PC Gusmão abre o jogo sobre Ceará, Vasco e Seleção
Rodeado de futebolistas na família, o destino de Paulo César Gusmão parecia, desde cedo, selado: a bola e o campo. No esporte, viveu absolutamente tudo. Vestiu a pesada camisa do Vasco da Gama na década de 1980 como jogador profissional, passou pela seleção brasileira como preparador de goleiros e viveu momentos marcantes como treinador — o maior, segundo ele mesmo, em 2009, pelo Ceará, clube que o fez refletir sobre até onde a paixão de uma torcida pode ir para apoiar um time.
E é ao relembrar de 2009 que os olhos de PC Gusmão brilham. A conexão do treinador com o clube foi algo imediato. Os enormes desafios que encontrou naquela temporada foram recompensados quando um mar preto e branco se formou no Aeroporto Pinto Martins, no desembarque do time após a conquista do acesso à elite nacional, dando fim a um jejum de 16 anos.
No Rio de Janeiro, PC Gusmão, ao lado de seu neto Cadu — torcedor mirim do Ceará —, concedeu entrevista, de forma remota, para O POVO. Na conversa, o ex-treinador relembrou a época como atleta, as parcerias com Romário e Roberto Dinamite, a relação com Vanderlei Luxemburgo e os bastidores das suas várias passagens pelo Ceará, entre 2009 e 2023.
E a história de PC com o Alvinegro de Porangabuçu começou, curiosamente, após uma ligação de Geraldo, então jogador do clube. No resgate das memórias, ele falou da saga pelo acesso e da união do time, explicou o "problema" com Sérgio Alves, falou da saída para o Vasco em 2010, quando o Vovô vivia fase mágica na Série A, e dos fracassos de 2022 e 2023, temporadas em que atuou como coordenador.
O POVO - Como foi sua infância no Rio de Janeiro e como começou sua relação com o futebol?
PC Gusmão - A minha família é toda de jogadores. Meus tios e meus primos, todos jogavam futebol no Flamengo, no Fluminense e no Botafogo. E a gente tinha um time da família. Então, geralmente, nos finais de semana, quando eles tinham folga nos clubes, todos iam para a minha cidade, Sepetiba, próximo de Angra dos Reis, que é litorânea.
Eles se reuniam lá e todo mundo jogava futebol. Então era algo normal eu seguir no futebol, já que estava naquele ambiente. Eu tive a oportunidade de começar a jogar futebol em um clube chamado Campo Grande, que era perto da minha casa.
Só que eu tive uma orientação completamente diferente do meu pai, em relação aos meus primos. O meu pai falava que não queria que eu seguisse uma carreira no futebol sem ter uma profissão, porque ele via, principalmente, alguns primos que já tinham parado de jogar ficarem sem ter uma função profissional para poder trabalhar e se sustentar. O futebol naquela época era mais de status, mas não tinha esse retorno financeiro de hoje em dia.
Então, a partir disso, comecei a jogar e a estudar também. Passei na faculdade de educação física, me profissionalizei no clube Campo Grande em 1982 e, em 1984, eu me formei em educação física. No Campo Grande, eu tive a primeira experiência profissional com o Vanderlei Luxemburgo como treinador. Foi o primeiro clube em que ele trabalhou como treinador.
O POVO - Um momento marcante da sua carreira como goleiro aconteceu no Vasco, durante a década de 80. Quais as suas lembranças de dividir vestiário com nomes como Roberto Dinamite?
PC Gusmão - Cheguei no Vasco em 1987. Eu joguei com o Dinamite tanto no Vasco quanto no Campo Grande, em 1991, já no final da carreira dele. O Vasco é o seguinte, cara. O Vasco é uma família. Um clube em que você se sentia parte. São Januário era o nosso reduto, né? Um bairro em que o clube era praticamente o quintal de três comunidades: da Barreira, do Tuiuti e da Mangueira. Então, assim, a gente tinha um contato muito grande com todos, até porque não existia um CT, não tinha uma estrutura de trabalho. Era tudo feito em São Januário.
Então ali você tinha, além de todas as categorias de base e do profissional, todos os departamentos funcionando. Além do contato com todos os departamentos, todos os diretores, você tinha contato com a torcida, que misturava o social e o desportivo.
O POVO - No Vasco, você dividia vestiário com o Romário. Como era a relação com ele?
PC Gusmão - A parceria de quarto com Romário quem montou foi o Paulo Angioni, que é o executivo do Fluminense hoje. Na época em que eu cheguei ao Vasco, eu já era formado em educação física e o Romário tinha passado na faculdade de educação física, na mesma faculdade em que eu tinha me formado. E aí o Paulo teve a ideia de me juntar com o Romário, até para eu poder ajudá-lo.
Na época, era difícil você ter atletas com formação de nível superior. Então, quando eu cheguei ao Vasco, o Paulo falou: "Pô, preciso que você ajude o Romário". O Romário era um garoto ainda. E ali surgiu uma amizade grande. Começamos juntos ali, depois trabalhamos juntos de novo no Flamengo, depois trabalhamos juntos no Vasco novamente, até na seleção brasileira.
