DDGS mira China e pode destravar mercado de R$ 7,8 bilhões para o agro do Brasil
César H. S. Rezende
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h00.
As indústrias da soja, do milho e, mais recentemente, do sorgo tiveram, todas, um ponto de inflexão: adentrar o gigante mercado da China. Ao que tudo indica, o próximo produto a constar nessa restrita lista será o DDGS, ou os grãos secos de destilaria.
Em fevereiro, o Brasil embarca para o país asiático as primeiras toneladas do produto. Utilizado principalmente na nutrição animal, o DDGS é um coproduto da produção de etanol.
No processo de conversão do amido do milho em combustível, as partes restantes originam um farelo: o DDGS, ingrediente altamente nutritivo utilizado na alimentação de bovinos, suínos e aves.
E as expectativas do setor e do governo são altas, uma vez que a demanda de DDGS pela China é de 7 milhões de toneladas anuais — um mercado de pelo menos 7,8 bilhões de reais, considerando o preço médio de 1.120 reais por tonelada. É mais uma oportunidade no crescente setor de etanol de milho que, estima-se, movimentará 31 bilhões de reais em 2026.
Obviamente, essa demanda não será inteiramente preenchida pela produção nacional. Nem poderia: o país produzirá 4,8 milhões de toneladas de DDGS neste ano. Mas estimativas da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) para a EXAME mostram que as exportações do produto devem ser de 2 milhões de toneladas em 2026, o que representaria um aumento de 123% em relação a 2025.
É nessa projeção otimista que aposta a Inpasa, maior produtora de etanol de milho da América Latina. Além de criar um laboratório especializado na análise do coproduto do milho, a empresa investiu 5 milhões de reais na Fortipro, sua marca de DDGS. "Não tratamos o DDGS como um subproduto. Desde a concepção, trabalhamos para garantir que ele seja reconhecido pela sua alta qualidade e pelo valor que agrega à nutrição animal", afirma Gustavo Mariano, VP de trading da Inpasa.
A empresa já tem encomendas de 250.000 toneladas negociadas com a China, e espera ampliar esse dado para 1,5 milhão de toneladas de DDGS da empresa ainda em 2026. "Com o DDGS, a ideia não é apenas substituir o farelo de soja, mas oferecer um produto que combine as melhores características dos dois mundos — a proteína da soja e a energia do milho", diz Mariano.
Mas o crescimento também tem seu ônus e traz à tona desafios estruturais do Brasil, como a logística. Para Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), o país opera com duas safras principais do cereal: a primeira, de 26 milhões de toneladas, e a segunda, de 110 milhões.
Essa dinâmica exige capacidade de armazenagem para cobrir o intervalo entre os ciclos produtivos e garantir o fluxo contínuo de escoamento. A infraestrutura de armazenagem e transporte, ressalta, é fundamental para dar vazão ao produto. "Hoje, temos um déficit de 130 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem", afirma.
Apesar dos gargalos, o setor mantém o otimismo. A produção de DDGS no Brasil cresceu 269% desde 2020, e a projeção é de que o país alcance 4,8 milhões de toneladas em 2026 e até 6 milhões em 2030, segundo a União Nacional do Etanol de Milho (Unem). A entrada da China reforça essa perspectiva.
"A China é um gigante. Quando entra em um mercado, entra para ser o maior", diz Renato Zicardi, diretor de Trading Internacional da Inpasa. Para o Brasil, abre-se uma nova oportunidade de, pelo menos, 7,8 bilhões de reais.
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"César H. S. Rezende"
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Core Claims & Their Sources
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"Brazil's DDGS exports to China represent a major new market opportunity worth at least R$7.8 billion."
Source: Article's own reporting citing industry expectations and Unem data. Named secondary
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"Brazilian DDGS exports are projected to reach 2 million tons in 2026, a 123% increase from 2025."
Source: Estimates from União Nacional do Etanol de Milho (Unem). Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (8)
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P1
"DDGS is a co-product of ethanol production used in animal nutrition."
Factual -
P2
"Brazil will ship its first tons of DDGS to China in February."
Factual -
P3
"China's annual DDGS demand is 7 million tons."
Factual -
P4
"Brazil's DDGS production grew 269% since 2020."
Factual -
P5
"Brazil has a storage capacity deficit of 130 million tons."
Factual -
P6
"China's entry into the DDGS market causes reinforces optimistic growth perspective for Brazil"
Causal -
P7
"Two main corn harvests in Brazil causes requires storage capacity to cover intervals"
Causal -
P8
"Logistics infrastructure causes fundamental for product flow"
Causal
Claim Relationships Graph
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=== Propositions === P1 [factual]: DDGS is a co-product of ethanol production used in animal nutrition. P2 [factual]: Brazil will ship its first tons of DDGS to China in February. P3 [factual]: China's annual DDGS demand is 7 million tons. P4 [factual]: Brazil's DDGS production grew 269% since 2020. P5 [factual]: Brazil has a storage capacity deficit of 130 million tons. P6 [causal]: China's entry into the DDGS market causes reinforces optimistic growth perspective for Brazil P7 [causal]: Two main corn harvests in Brazil causes requires storage capacity to cover intervals P8 [causal]: Logistics infrastructure causes fundamental for product flow === Causal Graph === chinas entry into the ddgs market -> reinforces optimistic growth perspective for brazil two main corn harvests in brazil -> requires storage capacity to cover intervals logistics infrastructure -> fundamental for product flow
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.