Influenciador digital vira réu por fingir ser PM para dar golpe em vítima de violência doméstica - Marco Zero Conteúdo
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O influenciador digital pernambucano conhecido por Emerson Freitas, 26 anos, foi investigado por fingir ser policial militar para aplicar um golpe contra uma mulher vítima de violência doméstica e protegida por uma medida protetiva. Indiciado pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil de Pernambuco, teve suas conversas com a vítima gravadas pela mulher, o que foi fundamental para subsidiar a investigação e fazer com que a Justiça aceitasse a denúncia do Ministério Público estadual (MPPE). A Marco Zero teve acesso aos áudios.
De acordo com informações do processo judicial, que é público, na abordagem à vítima, Emerson teria se apresentado como "sargento Emerson, da Casa Civil e homem de confiança da governadora (Raquel Lyra) e da vice (Priscila Krause)", depois ele admitiu em depoimento que não tinha qualquer relação com as duas. Em outro momento, disse também que era o "caveira 015" do Bope, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado.
Inicialmente, a mulher pensou que poderia se tratar de um policial corrupto e passou a gravar os diálogos. Após uma pesquisa na internet, viu que – na verdade – o homem era um influenciador digital que mantinha um perfil nas redes sociais de estilo policialesco, à época com quase 80 mil seguidores.
O resultado da busca também mostrou uma matéria, publicada em um portal em outubro do ano anterior, que dizia no título: "Emerson Freitas, liderança na fiscalização da segurança pública, é um nome forte da direita para 2024 no Recife". A foto que acompanhava o texto era de Emerson ladeado pelos deputados Alberto Feitosa e Coronel Meira, ambos do PL.
A vítima, então, gravou a segunda investida do falso policial. Em seguida, procurou o GOE, apresentou os áudios e formalizou a denúncia. Isso aconteceu em maio de 2023.
Durante as diligências da Polícia Civil, uma busca autorizada judicialmente no endereço do então investigado, na zona norte do Recife, reuniu uma lista de itens apreendidos, como munições de uso restrito, um distintivo policial, um gorro da Polícia Militar, dois coldres e um par de algemas. Emerson não estava em casa no momento do cumprimento do mandado. Uma vizinha do influenciador digital foi convidada pela equipe do GOE a acompanhar as buscas e serviu de testemunha.
A investigação teve desdobramentos. Atualmente, Emerson Jhuan Pereira do Nascimento consta como réu. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Pernambuco contra ele por estelionato consumado, falsidade ideológica e uso de documento falso.
O influenciador digital apresenta-se nas redes como "repórter investigativo", mas ainda é estudante de Jornalismo em uma faculdade privada no Recife. Ele também responderá pelo crime previsto no artigo 12 do Estatuto do Desarmamento: possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização, no interior de sua residência.
A juíza titular da 17ª Vara Criminal da Capital, Ana Maria da Silva, determinou que Emerson fosse notificado da ação penal no dia 15 de dezembro passado. Quinze dias depois, o influenciador digital anunciou em vídeo que é pré-candidato a deputado estadual nas eleições deste ano.
Em abril de 2023, o 190 foi acionado para atender um chamado de possível descumprimento da Lei Maria da Penha em um endereço no centro do Recife. Ao local da ocorrência, na companhia de policiais militares fardados, chega um homem que vestia calça jeans, camisa preta, distintivo no pescoço e armamento na cintura à mostra. Identificou-se à mulher protegida por medida protetiva como "Sargento Emerson Freitas, da Casa Civil".
O depoimento da vítima foi corroborado pelo trabalho do GOE, com a anexação, inclusive, de imagens de câmeras de segurança que comprovam que o influenciador digital, com distintivo no pescoço, seguiu em viatura caracterizada da Polícia Militar do local da ocorrência à Delegacia da Mulher de Santo Amaro, área central do Recife, para onde a mulher e o ex-companheiro foram levados.
Lá, o delegado Marco Fidelis interpretou que não houve quebra da medida protetiva, determinou "outras providências" e o ex-marido foi liberado.
No dia seguinte, de acordo com informações reunidas no inquérito, o falso policial procurou a mulher e disse que havia descoberto um plano do ex-marido para matá-la. Na versão contada por Emerson, o ex-marido havia contratado um matador profissional por R$ 90 mil para a execução.
De acordo com o depoimento da vítima ao delegado Ivaldo Pereira Santiago, é a partir daí que tem início o processo de extorsão para que, em troca de vantagem pretendida, o falso policial sustasse o plano de encomenda da morte da mulher.
"O que a senhora pode fazer para ajudar a gente, pra gente continuar, pra gente lhe ajudar…", diz Emerson, em um trecho do diálogo que acabou gravado sem que ele soubesse.
"Eu estou fazendo um trabalho de intermediário, porque sei que ele (o ex-marido) está avançando… ele está com arma, é um cabrito, os meninos deram a ele". As gravações das duas conversas do falso policial com a vítima somam 37 minutos.