O POVO - Você teve alguns jogos marcantes pelo Vasco, mas um se popularizou por conta de uma briga: a voadora que você deu no Alcindo, após um clássico contra o Flamengo. O que aconteceu naquele dia? Hoje vocês são amigos, né?
PC Gusmão - Quando a gente é jovem, não mensura e não imagina as consequências. Naquele jogo, era cada um defendendo o seu. Aconteceu uma confusão no campo e eu estava no banco de reservas. Quando eu chego no meio da confusão, o Alcindo dá um pisão no Romário, e eu imediatamente revido. Mas logo depois já bateu um arrependimento grande, principalmente quando eu vi a forma como ele saiu machucado.
Eu realmente não imaginava aquilo, mas naquela época, como eu era formado em lutas, porque eu fazia, além de futebol, eu fazia luta, fazia tudo quanto era tipo de luta, caratê, capoeira... era uma forma do meu pai me fazer gastar energia.
Ali eu fui de uma forma até inconsequente, poderia ter tido algo pior, de maior gravidade. Depois eu me desculpei com ele pessoalmente, pedi desculpa, porque realmente extravasou. Futebol a gente resolve ali, jogando. Brigar não está com nada. Minha filha e a filha do Alcindo fizeram faculdade juntas, de medicina, se formaram na mesma turma.
O POVO - Sua carreira profissional não foi tão longa, durou até 1991, ano em que sofreu uma grave lesão e resolveu parar de jogar. Foi difícil tomar aquela decisão?
PC Gusmão - Não foi. Eu já não estava mais no Vasco da Gama, meu vínculo tinha acabado. Eu tinha regressado ao clube em que comecei, o Campo Grande, para disputar uma competição, até porque eles estavam fazendo um investimento em 1991. Foi a melhor campanha que o clube fez. No time tinha eu, o Roberto Dinamite, o Cláudio Adão, o Elói.
Tínhamos um grupo mais experiente ali. O presidente tinha sido meu padrinho de casamento e ele queria fazer um time para marcar época. Então ele me convidou para voltar. Eu estava em um momento de transição de carreira, decidindo o que iria fazer. A lesão no ligamento cruzado (do joelho) só antecipou isso. E era uma lesão muito séria, porque no Brasil não se fazia aquela cirurgia.
O POVO - E como surgiu essa oportunidade para virar treinador de goleiros?
PC Gusmão - Eu iria seguir minha vida como professor do município, mas recebi um convite para ir para o Vasco da Gama e lá me chamaram para assumir como preparador de goleiro do time principal. Uniu-se o útil ao agradável, que era estar no Vasco, iniciar em uma função na qual eu tinha jogado e ter um trabalho profissional para exercer.
Naquela época, o que eu mais queria era chegar à seleção brasileira como treinador de goleiro. Então foi tudo bem planejado. Foi tudo de uma forma bem pé no chão, sem empolgar. Mesmo nessa trajetória de treinador de goleiro, eu tive um convite para assumir como treinador do Flamengo em 1995. E eu não quis. Na época, o Flamengo tinha o ataque dos sonhos, com Romário, Sávio e Edmundo. Eu tinha bem claro na minha cabeça que queria ser treinador de goleiro da seleção e mantive isso até conseguir.
O POVO - Pegando o gancho do Flamengo de 1995, é verdade que você descobriu que seria o "novo" treinador do Flamengo pela mídia, enquanto jantava?
PC Gusmão - O Kléber Leite, presidente do Flamengo em 1995, trouxe um marketing muito forte para dentro do Flamengo. Como ele era um cara da comunicação e o presidente, sabia muito bem a forma como o Flamengo funcionava. Então, vendo e analisando a situação, sabia que eu era um cara experiente, que já trabalhava no campo há muito tempo.
Quando houve a demissão do Edinho, o Kléber me convidou para assumir como técnico do Flamengo. Eu disse: "Não estou preparado e quero chegar à seleção como preparador de goleiros." Então ele me pediu que eu assumisse o clube enquanto ele arrumava um treinador. Nesse meio-tempo, aconteceu a chegada do Washington Rodrigues, o Apolinho.
Só que, quando ele anuncia a saída do Edinho, eu estava em um restaurante com a minha esposa e vejo a notícia pela TV de que eu era o novo treinador do Flamengo. O telefone não parou de tocar. Virar treinador do Flamengo acaba com a vida, sabe? Não existe meio termo no Flamengo, é 8 ou 80. É assim que funciona. Cada dia no Flamengo era uma história diferente. Todo dia tinha um fato novo ali que precisava ser administrado, e não eram situações de campo.
O POVO - Em 98 você alcança o seu sonho de atuar na seleção brasileira como preparador de goleiros, à época com o Vanderlei Luxemburgo no comando técnico. O que aconteceu para aquela comissão não completar o ciclo para a Copa do Mundo de 2002?
