GPA corre contra o tempo para honrar suas dívidas, sem 'bala de prata' à vista | InvestNews
Parte do passivo de R$ 450 milhões está praticamente resolvido: o prazo é próximo à data em que a companhia receberá o pagamento de R$ 260 milhões pela venda de sua participação na FIC, a parceria financeira que mantinha justamente com o maior banco do país. "A situação é apertada, mas não é crítica", defende uma pessoa familiarizada com o negócio ouvida pelo InvestNews.
Por outro lado, esse aperto financeiro é significativo a ponto de o documento com o resultado do quarto trimestre da companhia trazer o alerta de que há "incerteza relevante" capaz de levantar "dúvida significativa sobre a continuidade operacional". O GPA soma R$ 4 bilhões em dívida bruta, montante que equivale a quase três vezes seu valor de mercado, de R$ 1,5 bilhão.
O tamanho da crise se reflete no desempenho das ações do grupo na Bolsa. Na quarta-feira (25), sob impacto dos números do quarto trimestre, caíram -2,24%. O declínio não vem de agora: no acumulado deste ano, caem quase 23%.
Entre analistas e gestores, cresce a percepção de que a companhia precisa de uma injeção de capital para conseguir tirar a "corda do pescoço": algo entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões. Por essa razão, se acendeu o sinal amarelo para o risco de diluição dos acionistas.
No conselho de administração, um possível aporte não é consenso.
Atualmente, a família mineira Coelho Diniz aparece como maior acionista, com 24%. O investidor Silvio Tini, que também é acionista da Alpargatas, da Bombril e da Gerdau, chegou a 10% do capital. Outros 22% ainda estão com o francês Casino, que era controlador do negócio até 2024.
"A visão operacional está muito alinhada, mas a visão estratégica é diferente. Os Diniz e outros sócios têm visão de médio a longo prazo, enquanto o Casino quer sair do negócio", diz um executivo com conhecimento da empresa ouvido pelo InvestNews.
Um conta apertada
Para lidar com o complexo quadro de saúde financeira, o GPA tem realizado ajustes operacionais, mas que não têm sido suficientes – e é por essa razão que está em conversas com seus credores. Da dívida bruta de R$ 4 bilhões, quase metade (R$ 1,96 bilhão) tem vencimento já em 2026.
"A conversa com os credores está correndo normalmente para uma rolagem de dívida comum às empresas em um cenário de juros altos", diz a fonte. "Mas, claro, é uma discussão mais acirrada do que habitualmente."
Além do vencimento em maio, outros R$ 889 milhões referentes à emissão de uma debênture devem ser pagos em julho. Há ainda R$ 127 milhões que vencem em novembro, referentes a uma série da 20ª emissão de debêntures, e um empréstimo de R$ 508 milhões com o Rabobank com prazo em julho.
Há ainda um problema maior do que o endividamento. O GPA mantém R$ 17 bilhões em contingências tributárias e trabalhistas. Parte relevante é herança de um grupo muito maior que o GPA já foi no passado, com o atacarejo Assaí e o colombiano Éxito sob seu controle.
A saída dos dois negócios deixou o GPA como uma empresa mais fragilizada financeiramente e exposta, sem contar com a geração de caixa que tinha quando os passivos tiveram origem. No quarto trimestre, a empresa desembolsou quase R$ 550 milhões com questões tributárias e trabalhistas. Essas disputas exigem seguros garantia na esfera judicial e isso consome caixa e encarece o resultado financeiro.
Cortando na carne
Com o quinto maior faturamento entre os varejistas alimentares do país, o GPA vive uma crise que tem se arrastado desde 2022, quando começou a falar em reestruturação: vendeu a tradicional sede na avenida Brigadeiro Luís Antônio, nos Jardins, e se desfez da rede de postos de gasolina. Também vendeu lojas próprias para passar a alugá-las e fechou a operação do aplicativo de delivery James.
Mas nenhum desses passos foi suficiente para conter a queima de caixa em um cenário de juros a 15% ao ano e de oscilações no consumo. Em janeiro, com nova direção executiva e mudanças no quadro acionário – Tini chegou aos citados 10% no fim de 2025 –, a varejista anunciou os primeiros atos de seu novo plano de estruturação.
Contratou a consultoria Alvarez & Marsal para mapear soluções e anunciou o corte dos investimentos pela metade do que era praticado anualmente: o aporte em 2026 não vai passar de R$ 300 milhões. Os planos de expansão, por exemplo, ficaram no passado. A companhia chegou a planejar a abertura de 50 lojas no modelo de proximidade e 50 supermercados até 2026.
Em sua primeira teleconferência com analistas como CEO, Santoro afirmou que a direção da empresa está revisando todas as despesas relevantes do dia a dia, como, por exemplo, prestação de serviços, tecnologia e aluguéis. "Uma companhia com a operação, a marca e a posição de mercado que o GPA possui não pode permanecer anos sem gerar caixa."
Ele chegou egresso da IMC, companhia que opera as redes de restaurantes Viena, Frango Assado e Pizza Hut no Brasil e da qual também era o principal executivo. Substituiu Marcelo Pimentel, que renunciou ao cargo em outubro após embates no conselho.
Para reforçar o controle de gastos, Santoro afirmou que o GPA criou "um comitê específico para aprovação e priorização de despesas e investimentos" e que vem cancelando contratos que "não fazem sentido", além de reduzir ou mudar escopos para torná-los mais aderentes ao tamanho atual do negócio.