O influenciador já é formalmente réu, mas – até a publicação desta reportagem – não havia sido notificado pela Justiça estadual para tomar conhecimento formal da ação penal. Só quando isso ocorrer é que começam a contar os prazos do processo.
Por duas vezes, um representante da Justiça de Pernambuco foi ao endereço conhecido de Emerson, mas não conseguiu encontrá-lo.
Tanto no dia 19 de dezembro, uma sexta-feira, às 7h45, quanto no dia 10 de janeiro, um sábado, por volta das 16h, um oficial de justiça – sem sucesso – foi até o endereço informado como sendo o de Emerson Jhuan, em Casa Amarela, na zona norte do Recife. É o mesmo endereço onde a equipe do GOE cumpriu mandado de busca e apreensão.
Nas redes sociais, porém, Emerson segue ativo. Faz publicações cotidianamente em locais de ocorrência e entrada de delegacias.
Emerson esteve presente, por exemplo, na entrevista coletiva que o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, concedeu à imprensa no final de janeiro. Na ocasião, o auxiliar da governadora Raquel Lyra (PSD) apresentou justificativas para a divulgação pela TV Record de que uma equipe da Polícia Civil monitorava um secretário do prefeito do Recife, João Campos (PSB).
Na sede do GOE, acompanhado do advogado e diante do delegado Ivaldo Pereira, o influenciador digital admitiu tanto ter procurado a mulher no dia seguinte ao episódio na delegacia de Santo Amaro para falar do suposto plano de execução quanto ter lhe contado cinco mentiras, ao menos. Ele disse ainda que "não exigiu nenhum valor fixo" da vítima, mas admitiu que "pediu uma ajuda".
No processo, as páginas da transcrição do interrogatório confirmam que Emerson Jhuan "admite que criou uma história de que ela estaria em perigo de vida, mas tudo com o intuito de se aproximar sentimentalmente da mesma".
Algumas linhas abaixo, ele dá mais detalhes da narrativa que inventou: "…havia descoberto um plano do marido contra a vida dela e que gostaria de oferecer proteção a sua vida (…) queria que a vítima sempre solicitasse a sua presença física para fazer sua 'segurança', sempre com intuito de estar perto dela; que toda a história contada é inverídica".
Ele também confessou que, para impressionar o alvo, "mentiu quando falou que estaria de serviço" do trabalho como policial militar. Mentiu também quando falou que trabalhou por sete anos no Batalhão de Trânsito e quando disse que era "caveira".
Sobre as munições de uso restrito apreendidas em sua residência, Emerson disse que "acredita que esqueceu no bolso após ter frequentado algum stand de arma de fogo". Em relação aos demais itens policiais apreendidos, Emerson respondeu que havia comprado na "feira do troca" e que eles seriam para "gravar vídeos de personagens policiais".
Sobre o distintivo que aparece usando nas imagens de câmera de segurança anexadas ao inquérito, conforme atestou a vítima em depoimento, o influenciador digital disse que o achou descartado no lixo.
Emerson disse à polícia que não anda armado, mas que já teve um armamento de airsoft (umjogo onde os jogadores participam de simulações de operações policiais ou militares com armas de pressão que atiram projéteis plásticos). O influenciador digital também admitiu que não tem relação de confiança com a governadora, nem com a vice-governadora. Ao fim do depoimento, ele disse que está sofrendo perseguição política por causa do seu "trabalho investigativo".
Emerson Jhuan atendeu ao pedido da equipe de reportagem para se posicionar em relação à decisão da Justiça de levá-lo a julgamento. Ele confirmou a sequência de fatos verificados na investigação do GOE, mas diz que está de "cabeça erguida" porque se arrependeu do que fez.
Leia abaixo a íntegra da resposta enviada pelo influenciador digital:
"Agradeço contato e, sobretudo, pelo respeito ao direito à ampla resposta, princípio fundamental para o exercício responsável do jornalismo.
Sobre a conclusão do inquérito conduzido pelo Grupo de Operações Especiais (GOE) e seu desdobramento em ação penal, recebo com naturalidade e de cabeça erguida, ciente das minhas responsabilidades e preparado para assumir as consequências dos meus atos. Em nenhum momento neguei os fatos constantes nos autos, até porque houve, de minha parte, arrependimento sincero. Inclusive, já tive a oportunidade de pedir desculpas à vítima, o que fiz de forma direta e respeitosa.
Em relação às tentativas de notificação, esclareço que, embora eu não resida mais no endereço anteriormente informado, continuo tendo vínculo com o imóvel e recebo correspondências normalmente. Além disso, meu endereço atual e os contatos dos meus advogados estão devidamente disponibilizados à Justiça, e já fui intimado em outras ocasiões, tanto por meio eletrônico quanto presencialmente. Por isso, coloco-me, como sempre estive, à disposição para todos os esclarecimentos necessários.
Agradeço novamente pela oportunidade de me manifestar."