PC Gusmão - A gente não conseguiu chegar à Copa do Mundo em função da derrota na Olimpíada, mas principalmente por questões fora do campo. Eu acho que o que mais me atrapalhou ali foi fora do campo. O Vanderlei estava passando por acusações, enfrentou uma CPI. A gente ganhou a Copa América de 1999 invicto, depois ganhou o pré-olímpico de 2000 invicto.
Chegamos à Olimpíada sem o time perder. Na Eliminatória era só o Brasil e a Argentina. No momento em que deixamos a seleção, estávamos em segundo lugar, o que era normal, porque Brasil e Argentina toda hora trocavam de posição. Então acabou sendo muito por causa dos problemas pessoais do Vanderlei fora de campo, do que dentro.
Dentro a gente estava entregando. Tanto que a gente fez uma reformulação e o Felipão chega e pega praticamente uma equipe já montada. E aí consegue o título da Copa do Mundo. Mas a reformulação da seleção após 1998 fomos nós que fizemos.
O POVO - Em 2001, pelo Vasco, você tem, de fato, a sua primeira oportunidade como treinador, naquela ocasião inicialmente de forma interina. Depois você passa a atuar como auxiliar do Vanderlei Luxemburgo em clubes como Cruzeiro e Palmeiras. Ele foi sua principal referência na sua formação como técnico?
PC Gusmão - Eu tive várias experiências com outros treinadores, das quais a gente vai tirando um pouco no dia a dia dos clubes. Mas o Vanderlei, até pelo tempo que a gente ficou junto, com certeza é minha principal referência.
Era um cara que pensava muito à frente do tempo. Ele foi o primeiro a trazer a parte da psicologia para dentro do jogo. Hoje você vê que o jogo é dividido em quatro aspectos: físico, técnico, tático e psicológico. Ele já trazia isso aí lá atrás. Em 1997, ele começou a inserir psicólogos nos clubes e na seleção brasileira.
Ele era um cara visionário, que se antecipava. Começou a trabalhar com a imagem, trouxe muita tecnologia para dentro dos clubes. Diferenciado mesmo. Tanto que ganhamos praticamente tudo o que disputamos nos clubes. No Palmeiras, no Santos, no Corinthians, no Cruzeiro, e em todos os clubes por onde passamos, a gente ganhou.
O POVO - Após o período com o Luxemburgo e algumas experiências como treinador, você chega ao Ceará em 2009, e o Geraldo foi uma peça importante na sua vinda, né?
PC Gusmão - Eu tive uma passagem pelo Náutico em 2007. E o Geraldo foi um dos jogadores que, quando chegou, eu já não estava mais. Mas fui eu que aprovei a ida do Geraldo para o Náutico. Em 2009, eu tinha acabado de sair do Atlético-GO, enquanto o Zé Teodoro estava saindo do Ceará.
O Geraldo me liga e pergunta se eu conversaria com o Evandro Leitão (então presidente do Ceará, hoje prefeito de Fortaleza). Eu disse: "Claro, sem problema." Eu tinha visto um jogo do Ceará antes e gostei do time, sabe? Então eu e o Evandro começamos a negociar. Começamos as conversas em uma segunda-feira e fechamos na quinta. E ali começou a minha história no Ceará.
O POVO - Você teve uma experiência anterior treinando o Vasco, onde disputou uma partida contra o Ceará no Castelão. A lembrança daquele jogo também foi um fator relevante para despertar seu desejo de comandar o Vovô?
PC Gusmão - Acho que era um jogo da Copa do Brasil. Teve uma greve de ônibus na cidade e a torcida do Ceará lotou o Castelão. Sem transporte público. Os caras foram de Kombi, de caminhão, cheio pra caramba. Aquilo me chamou a atenção. Eu até falei no dia para o pessoal: "Cara, que time é esse? Que apelo é esse dessa torcida?"
O POVO - O que você encontrou no Ceará naquele ano? Era uma realidade bem diferente da atual.
PC Gusmão - Eu encontrei uma gestão em que as pessoas tinham uma baita vontade de querer crescer. Evandro Leitão, o André Figueiredo, o Gothardo, que era conselheiro e foi muito importante. Eles queriam crescer. Isso aí foi muito bom, porque eles me deram todas as condições.
Só que o campo é o que retroalimenta o processo, com o resultado, não tem jeito. E no início os resultados não vinham. Aí foi fundamental o Evandro. Ele viu no dia a dia um trabalho diferente e integrado. Eu montei todo um departamento de fisiologia que não tinha.
Organizei todo um departamento, levei um fisiologista, mostrei para o Evandro que não se trabalhava mais da forma como se estava trabalhando. Os jogadores tinham que trabalhar todos monitorados. Não dava mais; a gente tinha que cobrar profissionalismo dos caras.
Criei um regimento interno, com a implementação de alguns processos no clube, principalmente na área de alimentação. E, para isso, eu tive muita ajuda interna do pessoal. Eu tive um executivo de futebol que me ajudou bastante, além de um gerente, que foram o Jurandi Júnior e o Fred Gomes.
