O que fez o Nordeste faturar R$ 350 milhões por shopping e se tornar o 2º maior polo do Brasil? - Negócios - Diário do Nordeste
Os dados são do Censo Brasileiro de Shopping Centers.
Segundo maior polo de faturamento de shopping centers no Brasil, o Nordeste foi responsável por uma receita que ultrapassa R$ 38,5 bilhões em 2025. Atrás apenas do Sudeste (57%), a região concentrou 19% dos ganhos do setor, além de liderar o ranking quando se fala no faturamento médio por empreendimento, registrando R$ 350,4 milhões por unidade no ano passado.
Os dados do Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025/2026, elaborado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), apontam a consolidação da região nesse mercado. Entre os destaques está a quantidade de frequentadores desses espaços.
A região registrou, no ano passado, o segundo maior fluxo de visitantes mensais (94,5 milhões), também atrás apenas do Sudeste (263,4 milhões).
Quanto ao porte dos empreendimentos, o Censo mostra diversificação da região, que lidera nos shoppings "médios" com mais de 1 milhão de visitas mensais. Nos shoppings "pequenos", o número chega a 442,6 mil visitas (atrás apenas do Sudeste), enquanto nos "mega" ocupa o segundo lugar com 2,7 milhões, superado apenas pelo Centro-Oeste.
Jeito nordestino de consumir
Esses resultados mostram a relevância da região em meio a uma tendência global de redução do fluxo presencial causada pela vida digital e pelo e-commerce, segundo Ulysses Reis, professor da Strong Business School (SBS) e da Fundação Getulio Vargas (FGV). De acordo com ele, há traços culturais e comportamentais do consumidor nordestino que impactam esse cenário.
Reis descreve o consumidor do Nordeste como comunicativo e participativo, que valoriza a interação, frequenta esses espaços em grupos de família e busca diversidade de produtos e serviços nos empreendimentos. O professor também cita o maior gosto por "andar na rua", facilitando o fluxo em galerias comerciais, strip-centers (centros comerciais abertos) e os próprios shoppings.
"O consumidor do Sul e do Sudeste, normalmente, é muito fechado, e, quanto mais a geração Z está crescendo, mais esse perfil está se fortalecendo, de serem pessoas muito 'no mundo delas', muito ligadas a smartphones, a redes sociais. O nordestino também tem isso, mas interage mais, e shoppings mais tradicionais e menores possibilitam muito mais isso", avalia.
No nordeste, 43,4% dos shoppings tradicionais em atividade são de porte pequeno — enquanto essa proporção, considerando todo o Brasil, é de 38,7%. Essa presença de estabelecimentos menores e tradicionais na região também cria uma relação de "vizinhança" entre os consumidores e esses empreendimentos.
"As pessoas que vivem próximo a esses locais — ou razoavelmente próximo, a 2 km, 5 km de distância —, acabam tendo parte da sua vida de consumo e de lazer nesses shoppings", explica Reis.
Expansão e interiorização
Entre os dados do Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025/2026 que demonstram a relevância do Nordeste no segmento, Gabriella Oliveira, diretora de Planejamento Estratégico e Operações da Abrasce, destaca a participação da região no cronograma de expansão do setor.
Das 11 inaugurações previstas para o ano de 2026 em todo o País, três unidades estão confirmadas para estados como Sergipe e Bahia.
Ao todo, existem shopping centers em operação em 253 cidades brasileiras. Destas, 21% (53) estão localizadas no Nordeste. A Bahia lidera em número de unidades (24), seguida por Ceará (22) e Pernambuco (21).
A expansão para além das nove capitais, segundo Oliveira, foi um fator "fundamental" para a consolidação do setor na região, refletindo a descentralização da economia e o fortalecimento de polos regionais de consumo.
Esse avanço geográfico permitiu que o setor alcançasse novos públicos e reduzisse a dependência exclusiva das grandes metrópoles, garantindo uma base de crescimento mais capilarizada e menos suscetível a oscilações econômicas localizadas.
A concentração estratégica de grandes centros de compra em capitais, mas também em polos regionais da região, é um dos fatores aos quais a diretora atribui a liderança do Nordeste em faturamento médio por unidade.
"Os empreendimentos existentes centralizam o fluxo de consumidores de diversas cidades vizinhas, o que tende a elevar o ticket médio e o volume de vendas por metro quadrado", afirma Oliveira.
Além disso, ela aponta a consolidação dos shoppings como centros de convivência e conveniência, com recordes históricos de tempo de permanência do consumidor, permitindo que cada unidade capture uma fatia maior do consumo regional.
Ulysses Reis também ressalta o papel dessa distribuição geográfica das unidades e destaca a importância da interiorização para o setor, uma vez que as cidades do interior na região são "extremamente especializadas".
"Uma cidade não é igual à outra: algumas são hubs logísticos, outras são excelentes locais de desenvolvimento de tecnologia, outras são regiões onde temos boas opções de lazer. Acredito muito nessa interiorização e acho que ainda tem canto para se interiorizar mais no nordeste", afirma.
