STF condena réus pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes
STF condena réus pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes
Por JB JURÍDICO [email protected]
Publicado em 25/02/2026 às 14:57
Alterado em 25/02/2026 às 19:30
Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), João Francisco ("Chiquinho") Brazão, ex-deputado federal, e Ronald Paulo Alves Pereira por planejarem o homicídio da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, em março de 2018.
O colegiado também condenou os irmãos Brazão e Robson Calixto, conhecido como Peixe, por integrarem organização criminosa armada. Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado por obstrução da Justiça e corrupção passiva.
O ministro Cristiano Zanin, a ministra Cármen Lúcia e o presidente da Turma, ministro Flávio Dino, seguiram o voto do relator da Ação Penal (AP) 2434, ministro Alexandre de Moraes.
Irmãos Brazão: 76 anos de prisão
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) definiu as penas dos cinco réus acusados de planejar o homicídio da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, e da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves,?em?março de 2018, no Rio de Janeiro (RJ). As penas variam de 9 a 76 anos de reclusão.
O julgamento, iniciado na terça-feira (24), foi concluído nesta quarta (25), com a condenação de todos os réus por unanimidade. Domingos e Francisco Brazão foram condenados por organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado. Ronald Paulo Alves foi condenado por dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado. Robson Fonseca foi condenado por integrar organização criminosa armada.
Já para Rivaldo Barbosa, o colegiado reenquadrou a acusação de homicídio para os crimes de obstrução à justiça e corrupção passiva, por não haver provas de sua participação direta nos assassinatos.
Além das penas privativas de liberdade, o colegiado estabeleceu indenização de R$ 7 milhões para reparação de danos morais causados às famílias das vítimas.
Confira as penas para cada réu:
Domingos Brazão (conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro)
76 anos e três meses de reclusão (regime inicial fechado) e 200 dias-multa (cada dia-multa no valor de dois salários-mínimos à época dos fatos).
Chiquinho Brazão (ex-deputado federal)
76 anos e três meses de reclusão (regime inicial fechado) e 200 dias-multa (cada dia-multa no valor de dois salários-mínimos à época dos fatos).
Ronald Paulo de Alves (ex-policial militar)
56 anos de reclusão (regime inicial fechado).
Rivaldo Barbosa (delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro)
18 anos de reclusão (regime inicial fechado) e 360 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário-mínimo à época dos fatos).
Robson Calixto Fonseca (ex-assessor do TCE)
9 anos de reclusão (regime inicial fechado) e 200 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário-mínimo à época dos fatos).
Perda do cargo Como efeito da condenação, e de acordo com a jurisprudência do STF, foi decretada a perda do cargo público de Domingos Brazão, Robson Calixto Fonseca, Rivaldo Barbosa e Ronald Paulo de Alves.
Inelegibilidade Outro efeito da condenação é a suspensão dos direitos políticos de todos os réus desde a publicação da ata do julgamento até oito anos depois do cumprimento da pena.?
Prisão preventiva Uma vez condenados, o relator manteve a prisão preventiva de todos os réus para garantia da ordem pública, até o trânsito em julgado da condenação.
Conclusão do julgamento Após o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, os demais integrantes da Primeira Turma apresentaram seus votos. Confira:
Ministro Cristiano Zanin
O ministro destacou a necessidade de lembrar e de punir os responsáveis por crimes que envolvem grandes violações de direitos humanos, uma vez que a impunidade significa a manutenção de estruturas de poder "que se sentem autorizadas a eliminar opositores políticos".
Zanin destacou o fato de o STF estar julgando um caso típico do Tribunal do Júri, deslocado para a Corte por prerrogativa de foro de um dos réus. Segundo ele, o acervo de provas dos autos revela "um quadro estarrecedor" de captura do Estado por uma rede criminal complexa, com profunda penetração nos poderes públicos nas esferas municipal e estadual.
Essa organização, de acordo com o ministro, "controla a exploração imobiliária, as atividades de segurança, o fornecimento de serviços básicos e o direcionamento de votos sob a mira de fuzis". Nesse contexto, a família Brazão dominava territorial e politicamente suas áreas e tinha por objetivo tirar Marielle do caminho.