Além disso, havia um planejamento estratégico e também um planejamento financeiro. Naquela época, a realidade do Ceará era não conseguir cumprir todas as obrigações, não pagar em dia. Dentro de uma reunião na empresa do André Figueiredo, surgiu a ideia de criar um grupo de investimento.
Esse grupo faria aportes quando o clube realmente tivesse alguma dificuldade financeira. Não seria uma doação, porque o Ceará vivia muito de doações. A ideia era que fosse um investimento. Como eu já tinha trabalhado em alguns clubes onde existia esse tipo de modelo, como no Cruzeiro, por exemplo, que tinha investidores, eu fui mostrando para eles como funcionava a questão das cotas.
O POVO - O Ceará chegou a figurar na lanterna da Série B de 2009. Você se questionou?
PC Gusmão - Nós chegamos à lanterna do campeonato. Mas o time, o grupo era muito bom de trabalho. Os resultados começaram a aparecer depois de cinco jogos. O Geraldo era meu capitão, e depois trouxemos o Mota. Fizemos um esforço maior para trazê-lo.
Tinha o Fabrício, o Erivelton, o Anderson. No gol tínhamos o Adilson e depois chegou o Lopes. Boiadeiro, Arlindo, Fábio Vidal e Jorge Henrique. Montamos o trio de ferro com Michel, Heleno e João Marcos. O elenco ainda tinha Misael, Sérgio Alves, Wellington Amorim e Preto. Tivemos uma série de jogadores que foram muito importantes no acesso.
O POVO - O Sérgio Alves chegou a falar em entrevistas que teve problemas com você durante 2009, no Ceará. O que realmente aconteceu entre vocês?
PC Gusmão - O caso do Sérgio Alves foi assim. Para mim, era até uma questão de honestidade com o próprio grupo. Eu me perguntava qual era a minha condição de escalar uma equipe realmente competitiva. Como eu iria medir a intensidade do treinamento se não tivesse um departamento que me fornecesse dados diários?
Então eu levei material meu, se não me engano cerca de 30 fitas, e o Ceará contratou um fisiologista na época, o Lucas Oaks. A partir daí, os treinos passaram a ser estruturados de forma mais científica.
Como treinador, eu sempre respeitei muito a idolatria de um atleta, porque não é fácil alguém se tornar ídolo de um clube. Mas ser ídolo é uma coisa; ser competitivo é outra. A competição exige determinadas intensidades, não apenas aquilo que o jogador sabe fazer tecnicamente.
O Sérgio, por exemplo, era um artilheiro nato, aquele jogador que, dentro da área, tinha enorme facilidade para fazer gols. Só que, em nível competitivo, principalmente em uma Série B, a exigência física era muito grande.
Então, se eu o colocasse em igualdade física com os adversários, seria até uma deslealdade da minha parte com ele, porque ele estaria em desvantagem. Eu entendia que não seria leal colocá-lo apenas para agradar a torcida ou fazer média com ele. Por isso, sempre procurei utilizá-lo nos momentos em que eu tinha certeza de que ele poderia fazer a diferença, e ele fez.
Tudo o que eu tinha para falar, falava diretamente para os jogadores. Nenhum deles pode dizer que eu não falava. Ao mesmo tempo, nunca questionei a idolatria do Sérgio ou qualquer coisa desse tipo.
O POVO - O Ceará passou por diversos momentos naquela campanha de 2009, e até perdeu um jogo com gol de mão. Em que momento você sentiu que o time realmente estava pronto para o acesso?
PC Gusmão - Durante a competição, a gente passou praticamente por todas as posições da tabela. Chegamos a ser lanterna e depois fomos subindo, subindo, até chegar lá em cima. Não conseguimos terminar em primeiro porque o Vasco foi campeão, mas incomodamos bastante no segundo turno na disputa pelas primeiras posições.
Também tivemos alguns momentos complicados. Teve aquele gol de mão do Paraná no Castelão, que foi absurdo. Passamos por algumas situações adversas em que a gente até sentia que não queriam que o Ceará chegasse. Mesmo assim, chegou um momento em que entramos no G-4 e não saímos mais.
Dentro daquela Série B havia equipes de muita tradição no futebol brasileiro, principalmente clubes acostumados com a elite. Tinha Figueirense, Juventude, Vasco da Gama, entre outros. E o Ceará começou a incomodar esses times. O Fortaleza tinha mais tradição de Série A, enquanto o Ceará ainda não tinha esse histórico.
Eu lembro que, se não me engano, o jogo que consolidou nossa entrada no G-4 foi contra o América de Natal, lá em Natal (RN). A gente venceu por 5 a 1. Foi um jogo difícil e o placar não traduziu exatamente o que foi a partida, mas aproveitamos muito bem as oportunidades. Depois daquele jogo, eu até comentei com a minha esposa: "Agora é administrar bem esse segundo turno para a gente subir." E realmente fizemos um segundo turno em nível de campeão.
O POVO - O equilíbrio foi a fórmula do sucesso daquele time então?
