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Flávio Gordon: 'É medo — e nada mais'

revistaoeste.com By Flávio Gordon 2026-03-14 606 words
Leio que, num ato da mais pura deslealdade, o SBT resolveu endossar a perseguição política movida pelo deputado Erika Hilton contra o apresentador Ratinho. "O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos valores e princípios da empresa" — declarou a emissora.

E por que o apresentador foi acusado por seus empregadores de cometer "discriminação" e "preconceito"? Primeiro, por não concordar com a nomeação de Erika Hilton para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. E, segundo, por justificar sua opinião pelo fato de que Erika Hilton não é uma mulher, mas sim uma "mulher trans" — ou seja, um homem que se identifica como mulher.

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Talvez o SBT não conheça bem o sentido dos termos que usou contra Ratinho. Quanto à "discriminação", é impossível repudiar "qualquer" de suas formas, uma vez que discriminar é sinônimo de classificar e organizar, duas atividades sem as quais a vida humana se torna simplesmente impensável. É preciso discriminar entre pessoas doentes e pessoas saudáveis, para admitir as primeiras num leito de hospital. É preciso discriminar entre pessoas habilitadas e não-habilitadas para admitir as primeiras na cabine de um avião de passageiros. Na praça, é preciso discriminar entre as pessoas com menos e as pessoas com mais de 4 anos para admitir as primeiras — e apenas elas — no balancinho.

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Ao estabelecer que a fala de Ratinho contrariou os seus valores e princípios, o próprio SBT, obviamente, praticou o ato de discriminar entre aquilo que é aceitável e aquilo que é inaceitável dentro da empresa. No SBT, há claramente uma discriminação contra pessoas que dizem a verdade, e o apresentador Ratinho foi discriminado precisamente por tê-lo feito. Então, não. O SBT não repudia "qualquer tipo de discriminação". Há, no mínimo, uma forma de discriminação que o SBT autoriza: a discriminação contra pessoas que de algum modo incomodem o lobby transgenderista.

Sobre o "preconceito" de Ratinho

Quanto ao "preconceito", ele não aparece em nenhum lugar da fala de Ratinho. Uma opinião pessoal sobre um fato público referente a uma decisão parlamentar não configura, obviamente, um pré-conceito. Afinal, o apresentador considerou o fato e reagiu após a sua ocorrência, não antes. Por outro lado, afirmar que um homem não é uma mulher — não obstante sua vontade de o ser — é evidentemente um conceito estabelecido, não um "preconceito". Foi simplesmente o que fez Ratinho.

Por trás do palavrório açucarado contra o "preconceito" e a "discriminação", de toda a ostentação corporativa de tolerância, o que motiva o SBT seja pura e simplesmente o pânico do assédio político-judicial movido por Erika Hilton

Por trás do palavrório açucarado contra o "preconceito" e a "discriminação", de toda a ostentação corporativa de tolerância, o que motiva o SBT seja pura e simplesmente o pânico do assédio político-judicial movido por Erika Hilton

Mas a postura do SBT é um sinal da covardia destes tempos, em que dizer as coisas como são torna-se um pecado mortal, e o pecador é linchado por todo um ambiente social cultor da mentira. Como eu demonstrei em coluna anterior, o Brasil hoje é visto por parte da imprensa internacional como um país que "criminaliza a dissidência em relação ao transgenderismo", um país no qual "impera a tirania trans". Daí que, por trás do palavrório açucarado contra o "preconceito" e a "discriminação", de toda a ostentação corporativa de tolerância, o que motiva o SBT seja pura e simplesmente o pânico do assédio político-judicial movido por Erika Hilton e demais radicais do movimento transativista. É medo, não força. É pusilanimidade, não tolerância.

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