O CEO também disse que o foco é crescer com margem — e, por isso, a companhia decidiu descontinuar o Programa Aliados, um braço B2B que "trazia vendas", mas que não só não dava resultado na última linha como consumia a geração de caixa do restante da operação.
Santoro também deu um exemplo de medidas mais estruturais em curso: testes para reduzir o sortimento nas lojas de proximidade, com a ideia de simplificar a logística e melhorar a rentabilidade, já que esse formato tem um custo maior de abastecimento por exigir entregas mais frequentes e fracionadas.
É justamente nesse tipo de loja, batizadas de Minuto Pão de Açúcar ou Mini Extra, que estão as unidades mais deficitárias, cuja venda por metro quadrado está abaixo do que é considerado necessário. Segundo o CEO, em torno de 20% a 25% das lojas têm performance aquém do potencial.
O InvestNews apurou que a empresa já mapeou 10 lojas de proximidade a serem fechadas. O grupo encerrou o ano com 728 lojas em diferentes formatos, dois a mais do que um ano antes.
A direção da empresa falou em economizar R$ 416 milhões com os cortes de despesas. Uma pessoa ouvida pelo InvestNews diz que há outros 5% possíveis de serem capturados, o que representaria, no total, R$ 700 milhões ao caixa. "Com isso, a conta, mesmo sendo apertada, fecha."
Disputa acionária
Além de sua crise operacional e financeira, o GPA também passou por uma disputa acionária que respingou no dia a dia da operação ao se traduzir em mudanças nos rumos do negócio. O grupo chegou a contar com o empresário Nelson Tanure, o ex-CEO Roberto Iabrudi, o investidor Rafael Ferri e o controlador do atacarejo Roldão, Ricardo Roldão, como acionistas relevantes.
Em maio de 2025, a família Coelho Diniz, dona da rede de supermercados mineira de mesmo nome, começou a comprar ações do GPA, até chegarem à fatia atual de 24%.
Nesse intervalo, os planos operacionais também mudaram. Inicialmente, a empresa planejava abrir mais lojas do Pão de Açúcar com oferta de serviços de maior valor agregado, especialmente em São Paulo. Um novo conceito de loja chegou a ser lançado, bem como uma nova marca própria.
Quando o cenário financeiro se agravou, o conselho colocou no radar a venda de lojas no Nordeste e no Centro-Oeste. "Mas o processo de vendas de ativos non core foi interrompido. Muitas das vendas estavam engatilhadas, inclusive com bancos contratados. Sem isso, a situação se precipitou muito rápido", diz uma fonte com conhecimento das conversas.
Na teleconferência, Santoro e o diretor de relações com investidores, Rodrigo Manso, defenderam que a venda de lojas é "o último recurso".
A participação no programa de fidelidade Stix, criado em parceria com a RD Saúde, é uma opção de venda, segundo duas pessoas ouvidas pelo InvestNews, mas o valor do negócio é pequeno para o desafio. O GPA segue, portanto, sem uma "bala de prata".
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No logical inconsistencies detected; article presents a coherent narrative about GPA's financial challenges and responses.
Logic Issues Detected
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'gpa': $4 billion vs 728
"Heuristic: Values conflict between P1 and P3"
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Core Claims & Their Sources
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"GPA faces significant financial challenges with R$4 billion in debt and needs capital injection."
Source: Financial data from company documents and analysis from market sources Named secondary
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"New CEO Alexandre Santoro is implementing aggressive cost-cutting measures."
Source: Direct statements from CEO in teleconference and company announcements Primary
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"There is shareholder disagreement about the company's strategic direction."
Source: Anonymous executives familiar with the company Anonymous
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (8)
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P1
"GPA has R$4 billion in gross debt"
Factual In contradiction -
P2
"The company's market value is R$1.5 billion"
Factual In contradiction -
P3
"GPA ended the year with 728 stores"
Factual In contradiction -
P4
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Factual In contradiction -
P5
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Factual In contradiction -
P6
"High interest rates (15% per year) causes and consumption fluctuations contribute to cash burn"
Causal -
P7
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Causal -
P8
"Cost-cutting measures aim to save R$416 causes million and potentially R$700 million total"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (4)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: GPA has R$4 billion in gross debt P2 [factual]: The company's market value is R$1.5 billion P3 [factual]: GPA ended the year with 728 stores P4 [factual]: The company plans to cut investments to no more than R$300 million in 2026 P5 [factual]: GPA maintains R$17 billion in tax and labor contingencies P6 [causal]: High interest rates (15% per year) causes and consumption fluctuations contribute to cash burn P7 [causal]: Sale of Assaí and Éxito causes left GPA financially more fragile P8 [causal]: Cost-cutting measures aim to save R$416 causes million and potentially R$700 million total === Constraints === P1 contradicts P3 Note: Conflicting values for 'gpa': $4 billion vs 728 P1 contradicts P5 Note: Conflicting values for 'gpa': $4 billion vs $17 billion P2 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'the': $1.5 billion vs $300 million P3 contradicts P5 Note: Conflicting values for 'gpa': 728 vs $17 billion === Causal Graph === high interest rates 15 per year -> and consumption fluctuations contribute to cash burn sale of assaí and éxito -> left gpa financially more fragile costcutting measures aim to save r416 -> million and potentially r700 million total === Detected Contradictions === UNSAT: P1 AND P3 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P3 UNSAT: P1 AND P5 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P5 UNSAT: P2 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P4 UNSAT: P3 AND P5 Proof: Heuristic: Values conflict between P3 and P5