PC Gusmão - A campanha acabou sendo muito baseada nisso. Foi uma campanha equilibrada e muito regular, principalmente porque o grupo era muito forte. Apesar daquela situação falada pelo Sérgio, havia uma lealdade muito grande entre todos nós. O grupo era muito unido, e isso facilitava muito o comando.
Os próprios jogadores sabiam se equilibrar. Existia uma cobrança natural entre eles. Quando alguém queria sair um pouco da linha, outro jogador já chamava a atenção. Tivemos muita felicidade na construção desse elenco. Os jogadores estavam sempre juntos. Faziam atividades em conjunto, churrascos com as famílias, encontros entre eles. Esse acabou sendo um dos pontos mais fortes do time: a união.
O POVO - Após o jogo contra a Ponte Preta, que culminou no acesso, a torcida do Ceará fez uma recepção histórica para vocês no aeroporto. Qual foi o sentimento daquele dia?
PC Gusmão - Depois do jogo do acesso contra a Ponte Preta, eu dei uma entrevista e falei que o lugar do torcedor do Ceará no dia seguinte, que seria um domingo, era no aeroporto, para receber aqueles jogadores.
Disse que aqueles garotos eram heróis por tudo o que tinham passado durante a competição. Eu até brinquei na entrevista e falei: "Hoje o céu do Ceará é preto e branco." E completei: "Então vamos invadir o aeroporto." Mas eu não tinha noção do que realmente ia acontecer.
Quando o avião começou a se aproximar, foi uma das maiores emoções da minha vida. A avenida do aeroporto estava completamente tomada de preto e branco, com bandeiras tremulando por todos os lados e o saguão lotado. A Polícia Federal chegou a avisar, ainda dentro do avião, que não poderíamos sair pelo saguão principal, porque estava cheio demais e eles não garantiam a segurança de ninguém.
Então levaram um carro do Corpo de Bombeiros até a pista para que a gente pudesse sair por ali. Mesmo assim, naquele trajeto curto do aeroporto até Porangabuçu, levamos quase três horas para chegar à sede do clube. Quando cheguei lá e subi no trio elétrico, olhei para a avenida João Pessoa e não dava para ver onde começava nem onde terminava a multidão, para um lado e para o outro. Aquilo foi, sem dúvida, a maior emoção da minha vida profissional como treinador.
Não foi um título, mas o acesso foi uma grande conquista, porque mudou o clube de patamar.
O POVO - Em 2010, você retorna ao Ceará após não renovar com o clube no final de 2009 e consegue emplacar uma campanha fantástica no início da Série A, dividindo a liderança com o Corinthians após sete jogos. Na pausa para a Copa do Mundo, chega uma proposta do Vasco, que estava na zona de rebaixamento. O que de fato pesou na sua decisão de deixar o Vovô naquele momento?
PC Gusmão - Naquele momento, pesou muito mais a questão familiar. Quando houve a parada para a Copa do Mundo, eu não tinha apenas a proposta do Vasco. Eu tinha uma proposta de um clube do Catar, além de convites de clubes como São Paulo e Cruzeiro. Enfim, eu tinha três propostas concretas para sair do Ceará.
Depois que paramos para a Copa e eu fui para casa, aconteceu a mudança no Vasco, quando o Celso Roth saiu e foi para o Internacional. Foi então que surgiu a proposta do Vasco. O Roberto Dinamite foi à minha casa, e aí não tem jeito. Eu estava longe de casa também.
Minha esposa estava longe das nossas filhas, que estavam em uma fase importante da vida, ainda na faculdade, em formação. Isso pesou muito. O lado familiar e afetivo falou mais alto, principalmente pela possibilidade de estar mais perto delas.
Minhas filhas choraram muito pedindo para que eu voltasse e ficasse mais próximo. Então ficou muito difícil recusar. Até porque, se você olhar o contexto da tabela naquele momento, o Ceará era vice-líder e o Vasco estava na vice-lanterna. Ou seja, era um risco enorme para a minha carreira, para tudo aquilo que eu tinha reconstruído.
O POVO - Antes da sua saída, o time do Ceará estava muito encaixado. Foi para a pausa da Copa do Mundo invicto.
PC Gusmão - Em sete jogos, a gente venceu cinco e empatou dois. Um deles foi contra o Santos, na Vila Belmiro, e foi uma das maiores injustiças que eu já vi. Era aquele time do Santos que encantava o mundo, com o Neymar e vários outros jogadores.
Nós abrimos o placar com o Washington e depois fizemos 2 a 0 com o Anderson. Só que marcaram um impedimento absurdo no gol do Anderson, quando ele não estava impedido. Depois deram um pênalti para o Santos já no final da partida, para o Neymar bater. Na verdade, foram dois pênaltis: ele perdeu um e marcou o outro.
Pelo que o time vinha apresentando, era para termos fechado aquele período com 100% de aproveitamento. O time estava muito encaixado e jogando muito bem.
O POVO - Existe alguma fórmula secreta para alcançar esse encaixe? O Ceará teve outras experiências na Série A, mas nunca conseguiu terminar no G-10, e é algo que sempre incomoda a torcida.
