Familiares de Marielle exaltam condenação de mandantes pelo STF: 'Justiça por ela é uma tarefa de vida'
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou o resultado do julgamento foi um "recado" à parcela da sociedade que, segundo ela, tratou sua irmã como "descartável" e afirmou que a violência política de gênero e raça que resultou na morte de Marielle "precisa ser aniquilada".
"A estrutura que leva, de fato, a minha irmã a ser assassinada, e as pessoas que ainda têm a mentalidade de diminuir ou minimizar um assassinato como foi o de Marielle, precisa parar", disse ela em entrevista coletiva após o resultado.
Emocionada, Anielle também declarou que o "legado de Marielle" e a luta da família não vão parar com a condenação no Supremo.
"A gente vai dar continuidade, sim, querendo ou não. E a honra que eu tenho, sim, de ser irmã de Marielle, não chego onde cheguei apenas por isso, mas, sim, [tenho] a honra de ser irmã de Marielle e a honra de fazer parte de um governo que traz de volta a democracia fortalecida, que, se não fosse por isso, também talvez não tivéssemos chegado aqui", afirmou.
Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino foram unânimes ao decidir condenar o ex-deputado Chiquinho Brazão e seu irmão Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Rio de Janeiro), a 76 anos e 3 meses de prisão em fechado.
Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil, foi sentenciado a 18 anos de reclusão em regime fechado e 360 dias-multa no valor de um salário mínimo por obstrução de Justiça e corrupção.
A viúva de Marielle e vereadora do Rio, Mônica Benício (PSOL), disse que o STF quebrou "um punitivismo seletivo" com o julgamento. "Para alguns, a impressão era que jamais ia chegar, enquanto para outros a condenação pela cor, pela pobreza, pelo gênero é sempre o caminho destinado àqueles que achavam que era o da Marielle, que era o descarte", afirmou.
"Justiça por Marielle não é um slogan, é uma tarefa de vida, é a luta pela construção de uma sociedade onde Marielles e Andersons possam viver, florescer e jamais serem assassinados", completou.
Além de Anielle e de Mônica, estiveram presentes a mãe e o pai de Marielle, Marinete Silva, e Antônio Franciso, a filha da vereadora assassinada, Luyara, e a viúva do motorista Anderson Gomes, Ágatha Arnaus Reis. Ele morreu durante o atentado.
Eles se sentaram na primeira fileira do plenário e, em determinados momentos, conversavam entre si e, por meio de abraços e apertos de mãos, prestavam apoio quando um deles se abalava pelo o que era dito no julgamento. Anielle, Luyara e Ágatha seguraram um terço durante o julgamento.
Do lado dos réus, também esteve na Primeira Turma nos dois dias de julgamento o deputado estadual do Rio Pedro Brazão (União Brasil), irmão de Chiquinho e de Domingos. Ele não deu declarações à imprensa.
Os parentes das vítimas se emocionaram durante a leitura dos votos dos ministros, em especial de Cármen Lúcia. As viúvas de Marielle e de Anderson choraram. Ágatha Reis se emocionou quando a magistrada mencionou seu filho, Arthur, que tinha um ano quando o pai foi assassinado.
Cármen Lúcia falou mais de uma vez diretamente com a mãe de Marielle, além de ter destacado que pesou no crime o fato de a vítima ser uma mulher negra. No momento desta declaração, Anielle assentiu com a cabeça, concordando com a ministra.
"Nós, mulheres, mesmo eu, branca e juíza, somos mais ponto de referência do que sujeito de direitos. Somos muito parecida com seres humanos, mas não temos a integridade ainda de um reconhecimento pleno. Matar uma de nós é muito mais fácil. E, dona Marinete, não ache que é só sua filha. Estou falando, como minha mãe poderia dizer. É mais fácil me matar do que matar um dos outros três aqui [Zanin, Dino e Moraes]", disse Cármen Lúcia.
Por volta das 10h, quando o relator do caso, Moraes, descrevia a participação dos irmãos Brazão e de Rivaldo Barbosa no crime ao ler seu voto, Marinete precisou ser atendida por socorristas, que aferiram sua pressão e mediram seus batimentos. Ela ficou cerca de 30 minutos fora da sala.
