Internet aproveita abundância de documentos do caso Epstein para acusar famosos de canibalismo
Mas vamos combinar: era de se esperar. São tantos documentos — cerca de 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e 180 mil imagens — sobre o empresário acusado de liderar uma rede de tráfico sexual que não é difícil acreditar em eventuais bizarrices que pipocam por aí.
Na última semana, começou a viralizar nas redes — tanto nos EUA quanto aqui no Brasil — a história de que os emails continham provas de que a apresentadora Ellen Degeneres e o ator Leonardo DiCaprio teriam praticado canibalismo em eventos promovidos pelo empresário.
Segundo as peças de desinformação, o nome dos artistas seria citado nos documentos junto com a alegação de que eles adorariam comer pizza — o que, segundo a teoria da conspiração, seria um código para "comer carne humana".
Os conspiracionistas provavelmente inventaram esse "código" com base no Pizzagate, uma história comprovadamente falsa de que a elite democrata americana usaria uma pizzaria em Washington como fachada para uma rede de tráfico humano, exploração sexual infantil e até canibalismo.
Assim como o Pizzagate, a história da pizza de Degeneres e DiCaprio também é falsa: em busca nos documentos do caso Epstein no site do Departamento de Justiça americano, não encontramos nenhuma citação semelhante.
O nome "Degeneres" aparece 17 vezes, mas nenhuma delas traz uma conversa direta entre a apresentadora e Epstein. A grande maioria dos casos são menções aleatórias a notícias ou tuítes que fazem referência a ela;
Algumas publicações dizem ainda que uma prova de que Degeneres teria envolvimento com atividades ilícitas seria a sua mudança dos EUA. Para os conspiracionistas, ela teria saído do país para fugir de uma eventual penalização pelas informações que seriam divulgadas nos documentos liberados;
O fato, no entanto, é que a apresentadora deixou os EUA no final de 2024, após a vitória de Donald Trump nas eleições;
Já o nome "DiCaprio" aparece 64 vezes na base de dados. Da mesma forma, no entanto, não há nenhum envolvimento claro do ator em atos criminosos;
Em um email enviado em 2016 para o médico indiano Deepak Chopra, por exemplo, Epstein pergunta se ele acha que DiCaprio se interessaria em jantar com "Woody" — uma provável menção ao diretor Woody Allen. Chopra responde, então, que iria perguntar "se ele está por aqui". Não há informações sobre a ocorrência desse jantar.
As acusações de canibalismo nasceram de uma conspiração criada por representantes da direita americana, como o apresentador Tucker Carlson, que têm dito que os emails teriam códigos secretos para se referir à pedofilia e ao canibalismo.
A organização de checagem americana Snopes, que investigou os documentos a fundo, afirma que, de fato, há acusações de canibalismo e sacrifícios ritualísticos, mas elas não são comprovadas.
As citações diretas a "canibalismo" e "canibal", por exemplo, aparecem em trechos e títulos de notícias, em um artigo acadêmico, um diálogo entre Epstein e outro homem (mas sem indicação de crime) e em um email recebido pelo empresário em que o remetente cita um restaurante chamado Cannibal — de fato, havia um estabelecimento com esse nome em Nova York.
Como não cair em desinformação sobre o caso Epstein
O caso Epstein é um ótimo motor de desinformação por conta da quantidade de documentos disponíveis: são muitos registros e ninguém vai se dar ao trabalho de ler milhões de páginas.
Caso você esteja desconfiando de algo que viu na internet sobre o caso, é possível adotar passos rápidos e simples para checar a veracidade da alegação:
É possível realizar buscas por termos e nomes no site do Departamento de Justiça americano;
Existem projetos de visualização das informações do caso, como o JMail — uma simulação da caixa de entrada de Epstein no Gmail — e arquivos no github que também permitem pesquisas;
Lembre-se que a citação ao nome de uma pessoa não necessariamente a envolve em algum crime. Centenas de pessoas são citadas nos documentos porque aparecem em notícias compartilhadas por Epstein ou recebidas via clipping. Também há o caso de azarados, como a apresentadora Luciana Gimenez, que tinha uma conta no mesmo banco que o empresário;
Por fim, sempre verifique se alguém já desmentiu a história ou se a pessoa citada comentou o caso.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Relies on document analysis and references to fact-checking organizations, but lacks direct primary sources or named experts.
Specific Findings from the Article (3)
"A organização de checagem americana Snopes, que investigou os documentos a fundo"
Cites a fact-checking organization as a source.
Tertiary source"em busca nos documentos do caso Epstein no site do Departamento de Justiça americano"
References official documents as a source.
Tertiary source"o apresentador Tucker Carlson"
Names a specific individual as a source of misinformation.
Named sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Acknowledges the misinformation perspective and presents counterarguments with evidence.
