Uses emotional/religious language.
Sensationalist"A aposentada deu entrada na fila em 13 de janeiro de 2025"
Neutral factual statement.
Neutral languageTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
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Clear author attribution, date, and quote attribution, but lacks methodology disclosure.
Specific Findings from the Article (2)
"A filha de Maria, Denise Dutra, contou ao Metrópoles"
Clear attribution for quotes.
Quote attribution"O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde do DF"
Discloses reporting attempts.
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; narrative flows chronologically with consistent claims.
Core Claims & Their Sources
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"A woman has waited over 400 days for amputation surgery in Brazil's public health system (SUS)."
Source: Family member Denise Dutra's account to Metrópoles Named secondary
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"The fungal infection (Mycetoma Eumycotic) has reached the bone system and requires urgent amputation."
Source: Medical team's justification as reported by family Secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (7)
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P1
"Maria Aparecida, 52, from Águas Lindas de Goiás, has had the infection for 30 years since 1996."
Factual -
P2
"She entered the SUS queue on January 13, 2025, and is in 31st position."
Factual -
P3
"The infection began as a small 'bump' that grew due to delayed diagnosis."
Factual -
P4
"She has been unable to walk for three years and uses a wheelchair."
Factual -
P5
"Delayed diagnosis causes infection growth and resistance to antifungal medications"
Causal -
P6
"Infection reaching bone system causes risk of sepsis and death if not treated"
Causal -
P7
"Long wait times in SUS causes continued suffering and psychological distress"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Maria Aparecida, 52, from Águas Lindas de Goiás, has had the infection for 30 years since 1996. P2 [factual]: She entered the SUS queue on January 13, 2025, and is in 31st position. P3 [factual]: The infection began as a small 'bump' that grew due to delayed diagnosis. P4 [factual]: She has been unable to walk for three years and uses a wheelchair. P5 [causal]: Delayed diagnosis causes infection growth and resistance to antifungal medications P6 [causal]: Infection reaching bone system causes risk of sepsis and death if not treated P7 [causal]: Long wait times in SUS causes continued suffering and psychological distress === Causal Graph === delayed diagnosis -> infection growth and resistance to antifungal medications infection reaching bone system -> risk of sepsis and death if not treated long wait times in sus -> continued suffering and psychological distress
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.