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Banco Master: delegado que atua nas investigações sobre Sergio Moro deixa caso após relatoria de André Mendonça - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Plinio Teodoro 2026-02-25 1293 words
CRIMES NA FARIA LIMA

Banco Master: delegado que atua nas investigações sobre Sergio Moro deixa caso após relatoria de André Mendonça

Responsável pelas investigações contra Moro na 13ª Vara, delegado Rafael Dantas apurava vazamento de informações no caso Master. Ele deixou o posto após André Mendonça, colega do ex-juiz no ex-governo Bolsonaro, assumir a relatoria.

Delegado Rafael Fernandes Souza Dantas deixou o Caso Master após André Mendonça assumir a relatoria no STF, investigando denúncias de Tony Garcia contra Sergio Moro.

Mendonça proibiu envio de informações do caso ao diretor-geral da PF e se reuniu com investigadores, abrindo caminho para afastar nomes ligados a Toffoli da apuração.

PF apreendeu na 13ª Vara Federal vídeo da "festa da cueca", apontado como prova de esquema de Moro para coagir magistrados, conforme denúncia de Tony Garcia.

Investigação sobre o caso Master apura também possível blindagem de ex-ministros do governo Bolsonaro ligados ao Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central.

Nomeado por Jair Bolsonaro (PL) para o "super" Ministério da Justiça em abril de 2020 após Sérgio Moro (União-PR) cair atirando, denunciando interferências do ex-presidente na Polícia Federal, André Mendonça está cruzando novamente os caminhos do ex-Juiz da Lava Jato na relatoria do Caso Master, que herdou após Dias Toffoli se afasta do caso.

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Nesta terça-feira (24), após proibir os agentes de en
viarem informações ao diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, sobre o caso, o ministro "terrivelmente evangélico" do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniu com o grupo de investigadores para passar orientações aos investigadores.

Embora a reunião tenha sido sigilosa, a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, obteve informações do encontro dizendo que Mendonça "abriu caminho para a PF retirar da órbita da apuração dois homens de confiança que Dias Toffoli havia colocado para atuar no inquérito".

Além do perito Lorenzo Victor Schrepel Delmutti, escalado por Toffoli para acompanhar a perícia no celular de Vorcaro, o delegado Rafael Fernandes Souza Dantas teria deixado o caso assim que Mendonça assumiu a relatoria, blindando, entre outras medidas, Vorcaro de prestar depoimento na CPMI do INSS e na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Em sua coluna, com informações vazadas sobre o caso, Malu Gaspar diz que o delegado "havia sido escolhido por Toffoli para apurar o vazamento das perguntas do depoimento de Vorcaro, ocorrido em 30 de dezembro do ano passado" e comete um ato falho.

"O pedido de apuração foi apresentado pela defesa do executivo depois que este blog revelou o teor dos questionamentos elaborados pelo gabinete do ministro", ou seja, o delegado investigava justamente a "fonte oculta" que vem vazando informações à jornalista.

Sem citar fontes, a colunista da Globo diz que "essa apuração ainda não chegou a ser realizada antes de o STF decidir pela redistribuição do caso Master para outro relator, há duas semanas", em relação ao pedido de investigação sobre os vazamentos.

Mendonça e Moro

Dantas, que teria deixado o caso quando Mendonça assumiu o caso Master, é o delegado responsável pelas investigações sobre as denúncias feitas pelo empresário e ex-deputado Tony Garcia contra a atuação de Moro frente à Lava Jato.

O delegado é quem conduziu a busca e apreensão na 13ª Vara da Justiça Federal, responsável pela Lava Jato, em Curitiba em dezembro do ano passado.

Durante a operação, determinada por Dias Toffoli, teria sido recolhidos computadores, anexos e mídias relacionadas às denúncias feitas por Garcia e também pelo advogado Rodrigo Tacla Duran.