Specific Findings from the Article (3)
"As acusações de canibalismo nasceram de uma conspiração criada por representantes da direita americana"
Identifies the origin of the opposing viewpoint.
Balance indicator"O fato, no entanto, é que a apresentadora deixou os EUA no final de 2024"
Uses 'no entanto' to present a counter-fact.
Balance indicator"Assim como o Pizzagate, a história da pizza de Degeneres e DiCaprio também é falsa"
Explicitly labels the misinformation as false.
Balance indicatorContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides good context about the Epstein documents, historical parallels, and verification methods.
Specific Findings from the Article (3)
"São tantos documentos — cerca de 3 milhões de páginas, 2.000 vídeos e 180 mil imagens"
Provides quantitative background on the document volume.
Background"Os conspiracionistas provavelmente inventaram esse "código" com base no Pizzagate"
Explains the historical context of the conspiracy theory.
Background"Como não cair em desinformação sobre o caso Epstein"
Provides explanatory information for readers.
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Mostly neutral language with a few instances of loaded terms.
Specific Findings from the Article (3)
"Cerca de um mês depois da revelação de novos documentos"
Factual, neutral reporting.
Neutral language"em busca nos documentos do caso Epstein no site do Departamento de Justiça americano"
Neutral description of verification method.
Neutral language"a internet continua inventando mentiras"
Uses emotionally charged language ('inventando mentiras').
SensationalistTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Missing author attribution and date is future-dated, but includes some quote attribution.
Specific Findings from the Article (1)
"Chopra responde, então, que iria perguntar "se ele está por aqui"."
Attributes a quote to Deepak Chopra.
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; arguments are well-structured and evidence-based.
Logic Issues Detected
-
Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': 3 vs 17
"Heuristic: Values conflict between P1 and P2"
-
Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': 3 vs 64
"Heuristic: Values conflict between P1 and P3"
-
Contradiction (high)
Conflicting values for 'the': 17 vs 64
"Heuristic: Values conflict between P2 and P3"
Core Claims & Their Sources
-
"The internet is inventing lies about celebrities being cannibals based on Epstein documents."
Source: Article's own analysis of internet misinformation Unattributed
-
"The specific claims about Ellen Degeneres and Leonardo DiCaprio practicing cannibalism are false."
Source: Document search on the U.S. Department of Justice website and fact-check by Snopes Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (8)
-
P1
"The Epstein case involves about 3 million pages, 2,000 videos, and 180,000 images."
Factual In contradiction -
P2
"The name 'Degeneres' appears 17 times in the documents with no direct conversation with Epstein."
Factual In contradiction -
P3
"The name 'DiCaprio' appears 64 times in the documents with no clear involvement in criminal acts."
Factual In contradiction -
P4
"Ellen Degeneres left the U.S. in late 2024 after Donald Trump's election victory."
Factual -
P5
"Direct citations to 'cannibalism' appear in news articles, academic papers, and an email about a restaurant named Cannibal."
Factual -
P6
"The abundance of Epstein documents causes facilitates misinformation because no one will read millions of pages."
Causal -
P7
"Cannibalism accusations causes originated from a conspiracy created by right-wing American representatives like Tucker Carlson."
Causal -
P8
"Pizzagate false story causes likely inspired the invented 'code' about pizza meaning human flesh."
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (3)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: The Epstein case involves about 3 million pages, 2,000 videos, and 180,000 images. P2 [factual]: The name 'Degeneres' appears 17 times in the documents with no direct conversation with Epstein. P3 [factual]: The name 'DiCaprio' appears 64 times in the documents with no clear involvement in criminal acts. P4 [factual]: Ellen Degeneres left the U.S. in late 2024 after Donald Trump's election victory. P5 [factual]: Direct citations to 'cannibalism' appear in news articles, academic papers, and an email about a restaurant named Cannibal. P6 [causal]: The abundance of Epstein documents causes facilitates misinformation because no one will read millions of pages. P7 [causal]: Cannibalism accusations causes originated from a conspiracy created by right-wing American representatives like Tucker Carlson. P8 [causal]: Pizzagate false story causes likely inspired the invented 'code' about pizza meaning human flesh. === Constraints === P1 contradicts P2 Note: Conflicting values for 'the': 3 vs 17 P1 contradicts P3 Note: Conflicting values for 'the': 3 vs 64 P2 contradicts P3 Note: Conflicting values for 'the': 17 vs 64 === Causal Graph === the abundance of epstein documents -> facilitates misinformation because no one will read millions of pages cannibalism accusations -> originated from a conspiracy created by rightwing american representatives like tucker carlson pizzagate false story -> likely inspired the invented code about pizza meaning human flesh === Detected Contradictions === UNSAT: P1 AND P2 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P2 UNSAT: P1 AND P3 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P3 UNSAT: P2 AND P3 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P3