Mercado fica alerta com possibilidade de chegada de EL NIÑO este ano
Mercado fica alerta com possibilidade de chegada de EL NIÑO este ano
Por ECONOMIA JB com Agência Estado- [email protected]
Publicado em 11/02/2026 às 06:19
Alterado em 11/02/2026 às 08:27
Por Luciana Collet - A possibilidade de transição do fenômeno La Niña, atualmente vigente, para o El Niño ao longo dos próximos meses deixa o setor elétrico brasileiro sob alerta, tendo em vista o impacto que pode gerar no balanço energético nacional e no custo da eletricidade no País. Após chuvas abaixo da média ao longo dos últimos meses e previsão de que as águas de fevereiro e março não serão suficientes para eliminar o déficit de precipitações acumulado de outubro até agora, a perspectiva de um fenômeno que tende a elevar as temperaturas e diminuir chuvas em áreas de reservatório aumenta a preocupação com os níveis de armazenamento nas hidrelétricas no final deste ano.
Atualmente, as instituições de acompanhamento climático já observam uma tendência de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), agência norte-americana conhecida por rastrear os fenômenos climáticos, segue apontando a presença do La Niña, que corresponde a uma anomalia negativa na temperatura oceânica, mas afirma que há 75% de chance de transição para a neutralidade até março. Meteorologistas aguardam o anúncio oficial possivelmente ainda este mês.
E as análises apontam tendência de transição, ainda dentro da neutralidade, para um El Niño fraco ainda no primeiro semestre. Ou seja, haveria uma temperatura acima da média na região central do Oceano Pacífico Equatorial, refletindo em alterações atmosféricas ao longo do segundo semestre.
"No Centro Europeu [de Previsões Meteorológicas], dos 51 cenários que eles rodam, 50 indicam que a gente entra no El Niño, de fraco a moderado, até junho e um cenário aponta julho; o modelo norte-americano indicou, em janeiro, todas as rodadas na neutralidade; e quando olhamos o multimodelo do IRI [International Research Institute for Climate and Society, ligado à Universidade de Columbia], que faz uma combinação de todos os institutos, ele coloca 60% de probabilidade de ter El Niño neste ano, o que é bastante alto", disse o CEO da consultoria Tempo OK, João Hackerott.
O El Niño traria como consequência aumento das chuvas no Sul e seca no Norte e Nordeste. Já a região central do País, onde se concentram os principais reservatórios hidrelétricos, há irregularidade das precipitações e risco de ondas de calor. Hackerott lembra que além do fenômeno, as chuvas no Sudeste sofrem a interferência do comportamento do Oceano Atlântico e outras oscilações. "Estamos preocupados, o sinal de atenção é realista porque pode ter atraso no período úmido se tiver entrada El Niño e Oceano Atlântico mais aquecido, como as projeções estão indicando", disse.
O sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, salienta a necessidade de acompanhar o período de transição para confirmar a tendência de configuração do fenômeno, mas considera haver "grande chance" de El Niño no segundo semestre, trazendo desafios adicionais para o sistema elétrico brasileiro.
Ele lembra que as chuvas dos últimos meses foram irregulares, não permitindo boa recuperação do armazenamento nas hidrelétricas até agora. "A gente entra agora no terço final do período úmido e não tem mágica, não tem chuva em abril ou maio capaz de recuperar 10% de reservatório, então de agora em diante vai continuar recuperando reservatório, mas não tanto quanto se tivesse chovido desde dezembro", disse, sugerindo que o volume armazenado tende a ser uma preocupação no fim do período seco, por volta de outubro.
Matheus Machado, especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, alerta que o El Niño e o consequente aumento das temperaturas para patamares mais elevados, possivelmente acima da média, pode impulsionar a carga para além do crescimento atualmente projetado para o ano, da ordem de 4,5%. "No global dos últimos 12 meses de temperatura, estamos passando por um período de anomalia negativa, mas quando vem uma onda de calor, a carga responde", disse.
Para ele, teremos um 2026 com diversas pressões de crescimento da demanda. Além do consumidor lidando com picos de calor que elevam o uso de refrigeração, ele cita as elevadas taxas de crescimento observadas no Norte e Nordeste, superiores a 7%. "Temos duas âncoras de carga mais alta que são mais imunes a temperatura, é importante porque só o Nordeste entregou um crescimento 1 gigawatt em janeiro, ou 8%, o que é muito elevado. E pode ter oscilações no Sudeste e Sul, mas comparando com 2025 temos uma carga mais firme", disse.