PC Gusmão - Hoje está mais difícil, principalmente por causa do investimento. Existe uma diferença muito grande nas cotas entre os clubes da Série A, e isso cria uma certa deslealdade quando chega a hora de montar os elencos.
Mesmo assim, ainda é possível equilibrar a competitividade se você tiver um grupo realmente comprometido, que cumpra todas as obrigações profissionais, no verdadeiro sentido da palavra, e que consiga manter uma boa harmonia no dia a dia, colocando o clube acima de interesses pessoais.
Hoje também existe um macroambiente muito mais complexo no futebol. O campo é apenas o microambiente. O macroambiente envolve tudo o que está ao redor do jogador: família, pai, mãe, irmãos, esposa ou namorada, empresário, enfim, todos os interesses que o cercam.
Muitas vezes, o treinador acaba tendo que administrar muito mais aquilo que está fora do campo do que o que acontece dentro dele. Isso ficou ainda mais difícil com as redes sociais. O jogador passa a ser seguido por torcedores, ganha engajamento, vira uma figura pública com grande exposição.
Ao mesmo tempo, existem outros interesses ao redor, como familiares e companheiras buscando visibilidade, tentando monetizar essa exposição. Tudo isso torna mais complicado formar um grupo realmente focado.
Além disso, com a presença cada vez maior de jogadores estrangeiros, entram também culturas diferentes dentro do elenco. Esses atletas chegam com outras referências e interesses, o que exige ainda mais capacidade de gestão para manter o equilíbrio competitivo dentro do grupo.
Por outro lado, quando o clube tem um planejamento estratégico claro, tanto esportivo quanto financeiro, e organiza bem seus departamentos, o processo fica mais saudável. Todos os setores precisam funcionar e ser cobrados por resultados: fisiologia, saúde e performance, nutrição, fisioterapia, entre outros. Cada área precisa entregar seu trabalho.
O POVO - Você chegou a treinar o Ceará em outras duas ocasiões depois de 2010, em 2012 e 2014, e retornou para o clube em 2022 para atuar em outra função, como coordenador técnico.
PC Gusmão - Quando eu voltei ao clube, já em uma outra função, como coordenador, a realidade que encontrei era diferente. O clube até tinha um planejamento financeiro, mas não tinha processos bem definidos. Era um clube sem processos estruturados.
A partir daí, comecei a cobrar mais organização e resultado de todos os departamentos. Só que a área de gestão e coordenação não é uma função simpática, porque envolve cobrar as pessoas e, naturalmente, ninguém gosta de ser cobrado.
No futebol, muitas vezes as pessoas gostam de opinar sobre o que acontece dentro de campo, dar sugestões para o treinador ou para o time. Mas, quando você começa a olhar para o trabalho delas e percebe que não estão entregando os resultados esperados, surge uma resistência.
Nesse momento, muitos acabam se protegendo. Outro ponto é que, em muitos clubes, existem profissionais que estão ali há muito tempo e fazem parte da comissão permanente. Isso torna mais difícil qualquer mudança, porque essas pessoas já têm vínculos fortes dentro do clube.
Muitas vezes, esse vínculo acaba se tornando mais de amizade do que propriamente profissional. E, quando a relação passa a ser baseada apenas na amizade, a cobrança diminui. Na minha visão, onde não existe cobrança, também não existe resultado.
O POVO - Em 2022, você chegou ao Ceará já no segundo semestre da temporada. Aquele foi um ano difícil para o clube, que foi rebaixado para a Série B em meio a diversas polêmicas, incluindo especulações sobre elenco rachado e sobre jogadores envolvidos em esquemas de apostas esportivas. O que você realmente encontrou naquele elenco?
PC Gusmão - Tem de tudo um pouco nessas situações. Muitas vezes, mesmo que algumas coisas não correspondam exatamente à realidade, quando as pessoas estão dentro do clube acabam criando interpretações. A afinidade, por exemplo, é algo natural, mas não pode ser levada para o campo profissional. Eu não posso exigir que todos os jogadores sejam amigos entre si. Assim, os grupos acabam se formando naturalmente dentro do elenco.
O problema é que, quando o resultado não vem, as pessoas começam a associar essas situações internas ao desempenho dentro de campo. Muitas vezes, o ambiente externo entra em ebulição, surgem notícias e especulações.
Foi mais ou menos esse cenário que encontrei quando cheguei: um grupo capaz, com bons jogadores, mas cujo desempenho não correspondia ao potencial que tinha. Nesse contexto, várias situações acabam sendo associadas ao momento do time, e às vezes uma inverdade acaba se transformando em verdade na percepção pública.
Depois, quando algumas situações vieram à tona, os jogadores envolvidos responderam por aquilo que fizeram e foram punidos. E isso não foi algo exclusivo do Ceará já que a maioria dos clubes também teve jogadores envolvidos em episódios semelhantes naquele período. (PC Gusmão se refere aos esquemas de manipulação de resultados conhecido como "Máfia das Apostas; 33 jogadores foram punidos, incluindo dois então no Ceará: o lateral Nino Paraíba, suspenso por dois anos, e o volante Richard, multado)
O POVO - O Ceará até começou bem a temporada de 2023, sendo competitivo nos clássicos contra o Fortaleza e conquistando o título da Copa do Nordeste. Mas, na Série B, desmoronou. O que aconteceu com aquele elenco?