AUTORES
Inácio França
Jornalista e escritor. É o diretor de conteúdo da MZ.
Jorge Cavalcanti
Com 19 anos de atuação profissional, tem especial interesse na política e em narrativas de defesa e promoção dos direitos humanos e segurança cidadã.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Good use of primary sources from investigation documents and named officials, supplemented by direct response from the subject.
Specific Findings from the Article (5)
"A Marco Zero teve acesso aos áudios."
Direct access to evidence from the case.
Primary source"De acordo com informações do processo judicial, que é público"
Reference to public court documents.
Named source"conforme atestou a vítima em depoimento"
Direct reference to victim testimony.
Named source"o influenciador digital admitiu tanto ter procurado a mulher"
Reference to suspect's admission in police interrogation.
Named source"AUTORES Inácio França Jornalista e escritor. É o diretor de conteúdo da MZ. Jorge Cavalcanti Com 19 anos de atuação profissional"
Named authors with professional credentials.
Expert sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Article presents both investigation findings and subject's response, though primarily focused on prosecution perspective.
Specific Findings from the Article (3)
"Emerson Jhuan atendeu ao pedido da equipe de reportagem para se posicionar"
Article includes subject's direct response.
Balance indicator"Leia abaixo a íntegra da resposta enviada pelo influenciador digital"
Full response from subject included.
Balance indicator"ele disse que está sofrendo perseguição política por causa do seu "trabalho investigativo""
Includes subject's counterclaim.
Balance indicatorContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides substantial background, timeline, evidence details, and legal context.
Specific Findings from the Article (4)
"Isso aconteceu em maio de 2023."
Provides timeline of events.
Background"A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Pernambuco contra ele por estelionato consumado, falsidade ideológica e uso de documento falso."
Details legal charges.
Context indicator"Ele também responderá pelo crime previsto no artigo 12 do Estatuto do Desarmamento"
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Context indicator"As gravações das duas conversas do falso policial com a vítima somam 37 minutos."
Quantifies evidence.
StatisticLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Language is factual and neutral throughout, describing events without sensationalism.
Specific Findings from the Article (3)
"O influenciador digital pernambucano conhecido por Emerson Freitas, 26 anos, foi investigado"
Neutral factual description.
Neutral language"De acordo com informações do processo judicial"
Neutral attribution.
Neutral language"A vítima, então, gravou a segunda investida do falso policial."
Factual description without loaded terms.
Neutral languageTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
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Full author attribution, date, methodology disclosure, and clear quote attribution.
Specific Findings from the Article (3)
"AUTORES Inácio França Jornalista e escritor. É o diretor de conteúdo da MZ. Jorge Cavalcanti Com 19 anos de atuação profissional"
Full author attribution with credentials.
Author attribution"A Marco Zero teve acesso aos áudios."
Discloses source access.
Methodology""O que a senhora pode fazer para ajudar a gente, pra gente continuar, pra gente lhe ajudar…", diz Emerson"
Clear quote attribution.
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; narrative follows chronological order with consistent claims.
Core Claims & Their Sources
-
"Influencer pretended to be a police officer to scam a domestic violence victim."
Source: Court documents, audio recordings, police investigation Primary
-
"Subject admitted to creating false story about murder plot to get close to victim."
Source: Police interrogation transcript Primary
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"Subject is now formally charged and awaiting trial."
Source: Court records and judicial notification attempts Primary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (8)
-
P1
"Emerson Freitas was investigated for pretending to be a military police officer"
Factual -
P2
"The victim recorded 37 minutes of conversations with the fake officer"
Factual -
P3
"Police found restricted ammunition, police badge, PM cap, holsters and handcuffs at his address"
Factual -
P4
"He is charged with fraud, ideological falsehood, use of false documents, and illegal possession of firearms"
Factual -
P5
"He admitted to police that he created a false story about a murder plot"
Factual -
P6
"Because victim recorded conversations causes investigation was supported and court accepted charges"
Causal -
P7
"Because subject pretended to be police officer causes victim initially thought he might be corrupt officer"
Causal -
P8
"Because subject created false murder plot story causes he could extort victim for money/favors"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Emerson Freitas was investigated for pretending to be a military police officer P2 [factual]: The victim recorded 37 minutes of conversations with the fake officer P3 [factual]: Police found restricted ammunition, police badge, PM cap, holsters and handcuffs at his address P4 [factual]: He is charged with fraud, ideological falsehood, use of false documents, and illegal possession of firearms P5 [factual]: He admitted to police that he created a false story about a murder plot P6 [causal]: Because victim recorded conversations causes investigation was supported and court accepted charges P7 [causal]: Because subject pretended to be police officer causes victim initially thought he might be corrupt officer P8 [causal]: Because subject created false murder plot story causes he could extort victim for money/favors === Causal Graph === because victim recorded conversations -> investigation was supported and court accepted charges because subject pretended to be police officer -> victim initially thought he might be corrupt officer because subject created false murder plot story -> he could extort victim for moneyfavors
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.