Já Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, cita que o aumento das temperaturas, associado com a possibilidade de reservatórios baixos gera alerta especialmente para 2027. De acordo com ele, o aumento das chuvas no Sul, com o El Niño, colaboraria no atendimento do aumento da demanda no Sudeste, mantendo os preços da energia sob controle por um tempo, mas não geraria grandes contribuições para a melhora do armazenamento.
A possibilidade de El Niño no segundo semestre deste ano, com seu efeito no aumento das temperaturas e redução das chuvas no Norte e Nordeste do País, reforça a perspectiva de acionamento de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano. Como mostrou a Broadcast, desde o fim do ano passado especialistas de mercado apontam para a perspectiva de mais meses de acionamento de bandeira vermelha em 2026, em relação a 2025, tendo em vista que as chuvas típicas dos meses de outubro a março vieram, até o momento, menos volumosas que a média histórica.
Atualmente está vigente a bandeira tarifária verde para o mês de fevereiro, sem cobrança adicional na conta de luz. O alívio é típico desta época do ano, quando as chuvas propiciam o enchimento dos reservatórios e, em decorrência, a metodologia da bandeira define que a cobrança adicional só é aplicada se o risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês) estiver muito alterado e o preço de referência para a energia de curto prazo (PLD) estiver extremamente elevado. O quadro muda a partir de abril, quando encerra o período úmido e o acionamento da bandeira pode ser determinado para patamares de déficit hidrológico e preço mais factíveis de serem alcançados.
Abril amareloEspecialistas apontam que a partir de abril a bandeira já poderia passar à coloração amarela, com custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts consumidos. O especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, Matheus Machado, não descarta o acionamento da bandeira amarela já em abril, cenário que, conforme destaca, ficará mais claro na segunda metade de fevereiro, com a realização das chuvas esperadas para os próximos dias e a atualização dos mapas para o próximo mês. "Mas passando fevereiro, já começa a ficar muito difícil que mude muito o viés", disse, referindo-se à perspectiva de armazenamento de água nas hidrelétricas e citando a tendência de preço de referência para a energia crescente no período seco.
Ele reforça a perspectiva de maior frequência de bandeiras vermelhas em 2026 – a vermelha Patamar 1 tem custo adicional de R$ 4,463 a cada 100 KWh consumidos, enquanto a de Patamar 2, de R$ 7,877 a cada 100 KWh. "A dúvida é a quantidade de meses de [bandeira tarifária] vermelha 2 e quando vai ser a primeira que pode ser amarela", disse.
A Ampere Consultoria prevê atualmente que a bandeira tarifária se mantenha verde até abril, uma visão melhor do que o projetado anteriormente em função da ligeira melhora nas previsões de chuvas para os últimos meses do período úmido. Mas o sócio consultor da empresa, Guilherme Ramalho de Oliveira, alerta que não dá para descartar completamente a possibilidade da cobrança adicional, já que cenários mais conservadores analisados pela consultoria ainda apontam a bandeira amarela no quarto mês deste ano.
Já o diretor de Comercialização da Armor Energia, Fred Menezes, prevê bandeira amarela em maio, escalando para a bandeira vermelha a partir de junho. "E a perspectiva é voltar a amarela somente em novembro ou dezembro", disse. Na avaliação dele, a potencial configuração de um El Niño pode a dificultar o retorno à bandeira verde nos últimos meses do ano.
O especialista de Estudos de Mercado da Envol, Vinícius David, também considera maior a chance de bandeira amarela a partir de maio, mas considera que a bandeira vermelha apenas em julho, com possibilidade de vermelha 2 ao longo do período seco, até setembro. A consultoria aponta perspectiva de bandeira amarela ou verde apenas nos últimos dois meses do ano.
David lembra que o El Niño não tem efeito direto previsível nas chuvas nas áreas de influência dos reservatórios das principais hidrelétricas do País. "Porém tem efeito secundário de temperaturas mais altas, que leva a carga mais alta, o que pode pressionar os preços pra cima", disse.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Multiple named expert sources with clear credentials, but no primary documents or direct official statements.
Specific Findings from the Article (5)
"João Hackerott"
CEO of Tempo OK consulting firm, quoted directly with meteorological analysis
Named source"Alexandre Nascimento"
Meteorologist and partner-director at Nottus, provides expert assessment
Named source"Matheus Machado"
Market intelligence specialist at Grupo Bolt, provides energy market analysis
Named source"Fred Menezes"
Commercialization director at Armor Energia, provides industry perspective
Named source"torial. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA,"
Cited as tracking climate phenomena but not directly quoted
Secondary sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
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Presents multiple expert views on timing and severity, but all within same general consensus about risks.
