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Um guia para adiar o uso do primeiro celular para crianças - Nexo Jornal

nexojornal.com.br By Vanessa Fajardo 2026-03-14 504 words
Você já ouviu falar em "Dumbphones"? A ascensão dos aparelhos básicos no exterior — celulares com teclas, fio e sem conexão com a internet — tem ecoado no Brasil por meio de uma articulação coletiva entre as famílias. Em vez de focar apenas na restrição do tempo de uso, a estratégia prioriza a substituição do dispositivo. O uso do equipamento analógico estabelece uma fronteira física que protege a infância da exposição precoce aos algoritmos e redes sociais.

O resgate do botão e do fio: a barreira analógica contra os algoritmos

Depois de 15 anos sem telefone fixo, a casa da analista de marketing Gabrielle Monice, em Santo André, no ABC, voltou a ter um. A decisão foi tomada em conjunto com as famílias das amigas de sua filha, Fernanda, de 8 anos, que estão aderindo à ideia com o propósito de adiar ao máximo a entrega do primeiro smartphone às crianças.

O aparelho tem feito sucesso na casa. Assim que foi instalado, Fernanda já improvisou uma agenda telefônica escrevendo em uma folha de papel sulfite os contatos dos familiares e dos amigos, que também aderiram ao movimento analógico e já teve a experiência de telefonar para o número errado, por engano. "Ela ficou em pânico", conta a mãe.

"Ela liga para os avós, para os tios e as amigas também vão ter o telefone fixo para ter esse contato direto sem depender do celular e do WhatsApp dos pais. Ela achou demais a ideia, está super empolgada", diz Gabrielle.

A analista acredita que a retomada do telefone fixo à casa da família vai suprir a vontade da filha de telefonar para as amigas, permitindo que celular próprio chegue o "mais tarde possível." "Ela questiona quando vai ter o primeiro celular, mas explico que não há necessidade porque ela não sai sozinha. Gosto muito da comparação de que a internet é como Rua 25 de Março, um lugar lotado de desconhecidos. Não estou preparada para deixar minha filha sozinha na 25", reforça.

Como funciona na rotina?

A publicitária Carol Napolitano também decidiu não dar um smartphone ao filho de 11 anos e encontrou uma alternativa analógica. Como ela precisava manter contato com ele ao longo do dia por causa das atividades de rotina, no ano passado, comprou um celular antigo, sem acesso à internet, apenas para ligações e SMS.

Carol diz que o filho acha "um mico" ter um telefone desse tipo e embora falte algumas funcionalidades no aparelho, como despertador e calendário, tem atendido a necessidade de comunicação. "É um desafio a gente manter essa postura de não dar um smartphone às crianças. Até porque um celular comum é bem menos atrativo, mas é funcional."

A publicitária tem como aliados movimentos como o Desconecta, criado em 2024 por um grupo de famílias de uma escola particular de São Paulo que se propõe a adiar coletivamente a entrega do primeiro smartphone para as crianças até os 14 anos e o acesso a redes sociais até os 16. A iniciativa vai na contramão do cenário brasileiro.

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