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PCC e grupo chinês lavam R$ 1,1 bi, diz polícia

ig.com.br By Pedro Emerenciano 2026-02-12 496 words
A Polícia Civil de São Paulo realizou nesta quinta-feira (12) a Operação Dark Trader, que resultou no bloqueio judicial de até R$ 1,1 bilhão ligados a um grupo empresarial apontado como de origem chinesa do setor de eletrônicos na capital paulista.

Os investigados têm indícios de ligação com organização criminosa chinesa e com integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC.

O valor corresponde ao montante que, segundo a investigação, foi movimentado em apenas sete meses por meio de um esquema para esconder a origem do dinheiro.

Na prática, o bloqueio, chamado tecnicamente de sequestro de bens, impede que os investigados vendam, transfiram ou utilizem o patrimônio até o fim do processo.

A medida foi autorizada pela Justiça após pedido do Ministério Público do Estado de São Paulo e contou com o apoio da Secretaria de Estado da Fazenda.

A força-tarefa mobilizou 143 agentes públicos para cumprir três mandados de prisão e 20 de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Santa Catarina.

Como funciona o esquema

De acordo com os investigadores, as vendas eram feitas por uma empresa formal, mas os pagamentos eram direcionados a companhias registradas em nome de terceiros, conhecidas como "empresas de fachada", negócios criados apenas para movimentar recursos, sem atividade real.

Essas empresas funcionavam como contas intermediárias para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Enquanto isso, as notas fiscais eram emitidas por outras pessoas jurídicas, incluindo a emissão de notas fiscais frias, documentos emitidos sem que a operação comercial tenha ocorrido de fato.

Isso criava uma diferença entre o faturamento real e o patrimônio oficialmente declarado.

Segundo a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, esse mecanismo permitiu ocultar receitas e reduzir a exposição ao Fisco.

O Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial informou que, entre os bens já identificados e bloqueados, estão ao menos R$ 25 milhões em imóveis de alto padrão, veículos e dezenas de contas bancárias registradas em nome de "laranjas", que são pessoas que emprestam o nome para esconder o verdadeiro dono do patrimônio.

Ao todo, 32 pessoas são investigadas, sendo 18 pessoas físicas e 14 pessoas jurídicas, além de 36 contas bancárias monitoradas e bloqueadas.

A investigação também aponta que alguns dos sócios formais teriam histórico criminal e ligação com facções, o que, segundo a polícia, ajudaria a afastar os verdadeiros beneficiários do esquema e dificultar a identificação dos responsáveis.

Segundo o Ministério Público, o líder da organização seria o responsável pelo envio de grandes valores às empresas fictícias, coordenando a emissão das notas fiscais frias e a redistribuição do dinheiro.

Contadores ligados ao grupo teriam atuado para formalizar os documentos e fragmentar os valores.

Há ainda uma coordenadora apontada como responsável pela articulação interna da organização, além de integrantes encarregados de simular operações comerciais em nome das empresas de fachada.

Os indícios de crimes fiscais identificados durante a apuração serão encaminhados aos órgãos responsáveis para abertura de procedimentos específicos. A investigação continua com a análise de documentos e movimentações financeiras.

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