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Gilmar diz que autonomia financeira do Judiciário não é “balbúrdia”

gazetadopovo.com.br By Camila Abrão 2026-02-25 533 words
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou nesta quarta-feira (25) que o teto do
funcionalismo público, fixado em R$ 46,3 mil atualmente, virou o "piso" salarial diante dos inúmeros "penduricalhos" da magistratura.

A Corte começou a analisar as decisões do decano (ADI 6.606) e do ministro Flávio Dino (Rcl 88.319) que suspender
am o pagamento de verbas indenizatórias não previstas em lei.

"Autonomia financeira não havia sob o modelo anterior e havia uma dependência burocrática de todo o aparato do executivo para garantir a sobrevivência do Judiciário", disse Gilmar.

"Por isso se falava que havia a política do 'pires na mão'. Essa foi uma pensata original do texto de 1988. Mas autonomia financeira não significa balbúrdia, não significa soberania financeira", acrescentou.

Nesta segunda (23), o decano suspendeu os "penduricalhos" de membros do Poder Judiciário e do Ministério Público. Além disso, vinculou os subsídios de desembargadores e procuradores estaduais aos vencimentos dos ministros do STF e do procurador-geral da República.

Os ministros ouviram os representantes de entidades que ingressaram como amici curiae (amigos da corte) e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, neste primeiro dia de análise das liminares. O julgamento será retomado nesta quinta-feira (25).

Gonet pediu ao STF que não confirme as decisões de Dino e Gilmar, sob o argume
nto de que a discussão do caso extrapola os limites das ações que tramitam na Corte.

"Não se nega que a temática a que se atêm às liminares submetidas à avaliação do plenário seja de preeminente importância. O obstáculo que se opõe é apenas a sede em que esse tema está sendo examinado", disse.

Mês de "34 dias"

Durante a sessão, Gilmar contou sobre uma conversa com um integrante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que relatou a ele sobre a contabilização de licença, em um estado próximo ao Distrito Federal, que resultaria em um mês de "34 dias".

"Ainda hoje conversava com alguém do CNJ, qu
e me dizia que, em um estado aqui perto do DF, essa chamada licença compensatória, que já tem essa coisa difícil de [escala] 3x1, mas nesse estado se chegou a 34 dias no mês", disse.

Para o ministro, essa "criatividade" faria inveja ao pintor espanhol Pablo Picasso. "Como a gente ainda não inventou o mês de 34 dias, sabe Deus como isso se articula? É uma criatividade fazer inveja a [Pablo] Picasso", ironizou.

"Qual o t
eto vigora hoje no Brasil?", questiona Dino

O ministro Flávio Dino destacou que a decisão "visa a valorização do serviço público" e não tem a intenção de "colocar em xeque prerrogativas e direitos de nenhuma classe profissional". Ele ponderou que é preciso uniformizar o tema.

"Qual tet
o vigora hoje no Brasil? Ninguém sabe. Devem ter 2 mil tetos vigentes no Brasil, depende de cada órgão", disse Dino. Para o ministro, apenas o STF "e mais uma meia dúzia de órgãos" cumprem o teto do funcionalismo.

"Nos outros vigora o teto sujeito à discricionariedade vigente em cada órgão", acrescentou. No último dia 5, Dino deu prazo de 60 dias para que os Três Poderes revisem e suspendam "penduricalhos" ilegais. Na semana passada, ele também proibiu a publicação de atos ou novas leis para manter esses pagamentos.

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