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Ação da Meta contra golpes é só mais uma jogada de marketing

intercept.com.br By Pedro Telles 2026-03-13 397 words
Enquanto continua lucrando bilhões com anúncios de golpistas, a Meta quer passar a impressão de que está agindo para resolver os crimes digitais que acontecem dentro de suas plataformas. A empresa vive uma grave crise reputacional relacionada à sua permissividade com golpes. Como vem enfrentando crescentes pressões regulatórias, quer se apresentar como vítima e não cúmplice.

Não por acaso, no dia 27 de fevereiro, o LinkedIn amanheceu com uma onda de postagens autocongratulatórias de funcionários da Meta anunciando um "passo importante no combate a golpes digitais" que supostamente indica "o compromisso em proteger pessoas e empresas".

Diversas dessas postagens têm exatamente o mesmo texto, evidenciando um esforço coordenado pela liderança da big tech:

Esse esforço não se limitou às redes sociais. Houve também uma onda de notícias em veículos de comunicação, arquitetada pelo time de relações públicas da Meta, reproduzindo o discurso oficial da empresa. Folha de S.Paulo, G1, Veja, Carta Capital e Meio & Mensagem estão entre os veículos que ajudaram a fazer eco, entre outros.

Recentemente, foi revelado que cerca de 10% do faturamento global da Meta em 2024 veio justamente de propagandas falsas e golpes, o equivalente a 16 bilhões de dólares (R$ 83 bilhões). A empresa tem plena consciência disso: a descoberta se deu pelo vazamento de documentos internos, que também mostram que ela deixa o crime rolar mesmo depois de identificar suspeitos, e ignora a grande maioria das queixas de usuários.

Isso leva a graves consequências. No Brasil, diferentes pesquisas apontam que mais da metade da população foi vítima de golpes digitais em 2024, e que o problema vem crescendo de forma acelerada. Grande parte desses crimes ocorre por meio de propagandas fraudulentas em redes sociais, o que gera enormes ganhos financeiros à Meta e outras big techs.

Um subgrupo dessas propagandas fraudulentas, que tem chamado especial atenção recentemente, são aquelas que fazem uso indevido da imagem de pessoas famosas para a venda de produtos e serviços – frequentemente produzidas com ferramentas de inteligência artificial. São muitos os casos, envolvendo celebridades como Anitta, Neymar, Angélica, Gisele Bündchen e William Bonner.

Cansado de ver a Meta deixar golpistas usarem sua imagem apesar de diversas reclamações, o médico oncologista e escritor Drauzio Varella entrou na Justiça contra a empresa, aumentando significativamente seu risco jurídico e reputacional. Se Drauzio ganhar a ação, e outras celebridades decidirem fazer o mesmo, pode virar uma bola de neve.

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