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Departamento de Justiça ocultou informações sobre Trump no caso Epstein, diz NPR

operamundi.uol.com.br By Tatiana Carlotti 2026-02-25 575 words
Departamento de Justiça ocultou informações sobre Trump no caso Epstein, diz NPR

Ao menos 53 páginas de entrevistas do FBI, incluindo acusações de abuso sexual de menor, foram suprimidas dos arquivos

A NPR revelou nesta terça-feira (24/02) que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos reteve uma série de documentos dos arquivos Epstein que comprometem o presidente norte-americano Donald Trump, incluindo alegações de abuso sexual contra menores.

Registros que poderiam implicar o atual presidente norte-americano também foram removidos do banco de dados público ou nunca chegaram a ser divulgados, aponta a reportagem, contabilizando mais de 50 páginas apagadas de entrevistas conduzidas pelo FBI. O Departamento de Justiça alega que os documentos podem ser confidenciais, duplicados ou vinculados a investigações federais em andamento.

Após a divulgação da reportagem, o deputado democrata Robert Garcia (Califórnia), à frente do Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados, anunciou uma investigação paralela sobre a supressão dos documentos. A alegação de abuso sexual contra Trump está sendo investigada pelos democratas.

"Ontem, revisei os registros de evidências não editados no Departamento de Justiça. Os democratas responsáveis pela supervisão podem confirmar que o Departamento de Justiça parece ter retido ilegalmente entrevistas do FBI com essa sobrevivente que acusou o presidente Trump de crimes hediondos", afirmou Garcia, nas redes sociais.

A Casa Branca reagiu às revelações afirmando que o presidente foi "totalmente exonerado" em relação a Epstein. Em nota enviada à NPR, a porta-voz Abigail Jackson declarou que o republicano teria feito mais pelas vítimas do que qualquer outra figura pública, citando a liberação de documentos e a assinatura da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.

Abuso sexual

Os registros ligados à mulher que acusou Trump de abuso sexual ao FBI apontam que o suposto crime ocorreu em 1983, quando ela tinha 13 anos de idade. A acusadora foi entrevistada quatro vezes pelo FBI, mas apenas a primeira entrevista, realizada em julho de 2019 e que não menciona Trump, aparece no acervo público.

Ela relatou ter sido apresentada a Trump por Epstein e que, na ocasião, ele "a forçou a abaixar a cabeça em direção ao seu pênis exposto, que ela mordeu em seguida". Segundo o relato, Trump a atingiu "na cabeça e a expulsou" do local.

Dos 15 documentos listados referentes à acusadora, apenas sete constam no banco de dados dos arquivos de Epstein. Entre os documentos faltantes estão anotações dos agentes que acompanharam três das entrevistas.

A reportagem também destaca outra menção a Trump, encontrada nos arquivos de Maxwell, relativa a seis entrevistas concedidas ao FBI, entre setembro de 2019 e setembro de 2021. Ao detalhar como os abusos de Epstein e Maxwell começaram, a vítima, também de 13 anos, menciona ter sido levada ao clube Mar-a-Lago de Trump.

Ao ser mostrada por Epstein a Trump, o financista teria dito: "essa é boa, hein?'". A acusadora afirma que ambos riram e que ela "se sentiu desconfortável, mas, na época, era muito jovem para entender o porquê". Segundo a reportagem, em outra entrevista, ainda offline, a mãe da vítima relatou ter ouvido da menina que "um príncipe e Donald Trump visitaram a casa de Epstein", o que a fez "pensar que, se eles estavam lá, como Epstein poderia ser um criminoso?"

A NPR menciona ainda uma circular do FBI relacionando Trump e Epstein, no final de julho e início de agosto de 2025. A lista incluía inúmeras alegações escabrosas e os agentes classificaram a maioria das acusações como não verificáveis ou não credíveis.

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