PC Gusmão - O início até foi promissor, mas, com a sequência da temporada, o ambiente ficou muito turbulento. Acabou se perdendo o controle do grupo, principalmente no que diz respeito à gestão de comportamento e de conduta.
Em alguns momentos, a gestão precisa assumir a responsabilidade e tomar decisões mais firmes, inclusive com punições, sejam financeiras ou até mesmo com rompimentos. Mas, naquele período, a disciplina dentro do grupo acabou se perdendo. E, quando isso acontece, dificilmente o resultado vem.
Essas questões de indisciplina estavam muito mais ligadas ao comportamento. Também havia jogadores jovens, em processo de formação, que precisavam ser orientados e educados dentro do ambiente profissional. Era braço. E eu sou chato com isso. Como eu já tinha sido treinador, não admitia. E, já na função de gestão, eu via claramente que esse tipo de situação interferia diretamente no desempenho dentro de campo.
Depois disso, houve várias mudanças. Eu saí, o Juliano Camargo também foi demitido, o Albeci deixou o cargo, e o clube trocou diversos treinadores. Passaram por lá Morínigo, Barroca, Guto Ferreira e Mancini. Mesmo assim, os resultados não vieram. Nada acontece por acaso. A bola não entra por acaso.
O POVO - Nos anos subsequentes após você ter marcado seu nome na história do Ceará, chegou a receber algum convite para treinar o Fortaleza?
PC Gusmão - Eu fico muito feliz por ter ajudado o Ceará e também por ter conseguido manter essa fidelidade, sem confundir as coisas nem apagar uma história construída. Eu tive vários convites do Fortaleza para trabalhar lá, mas nunca aceitei e nem sequer cheguei a conversar sobre isso.
Para mim, é muito difícil construir uma história como a que fiz no Ceará e depois colocar tudo isso em jogo. Sempre respeitei muito o Fortaleza e nunca tive problema em falar isso publicamente. Sempre usei o nome do clube com respeito, reconhecendo que é uma equipe com grande potencial, como tem demonstrado, além de ter uma tradição muito forte.
O POVO - Existe uma diferença real entre treinar um clube do eixo Rio-São Paulo e um do Nordeste?
PC - Claro que existe. Em várias áreas, como captação de recursos e marketing, os clubes da região Sudeste acabam sendo muito mais privilegiados do que os clubes do Nordeste. Quando você vai buscar patrocínio, por exemplo, as oportunidades e os valores costumam ser muito maiores para os clubes do Sudeste. Agora, em termos de amor, participação e fidelidade, o Nordeste dá de mil no Sudeste.
O POVO - Você se sente reconhecido no futebol?
PC Gusmão - Às vezes é difícil até mensurar o grau de relevância do trabalho que a gente faz. Eu me sinto muito reconhecido pelos atletas pelo que construímos juntos ao longo da carreira. Esse reconhecimento aparece principalmente quando reencontro jogadores com quem trabalhei, muitos deles agora já em outra fase, indo para a área de formação ou iniciando a carreira como treinadores.
Hoje eu também dou aulas na CBF Academy, na formação de treinadores, e, quando escuto o que esses ex-atletas falam, muitas vezes volto no tempo e penso que aquela mensagem que a gente tentava passar realmente fez diferença para eles. Isso é muito gratificante.
Nas redes sociais também aparece esse reconhecimento. O Fred (Guedes, hoje no sub-20 do Fortaleza), por exemplo, fez uma postagem me marcando, falando sobre a referência que eu fui como treinador. Outros jogadores com quem trabalhei também demonstram esse carinho e respeito, como Fábio, Felipe Melo, Alex, entre vários outros.
Agora mesmo o Romário, que hoje está no América-RJ, veio me procurar para fazer uma proposta para assumir a gestão do clube. Esse tipo de situação mostra que existe um reconhecimento do trabalho.
Flamengo, Vasco, Botafogo ou Fluminense? Nenhum dos quatro. Cadu, neto de PC Gusmão e que o acompanhou na entrevista para as Páginas Azuis, diz que torce para o Ceará. "A gente até colocou nele uma camisa do Ceará que tem o nome 'Cadu' nas costas".
O jogador mais difícil e mais fácil que precisou lidar na carreira? Para PC Gusmão, a resposta é uma só: Romário. Em sua época de jogador, PC era o responsável por dividir o quarto com o Baixinho. Já como preparador de goleiros e treinador, trabalhou com o ex-atacante em clubes como Vasco e Flamengo.
Geraldo, ex-jogador do Ceará, foi quem ligou para PC Gusmão em 2009 para convidá-lo a ser treinador do clube.
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EpisódioMaia Júnior: O homem das obras no Ceará espera que Haddad não dê as costas para o Nordeste "como fez o antecessor"
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
The article is a direct, first-person interview with a primary source (PC Gusmão), providing extensive named and attributed quotes.
