Nova tentativa do governo de tributar papéis isentos preocupa mercado
Nas últimas semanas, voltaram a circular comentários nos mercados sobre a retomada de planos do governo para tributar as aplicações isentas voltadas para o setor imobiliário e do agronegócio. A proposta seria aplicar o Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF, sobre os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), do Agronegócio (CRA) e sobre as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA).
Consultado, o Ministério da Fazenda informou que não vai comentar o assunto, o que deixa margem para a possibilidade de os estudos estarem sendo feitos.
O governo já está debatendo projetos e medidas alternativas à Medida Provisória 1.303, que tributava diversos ativos financeiros isentos e acabou não passando pelo Congresso, afirma a Ghia Multi Family Office. Um projeto em destaque é o PL 5.369 de 22 de outubro de 2025. Nele, está previsto que os rendimentos e ganhos líquidos auferidos por aplicações em LCA e CRA ficariam sujeitos à incidência de imposto de renda na fonte de 15% no momento do resgate, amortização, alienação ou liquidação do título.
Viva do lucro de grandes empresas
O projeto previa a tributação a partir de janeiro deste ano, mas, como não foi aprovado, só passaria a valer no ano que vem pelo princípio da anterioridade. Não haveria, porém, esse problema com o IOF, que prevê apenas prazo de 90 dias entre a definição e sua cobrança.
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Retrocesso
A possível aplicação de IOF sobre LCI, LCA, CRI e CRA representa um retrocesso estratégico para o setor de construção civil, especialmente em um cenário de taxas de juros já elevadas, afirma Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).
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Diferentemente de outros instrumentos de captação bancária, o CRI, por exemplo, é um veículo de financiamento direto, cujos recursos são integralmente destinados à viabilização de empreendimentos e à geração de estoque habitacional, afirma o executivo.
"A introdução de uma nova carga tributária sobre esse papel cria o que classifico como a 'tempestade perfeita': um aumento no custo de capital que asfixia um dos setores que mais gera empregos no país, desestimulando novos lançamentos de imóveis e investimentos em infraestrutura urbana", diz.
Menos famílias comprando imóvel
Além do impacto macroeconômico, a taxação atinge severamente a ponta final da cadeia, que é o cidadão brasileiro, alerta França. "O encarecimento do crédito imobiliário via taxação nas LCIs traduz-se, inevitavelmente, na elevação do preço dos imóveis, o que reduz o poder de compra e incapacita milhares de famílias de adquirirem a casa própria", afirma. Segundo França, na prática, a aplicação de IOF impactaria sensivelmente a capacidade de famílias no país ao adquirir um imóvel, sobretudo a classe média.
O aumento da parcela derivado do encarecimento do custo de capital poderia retirar a capacidade de aquisição de imóveis de mais de 1 milhão de famílias, segundo estimativas da equipe da ABRAINC, em exercício de Affordability considerando cenários de taxação versus cenário atual de isenção. "Nossas projeções apontam para algo entre 9% e até 24% na queda de famílias aptas ao financiamento com o IOF", diz.
Para França, "é fundamental que o governo reconheça a especificidade desses títulos de crédito privado e mantenha as condições atuais de fomento, sob pena de aprofundar o déficit habitacional e a sustentabilidade de um pilar vital para o PIB brasileiro e para a geração de empregos no país".
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Insegurança jurídica
A volta da discussão sobre a tributação de papéis isentos demonstra dificuldade de o mercado prosseguir se expandindo em um ambiente de insegurança jurídica, afirma Carlos Ferrari, sócio do escritório NFA Advogados e especialista em mercado imobiliário.
Ele vê o governo tentando cobrir o déficit das contas públicas criando todo tipo de procedimento arrecadatório sem vínculo com uma necessidade específica e usando instrumentos nem sempre mais adequados, como no caso da criação de um IOF sobre as aplicações. "O IOF está vinculado ao controle de liquidez, de recursos, análise do investimento e não à arrecadação, é mais um imposto regulatório do que arrecadatório", afirma. Para ele, o governo não poderia ficar utilizando esse tipo de tributo para fazer esse tipo de política.
Falta de transparência
Ferrari critica também a forma como a criação de impostos é feita, sem transparência com a sociedade. "Se quer tributar, tudo bem, paciência, faz uma proposta, coloca em debate e permite que a sociedade se prepare para isso e não tenha um risco maior", diz levantando questões como se o novo imposto vai valer apenas para as novas operações ou também para as antigas. "A maneira como é colocado traz um agravamento da situação de insegurança e é muito ruim para negócios e para os papéis", afirma. "Você fica com horizonte de curto prazo para projetos, investimentos em uma indústria que é essencialmente de longo prazo, de capital intensivo, para desenvolvimento, construção, reforma, que cria muitos empregos e é importante para a economia e para a sociedade e pode contar pelo menos com uma fonte de capital mais barata para deixar as unidades imobiliárias, o apartamento ou a casa mais viável da população ter acesso a esses produtos", defende.
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Ele alerta também que, dado o tamanho dos mercados desses papéis, a tributação do IOF teria de ser muito alta para ter um efeito arrecadatório relevante para o governo. "O valor seria irrelevante diante do estrago que poderia causar no setor", afirma.
Custo maior, oferta menor
Um IOF sobre CRI e CRA afetaria a rentabilidade e tornaria esses papéis menos atrativos, apesar de continuarem com a isenção de imposto de renda, afirma Marcelo Michaluá, CEO da RB Asset.