Ministra Cármen Lúcia
A ministra disse que esse julgamento lhe faz muito mal, "pela impotência do Direito diante da vida dilacerada", e manifestou sua empatia com as mães e famílias das vítimas. "A justiça humana não é capaz de apaziguar essa dor", afirmou. A ministra destacou o caráter misógino do crime e a necessidade de punição de seus autores. "Quantas Marielles o Brasil permitirá que sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de justiça nesta pátria de tantas indignidades?", questionou.
Cármen Lúcia também citou a soberba das organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro e apontou a quantidade de provas existentes nos autos da participação dos réus no crime e da estrutura dessas organizações.
Ao acompanhar o relator quanto a Rivaldo Barbosa, a ministra observou que não há prova definitiva para condená-lo por participação nos homicídios consumados e tentado. Segundo ela, a questão da corrupção nas instituições públicas, especialmente as de segurança, acabam minando a confiança na Justiça e no Estado Democrático.
Ministro Flávio Dino
O presidente da Primeira Turma iniciou seu voto com observações sobre o instituto da colaboração premiada e a dificuldade de julgar ações penais, que, por seu caráter humano, envolvem pessoas, fatos e consequências profundas.
Dino afirmou que as colaborações dos executores do crime, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, convergem entre si e são corroboradas pelas provas e pelos testemunhos anexados ao processo. Segundo o ministro, Élcio descreve a mecânica do dia do assassinato da vereadora, enquanto Ronnie Lessa, "por estar um degrau acima na cadeia de mando, faz uma narrativa um pouco mais ampla".
Para Flávio Dino, o caso Marielle foi um crime "pessimamente investigado, e de forma dolosa", referindo-se à atuação do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, acusado de usar o cargo para atrapalhar e desviar o foco das investigações e de receber propina por isso. (com informações da assessoria de comunicação do STF)
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"Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Domingos Brazão"
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Named source"(com informações da assessoria de comunicação do STF)"
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Tertiary source"Segundo o ministro, Élcio descreve a mecânica do dia do assassinato da vereadora"
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"O colegiado também condenou os irmãos Brazão e Robson Calixto, conhecido como Peixe, por integrarem organização criminosa armada."
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One sided"por não haver provas de sua participação direta nos assassinatos."
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"planejarem o homicídio da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, em março de 2018."
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"Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou"
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Author attribution"Publicado em 25/02/2026 às 14:57"
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Quote attribution"(com informações da assessoria de comunicação do STF)"
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Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; article presents coherent narrative.
Core Claims & Their Sources
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"The Supreme Court convicted five defendants for planning the murder of Marielle Franco and Anderson Gomes"
Source: Official court ruling reported by STF communications office Primary
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"The Brazão brothers received 76-year prison sentences"
Source: Court sentencing details Primary
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"The case involved state capture by criminal organizations"
Source: Judge Cristiano Zanin's statements Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (6)
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P1
"Domingos Brazão was a counselor at the Rio de Janeiro Court of Accounts"
Factual -
P2
"The trial concluded on February 25, 2026"
Factual -
P3
"R$7 million in moral damages was awarded to victims' families"
Factual -
P4
"All defendants lost their public positions due to conviction"
Factual -
P5
"Rivaldo Barbosa was convicted of obstruction of justice because causes there was no proof of direct participation in murders"
Causal -
P6
"The Brazão family wanted Marielle out of the way because causes she was an obstacle to their territorial and political control"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Domingos Brazão was a counselor at the Rio de Janeiro Court of Accounts P2 [factual]: The trial concluded on February 25, 2026 P3 [factual]: R$7 million in moral damages was awarded to victims' families P4 [factual]: All defendants lost their public positions due to conviction P5 [causal]: Rivaldo Barbosa was convicted of obstruction of justice because causes there was no proof of direct participation in murders P6 [causal]: The Brazão family wanted Marielle out of the way because causes she was an obstacle to their territorial and political control === Causal Graph === rivaldo barbosa was convicted of obstruction of justice because -> there was no proof of direct participation in murders the brazão family wanted marielle out of the way because -> she was an obstacle to their territorial and political control
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.