Specific Findings from the Article (3)
"A Ampere Consultoria prevê atualmente que a bandeira tarifária se mantenha verde até abril"
Shows different timing prediction from other experts
Balance indicator"Já o diretor de Comercialização da Armor Energia, Fred Menezes, prevê bandeira amarela em maio"
Presents alternative timeline for tariff flag changes
Balance indicator"reforça a perspectiva de acionamento de bandeiras tarifárias mais caras"
All experts agree on negative economic impact direction
One sidedContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
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Provides substantial background on climate patterns, energy system mechanics, and economic implications.
Specific Findings from the Article (4)
"Após chuvas abaixo da média ao longo dos últimos meses"
Provides historical context about recent rainfall patterns
Background"há 75% de chance de transição para a neutralidade até março"
Provides specific probability data from NOAA
Statistic"a bandeira já poderia passar à coloração amarela, com custo adicional de R$ 1,885"
Explains tariff system mechanics and specific costs
Context indicator"Atualmente está vigente a bandeira tarifária verde para o mês de fevereiro"
Provides current status context for readers
BackgroundLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
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Consistently factual and technical language without sensationalism or political bias.
Specific Findings from the Article (3)
"Mercado fica alerta com possibilidade de chegada de EL NIÑO este ano"
Headline uses factual, non-sensational language
Neutral language"Meteorologistas aguardam o anúncio oficial possivelmente ainda este mês"
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Neutral language"Especialistas apontam que a partir de abril a bandeira já poderia passar"
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Neutral languageTransparency
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"Por ECONOMIA JB com Agência Estado"
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Author attribution"Publicado em 11/02/2026 às 06:19"
Clear publication date and time
Date present"disse o CEO da consultoria Tempo OK, João Hackerott"
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Quote attribution"Alterado em 11/02/2026 às 08:27"
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Date presentLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; arguments flow logically from climate data to economic impacts.
Logic Issues Detected
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'red': 1 vs 2
"Heuristic: Values conflict between P4 and P5"
Core Claims & Their Sources
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"There is a high probability of transition from La Niña to El Niño in 2026"
Source: NOAA data cited with 75% probability, plus multiple meteorological experts Named secondary
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"El Niño would increase electricity prices through tariff flags"
Source: Multiple energy market experts from consulting firms and energy companies Named secondary
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"Current rainfall deficits have created energy storage concerns"
Source: Meteorological experts citing recent precipitation data Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (8)
-
P1
"NOAA reports 75% chance of transition to neutrality by March"
Factual -
P2
"Current tariff flag is green for February with no additional charge"
Factual -
P3
"Yellow flag costs R$1,885 per 100 kWh consumed"
Factual -
P4
"Red flag Patamar 1 costs R$4,463 per 100 kWh consumed"
Factual In contradiction -
P5
"Red flag Patamar 2 costs R$7,877 per 100 kWh consumed"
Factual In contradiction -
P6
"El Niño causes increased temperatures and reduced rainfall → lower hydroelectric reservoir levels → higher electricity prices"
Causal -
P7
"Higher temperatures causes increased cooling demand → higher electricity load → pressure on energy prices"
Causal -
P8
"Rainfall deficits causes reduced reservoir recovery → increased hydrological risk → activation of more expensive tariff flags"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (1)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: NOAA reports 75% chance of transition to neutrality by March P2 [factual]: Current tariff flag is green for February with no additional charge P3 [factual]: Yellow flag costs R$1,885 per 100 kWh consumed P4 [factual]: Red flag Patamar 1 costs R$4,463 per 100 kWh consumed P5 [factual]: Red flag Patamar 2 costs R$7,877 per 100 kWh consumed P6 [causal]: El Niño causes increased temperatures and reduced rainfall → lower hydroelectric reservoir levels → higher electricity prices P7 [causal]: Higher temperatures causes increased cooling demand → higher electricity load → pressure on energy prices P8 [causal]: Rainfall deficits causes reduced reservoir recovery → increased hydrological risk → activation of more expensive tariff flags === Constraints === P4 contradicts P5 Note: Conflicting values for 'red': 1 vs 2 === Causal Graph === el niño -> increased temperatures and reduced rainfall lower hydroelectric reservoir levels higher electricity prices higher temperatures -> increased cooling demand higher electricity load pressure on energy prices rainfall deficits -> reduced reservoir recovery increased hydrological risk activation of more expensive tariff flags === Detected Contradictions === UNSAT: P4 AND P5 Proof: Heuristic: Values conflict between P4 and P5