Seria inevitável também que o IOF fosse estendido para as LCIs e LCAs, o que teria um impacto muito ruim pois aumentaria o custo do financiamento desses setores. "Espera-se dois efeitos se o governo tributar esses títulos, ter um volume menor de dinheiro disponível e um aumento do custo para o tomador, o que seria ruim para o país porque o setor imobiliário e o agronegócio são grandes motores da economia real brasileira e, por uma questão arrecadatória, o governo encareceria o financiamento alternativo que vem por meio desses papéis", afirma.
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Impacto no mercado de capitais
Ele vê com preocupação a questão de um novo imposto, se for criado, valer para aplicações antigas também. "Se for cobrado IOF sobre o estoque, seria muito ruim pois haveria uma pressão de desova dos portfólios investidos nesses papéis", diz. Michaluá lembra que esses investimentos foram criados justamente para canalizar recursos pelo mercado de capitais para esses setores importantes para a economia real, o que é mais saudável que o uso de recursos públicos, que já são escassos. "Tributar esses papéis é ruim para o mercado de capitais, que é a forma mais saudável de financiar esses setores", conclui.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Multiple named expert sources from relevant industries and associations, but no primary government sources on record.
Specific Findings from the Article (4)
"Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)"
Named industry association president provides expert perspective.
Named source"Carlos Ferrari, sócio do escritório NFA Advogados e especialista em mercado imobiliário"
Named legal expert with specific specialization.
Named source"Marcelo Michaluá, CEO da RB Asset"
Named financial executive provides market perspective.
Named source"afirma a Ghia Multi Family Office"
Organization cited without specific named individual.
Secondary sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Article presents only critical perspectives against the tax proposal without government or pro-taxation viewpoints.
Specific Findings from the Article (3)
" A possível aplicação de IOF sobre LCI, LCA, CRI e CRA representa um retrocesso estratégico para o set"
Only negative framing of tax proposal presented.
One sided" Ele vê o governo tentando cobrir o déficit das contas públicas criando todo tipo de procedimento arrecadatório sem víncul"
Critical perspective without balancing government rationale.
One sided"escassos. "Tributar esses papéis é ruim para o mercado de capitais,"
Unilateral conclusion against taxation.
One sidedContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides good background on specific financial instruments, legislative history, and economic impact projections.
Specific Findings from the Article (3)
"O governo já está debatendo projetos e medidas alternativas à Medida Provisória 1.303"
Provides legislative background and context.
Background""Nossas projeções apontam para algo entre 9% e até 24% na queda de famílias aptas "
Includes specific statistical projections.
Statistic"Nele, está previsto que os rendimentos e ganhos líquidos auferidos por aplicações em LCA e CRA ficariam sujeitos à incidência de imposto de renda na fonte de 15%"
Explains specific tax mechanism details.
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Mostly neutral reporting but includes some emotionally charged language from sources.
Specific Findings from the Article (3)
"Consultado, o Ministério da Fazenda informou que não vai comentar o assunto"
Neutral reporting of government response.
Neutral language" cria o que classifico como a 'tempestade perfeita': um aument"
Emotionally charged metaphor from source.
Sensationalist" que asfixia um dos setores que mais gera empregos no país, d"
Strong emotional language from source.
SensationalistTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Clear author attribution, date, and source attribution for all quotes, but no methodology disclosure.
Specific Findings from the Article (1)
"afirma Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc)"
Quotes clearly attributed to specific sources.
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; arguments flow coherently from evidence presented.
Core Claims & Their Sources
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"The government is considering taxing previously exempt real estate and agribusiness financial instruments (CRI, CRA, LCI, LCA)."
Source: Market commentary and Ghia Multi Family Office analysis Named secondary
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"Taxing these instruments would negatively impact the real estate sector, increase costs, and reduce housing affordability."
Source: Luiz França (Abrainc president) with statistical projections Named secondary
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"The tax proposal creates legal uncertainty and uses inappropriate regulatory instruments for revenue purposes."
Source: Carlos Ferrari (legal expert) Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (7)
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P1
"The government is debating alternatives to MP 1.303"
Factual -
P2
"PL 5.369 proposes 15% income tax on LCA and CRA gains"
Factual -
P3
"IOF requires only 90 days between definition and collection"
Factual -
P4
"CRI is a direct financing vehicle for real estate projects"
Factual -
P5
"Taxation causes increased capital costs → reduced housing affordability"
Causal -
P6
"Taxation causes reduced investment attractiveness → less capital available for sectors"
Causal -
P7
"Legal uncertainty causes short-term planning horizon → negative business impact"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: The government is debating alternatives to MP 1.303 P2 [factual]: PL 5.369 proposes 15% income tax on LCA and CRA gains P3 [factual]: IOF requires only 90 days between definition and collection P4 [factual]: CRI is a direct financing vehicle for real estate projects P5 [causal]: Taxation causes increased capital costs → reduced housing affordability P6 [causal]: Taxation causes reduced investment attractiveness → less capital available for sectors P7 [causal]: Legal uncertainty causes short-term planning horizon → negative business impact === Causal Graph === taxation -> increased capital costs reduced housing affordability, reduced investment attractiveness less capital available for sectors legal uncertainty -> shortterm planning horizon negative business impact
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.