Luyara Franco também deixou o plenário da turma onde ocorria o julgamento após um mal-estar, por cerca de 40 minutos. Chorando, a jovem foi levada de cadeira de rodas para fora da sala.
Já o pai da vereadora assassinada pediu para que os socorristas aferissem sua pressão depois que Dino encerrou a sessão. Ele foi atendido em uma sala atrás do plenário e preferiu não se alongar ao dar uma declaração à imprensa. "Tive um pico de pressão, foi a 18/9. Não estou me sentindo bem, então não vou falar", disse.
PSOL COBRA PUNIÇÃO A MILICIANOS NO RIO
Políticos do Rio também marcaram presença no STF. Foram à corte nesta quarta o ex-deputado e presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), e os deputados federais Chico Alencar (PSOL), Talíria Petrone (PSOL), Tarcísio Motta (PSOL) e Jandira Feghali (PC do B).
Freixo, que era amigo e foi chefe de Marielle quando ela atuou como sua assessora, compareceu aos dois dias do julgamento. O ex-deputado manteve uma postura reservada, apesar de ter sido citado diversas vezes durante o julgamento. Os ministros lembraram que ele era um dos alvos estudados por milicianos.
A defesa de Chiquinho Brazão também afirmou que o ex-deputado teve votos em Rio das Pedras para rebater a acusação de que o acusado de mandar matar Marielle seria chefe de uma milícia na zona oeste do Rio, como entenderam a PGR (Procuradoria-Geral da República) e os ministros do STF. Freixo demonstrou irritação com o argumento ao acenar, repetidamente, com a cabeça em negação.
Ao fim do julgamento, Tarcísio Motta anunciou que o partido pediu ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) que todos os casos que foram arquivados por Rivaldo Barbosa à frente da Polícia Civil do Rio sejam reabertos e investigados.
"É preciso seguir enfrentando o crime organizado no Rio de Janeiro e isso passa hoje, nesse dia, pelo levantamento e desarquivamento de todos os casos de Rivaldo e a investigação, novamente, especialmente dos casos que envolvem milícias", disse.
Talíria Petrone, que também era amiga de Marielle, afirmou que o partido continuará enfrentando a milícia no Rio e em outros estados. "Isso é um recado para que a forma como o Rio é governado, em que crime e política se associam de uma maneira inaceitável, ela não será mais tolerada", disse a deputada, que chorou depois do fim da sessão.
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No logical inconsistencies, contradictions, or unsupported causal claims detected in the article's reporting.
Core Claims & Their Sources
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"The Brazilian Supreme Court (STF) convicted the perpetrators behind the assassination of councilwoman Marielle Franco."
Source: Reported court ruling and direct quotes from justices and court observers. Primary
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"Family members and allies of Marielle Franco celebrated the ruling as a step towards justice."
Source: Direct quotes from Anielle Franco (sister), Mônica Benício (widow), and other politicians present. Primary
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"The crime was motivated by political, gender, and racial violence."
Source: Attributed to statements by Minister Cármen Lúcia and family members. Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (5)
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P1
"Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, and Flávio Dino unanimously convicted Chiquinho Brazão and Domingos Brazão to 76 years and 3 mo..."
Factual -
P2
"Rivaldo Barbosa was sentenced to 18 years in prison for obstruction of justice and corruption."
Factual -
P3
"The sentencing occurred on Wednesday, February 25, 2026."
Factual -
P4
"The ruling sends a message causes to those who treated Marielle Franco as disposable."
Causal -
P5
"Facing organized crime in Rio causes requires reopening cases archived by Rivaldo Barbosa."
Causal
Claim Relationships Graph
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=== Propositions === P1 [factual]: Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, and Flávio Dino unanimously convicted Chiquinho Brazão and Domingos Brazão to 76 years and 3 months in prison. P2 [factual]: Rivaldo Barbosa was sentenced to 18 years in prison for obstruction of justice and corruption. P3 [factual]: The sentencing occurred on Wednesday, February 25, 2026. P4 [causal]: The ruling sends a message causes to those who treated Marielle Franco as disposable. P5 [causal]: Facing organized crime in Rio causes requires reopening cases archived by Rivaldo Barbosa. === Causal Graph === the ruling sends a message -> to those who treated marielle franco as disposable facing organized crime in rio -> requires reopening cases archived by rivaldo barbosa
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.