Specific Findings from the Article (3)
"PC Gusmão - A minha família é toda de jogadores."
Direct quote from the interview subject, a primary source.
Primary source"PC Gusmão - Cheguei no Vasco em 1987."
Interview subject is named and quoted extensively.
Named source"PC Gusmão - Eu tive várias experiências com outros treinadores, d"
Continued direct testimony from the primary source.
Primary sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
The article presents only the perspective of PC Gusmão without including counterpoints or alternative viewpoints on the events described.
Specific Findings from the Article (3)
". O Vasco é uma família. Um clube em que você se sentia parte. São Januário era o "
Presents a singular, positive personal perspective without contrasting views.
One sided"PC Gusmão - A parceria de quarto com Romário quem montou foi o Paulo Angioni, q"
Narrative is solely from Gusmão's point of view.
One sided". Eu acho que o que mais me atrapalhou ali foi fora do campo. O Vanderlei estava "
Analysis of events is presented as personal opinion without external verification or balance.
One sidedContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides good historical context, specific dates, career milestones, and personal background.
Specific Findings from the Article (3)
"Vindo de uma família de futebolistas, PC Gusmão iniciou sua trajetória no Campo Grande e consolidou-se como goleiro do Vasco da Gama na década de 1980"
Provides background on the subject's origins and early career.
Background"Após encerrar a carreira precocemente devido a uma lesão em 1991"
Provides specific temporal context for a career event.
Context indicator"O momento mais marcante de sua carreira foi o acesso à Série A com o Ceará em 2009, encerrando um jejum de 16 anos do clube"
Provides historical context (16-year drought) for a key event.
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Language is consistently neutral, descriptive, and factual, with no observed sensationalist or politically loaded terms.
Specific Findings from the Article (3)
"Rodeado de futebolistas na família, o destino de Paulo César Gusmão parecia, desde cedo, selado: a bola e o campo."
Descriptive, neutral language setting the scene.
Neutral language"No Rio de Janeiro, PC Gusmão, ao lado de seu neto Cadu — torcedor mirim do Ceará —, concedeu entrevista, de forma remota, para O POVO."
Factual description of the interview setting.
Neutral language"O POVO - Como foi sua infância no Rio de Janeiro e como começou sua relação com o futebol?"
Neutral, straightforward question from the interviewer.
Neutral languageTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Article has clear author attribution, date, and interview format, but lacks explicit methodology disclosure or editor's notes.
Specific Findings from the Article (1)
"PC Gusmão - A minha família é toda de jogadores."
Quotes are clearly attributed to the interview subject.
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
The narrative is chronologically consistent and the subject's recollections are internally coherent without observed contradictions.
Specific Findings from the Article (2)
"Cheguei no Vasco em 1987. Eu joguei com o Dinamite tanto no Vasco quanto no Campo Grande, em 1991"
Timeline of events is presented consistently.
Neutral"Após encerrar a carreira precocemente devido a uma lesão em 1991, realizou o sonho de chegar à Seleção Brasileira como preparador de goleiros"
Career transition is explained logically.
NeutralCore Claims & Their Sources
-
"PC Gusmão's most memorable career moment was promoting Ceará to Série A in 2009."
Source: Direct quote from PC Gusmão in the interview. Primary
-
"Vanderlei Luxemburgo was his main reference in his formation as a coach."
Source: Direct quote from PC Gusmão in the interview. Primary
-
"His playing career ended in 1991 due to a serious knee injury."
Source: Direct quote from PC Gusmão in the interview. Primary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (6)
-
P1
"PC Gusmão played as a goalkeeper for Vasco da Gama in the 1980s."
Factual -
P2
"PC Gusmão worked as a goalkeeper coach for the Brazilian national team in 1998."
Factual -
P3
"PC Gusmão led Ceará to promotion to Série A in 2009, ending a 16-year drought."
Factual -
P4
"The injury in 1991 causes him to end his playing career early."
Causal -
P5
"Problems outside the field (Vanderlei Luxemburgo's personal issues) contributed to the national causes team coaching staff not completing the cycle..."
Causal -
P6
"His father's guidance causes him to pursue education alongside football."
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: PC Gusmão played as a goalkeeper for Vasco da Gama in the 1980s. P2 [factual]: PC Gusmão worked as a goalkeeper coach for the Brazilian national team in 1998. P3 [factual]: PC Gusmão led Ceará to promotion to Série A in 2009, ending a 16-year drought. P4 [causal]: The injury in 1991 causes him to end his playing career early. P5 [causal]: Problems outside the field (Vanderlei Luxemburgo's personal issues) contributed to the national causes team coaching staff not completing the cycle for the 2002 World Cup. P6 [causal]: His father's guidance causes him to pursue education alongside football. === Causal Graph === the injury in 1991 -> him to end his playing career early problems outside the field vanderlei luxemburgos personal issues contributed to the national -> team coaching staff not completing the cycle for the 2002 world cup his fathers guidance -> him to pursue education alongside football
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.