Nenhum dado ou informação coletada pelos agentes, sob o comando de Dantas, foi vazado. A operação meticulosa da PF no caso, no entanto, teria provocado a ira de antigos aliados da Lava Jato na mídia liberal, que teriam iniciado uma campanha orquestrada contra o delegado, segundo informações obtidas pela Fórum.

Na Polícia Federal, o clima é de apreensão entre os investigadores, já que existe uma linha de comunicação entre Mendonça e seu antecessor no ministério da Justiça – que teria motivado o desligamento voluntário de Dantas do caso Master.

Na relatoria do caso Master, Mendonça pode blindar outros colegas de ministério no governo Jair Bolsonaro, como João Roma, Ronaldo Bento e Flávia (ex-Arruda) Perez, que ocuparam posição de destaque no Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central após manobra entre Augusto Lima e Daniel Vorcardo, sócios no Master, para herdar a parte saudável da instituição negociada com o Banco de Brasília.

Festa da Cueca

Durante a operação, a PF teria apreendido o vídeo da chamada "festa da cueca". A gravação, até então tratada como rumor ou peça desaparecida, estava guardada dentro da vara que foi comandada pelo ex-juiz durante os anos decisivos da Lava Jato.

O vídeo, que registra um encontro com desembargadores e garotas de programa em um hotel de luxo em Curitiba, é exatamente o material apontado por Tony Garcia como prova central de um esquema clandestino que teria sido operado por Moro para coagir magistrados e influenciar decisões do TRF-4.

Tony Garcia, empresário que atuou como delator, afirma que foi recrutado por Moro para agir como um "agente infiltrado". Sua função, segundo ele, era justamente obter informações e gravações comprometedoras — entre elas a da festa da cueca — a fim de fortalecer o poder informal do então juiz sobre desembargadores que julgavam processos sensíveis.

Bertholdo: gravações serviam para "proteger ou ameaçar"

O advogado Roberto Bertholdo, um dos alvos da Lava Jato e conhecedor dos bastidores da época, confirmou em entrevista ao Fórum Onze e Meia que as gravações existiam e circulavam entre pessoas próximas a Moro. Para ele, o material era utilizado estrategicamente para controlar decisões no TRF-4.

Bertholdo relatou que um desembargador presente na festa "chegou a julgar o processo do presidente Lula" e era próximo a Moro. E levantou a dúvida central sobre o uso que o ex-juiz fazia da gravação:

"Não sei se Sergio Moro usou isso para protegê-lo ou para ameaçá-lo, ou se ele [desembargador] se aproximou de Sergio Moro justamente para ele o proteger".

Segundo o advogado, até hoje há temor entre magistrados e procuradores sobre a possibilidade de o conteúdo vir à tona:

"Essas gravações de festas de fato existem. A gente não sabe onde está, mas expõem pessoas importantes do poder judiciário e TRF-4."

Provas contra Moro

A PF também recolheu documentos físicos anteriores à Lava Jato, incluindo material relacionado ao próprio Tony Garcia e ao doleiro Alberto Youssef. A descoberta ocorre depois de o CNJ ter apontado, em 2024, que Moro atuou em conjunto com Deltan Dallagnol e Gabriela Hardt para destinar R$ 2,5 bilhões a uma entidade privadarelatório que Moro classificou como "ficção".

A confirmação de que o vídeo da festa da cueca estava na 13ª Vara reforça a tese de que Sergio Moro operava não apenas como magistrado, mas como líder de um sistema de coleta e uso político de informações sensíveis. O fato de o material ter sido finalmente encontrado pela PF enfraquece a tentativa do ex-juiz de desqualificar as denúncias de Garcia, que sempre sustentou ter atuado como peça essencial de um mecanismo de chantagem judicial.

Com o vídeo agora em mãos das autoridades, o STF dispõe de novos elementos para investigar até que ponto Moro e sua força-tarefa utilizaram material íntimo para pressionar magistrados — um método que, segundo as denúncias, teria moldado decisões fundamentais e sustentado a ascensão da Lava Jato.

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