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Clientes da Fictor organizam associação para cobrar R$ 4 bilhões em investimentos

estadao.com.br By Carlos Eduardo Valim 2026-02-06 424 words
Banco Master: entenda o que está em jogo na investigação

Crédito: Larissa Burchard e Beatriz Souza/Estadão

Um grupo de investidores individuais e empresas com recursos aportados no Grupo Fictor vai lançar na segunda-feira, 9, a Associação de Credores da Fictor Invest (ACFictor). A entidade busca organizar uma resposta coordenada na defesa dos direitos dos credores, que vão cobrar R$ 4 bilhões da empresa financeira. Também deve avaliar o processo de recuperação judicial solicitado pela Fictor.

Segundo nota enviada pela nova associação, o "escândalo financeiro" terá impacto social superior ao do relativo à liquidação do Banco Master. "A quebra da Fictor Invest lesou mais de 13 mil contribuintes, que não estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e podem perder mais dinheiro com a recuperação judicial solicitada pelos controladores da empresa."

Segundo a nota, o pedido de recuperação do grupo Fictor envolve ao menos 13.041 credores, "número que coloca o caso entre os mais complexos do mercado recente". Desse total, 11.549 são pessoas físicas, com créditos que somam cerca de R$ 2,54 bilhões.

Em entrevista ao Estadão, o advogado da Fictor que coordena o processo de RJ, Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, afirmou que o pedido de recuperação judicial feito no domingo, 1º, foi resultado de uma crise de liquidez que se iniciou após a empresa anunciar uma proposta de compra do Banco Master, em conjunto com fundos dos Emirados Árabes Unidos não identificados. No dia seguinte ao anúncio da oferta, em 18 de novembro, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Master, estendendo para a Fictor a crise de confiança na qual o banco já se encontrava.

Com isso, desde essa data, os clientes do grupo pediram a retirada de 70% dos recursos que estavam investidos. A Fictor captava recursos e montava Sociedades em Conta de Participação (SCP), estruturas de investimento que comprava ativos, como participação em empresas, e a crise de liquidez teria afetado os pagamentos de dividendos aos sócios desses arranjos.

O presidente da nova associação e credor, o advogado Otávio Barbuio, afirma que o encerramento unilateral das SCPs, montadas pela Fictor com a promessa de rentabilidade de até 2% por mês, causou a conversão forçada dos investidores em credores. "Na prática, isso reduziu drasticamente o poder de reação individual dos investidores e concentrou os conflitos dentro do ambiente da recuperação judicial", informou.

O presidente também defendeu que o caso levanta dúvidas relevantes sobre a estrutura societária, a dimensão real do passivo e o eventual uso abusivo da recuperação judicial como instrumento de blindagem patrimonial e diluição de responsabilidades.

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