Continuidade do crescimento
O crescimento do setor de shoppings no Nordeste é percebida pela diretora da Abrasce como sustentável no longo prazo. Isso porque ela está fundamentado na transformação desses empreendimentos em "hubs" de serviços que vão muito além do varejo tradicional.
"A sustentabilidade desse modelo é reforçada pelos investimentos contínuos em revitalizações e expansões de ABL (Área Bruta Locável), que demonstram a confiança dos empreendedores no potencial de consumo futuro da região", afirma.
Apesar da incerteza sobre o setor em nível mundial, que aponta para um declínio do modelo tradicional desde 2012, Reis também acredita em um crescimento sustentável no médio e no longo prazo para os shoppings center no Nordeste.
O otimismo do professor é devido às inovações que ainda estão chegando ao mercado da região. "É um mercado que ainda não é envelhecido, em termos de maturidade. Muita coisa ainda que está sendo tentada ou que já está implantada, principalmente no Sudeste ou no Sul, é nova no mercado de shoppings do Nordeste, e esse novo cria possibilidades muito boas de crescimento", afirma.
Com isso, ele se refere a áreas de alimentação mais especializadas, melhor estrutura de lazer infantil, novos serviços que estão chegando às unidades, como estética, academias, assistências técnicas, entre outros.
"Hoje é comum os homens irem cuidar da aparência nas barbearias e vários outros tipos de serviços ligados ao corpo, àquilo que as pessoas não têm como fazer pela internet", exemplifica.
Por outro lado, Gabriella Oliveira avalia o mercado nordestino como em estágio avançado de maturidade, "caracterizado por um equilíbrio entre a oferta de shoppings tradicionais e o crescimento de novos formatos, como os 'malls' de vizinhança e centros especializados".
Alerta para o futuro
Um aspecto de atenção que o Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025/2026 traz para o setor em todo o País é a falta de investimento em estratégias digitais. Entre todas as unidades, menos da metade (41%) tem aplicativo próprio. Os índices são ainda menores para marketplaces (11%) e programas de fidelidade (32%). Para o professor, esses dados são preocupantes.
O mundo está ficando mais digital, as novas gerações são digitais. Então, o que acontece com isso? Perda de oportunidades de venda, de informações, de clientes, de atratividade, perda de uso dessas informações em sistemas avançados de análises que ajudam na tomada de decisões. Hoje nós temos que pensar que os espaços são físicos e digitais ao mesmo tempo.
Com a perda de oportunidades, Reis destaca que os negócios podem perder espaço para galerias comerciais, supermercados, show rooms e outras empresas que passarem a adotar essas estratégias tecnológicas. Ele cita iniciativas que utilizam tecnologia de realidade aumentada para melhorar a experiência de compra.
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Source Quality
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Good use of named expert sources and official data, though limited to two primary sources.
Specific Findings from the Article (3)
"segundo Ulysses Reis, professor da Strong Business School (SBS) e da Fundação Getulio Vargas (FGV)"
Named expert with clear institutional affiliation
Primary source"Gabriella Oliveira, diretora de Planejamento Estratégico e Operações da Abrasce"
Named industry official with position specified
Primary source"Os dados do Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025/2026, elaborado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce)"
Clear attribution to official industry data source
Named sourcePerspective Balance
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Presents positive economic data but includes some cautionary perspectives about digital challenges.
Specific Findings from the Article (3)
"Apesar da incerteza sobre o setor em nível mundial, que aponta para um declínio do modelo tradicional desde 2012"
Acknowledges global industry challenges
Balance indicator"Um aspecto de atenção que o Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025/2026 traz para o setor em todo o País é a falta de investimento em estratégias digitais"
Presents cautionary perspective about digital gaps
Balance indicator"O crescimento do setor de shoppings no Nordeste é percebida pela diretora da Abrasce como sustentável no longo prazo"
Primarily positive framing without counterarguments
One sidedContextual Depth
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides substantial statistical data, regional comparisons, and expert analysis of cultural factors.
Specific Findings from the Article (4)
"registrando R$ 350,4 milhões por unidade no ano passado"
Specific financial metric
Statistic"a região concentrou 19% dos ganhos do setor"
Regional market share data
Statistic"Reis descreve o consumidor do Nordeste como comunicativo e participativo, que valoriza a interação, frequenta esses espaços em grupos de família"
Cultural context explaining consumer behavior
Background"Entre os dados do Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025/2026 que demonstram a relevância do Nordeste no segmento"
References comprehensive industry study
Context indicatorLanguage Neutrality
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Consistently neutral, factual language throughout with no sensationalism or loaded terms.
Specific Findings from the Article (3)
"Os dados são do Censo Brasileiro de Shopping Centers"
Factual, neutral statement
Neutral language"Segundo maior polo de faturamento de shopping centers no Brasil"
Neutral descriptive language
Neutral language"De acordo com ele, há traços culturais e comportamentais do consumidor nordestino que impactam esse cenário"
Objective reporting of expert analysis
Neutral languageTransparency
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Full attribution of sources, author, date, and clear quote attribution throughout.
Specific Findings from the Article (2)
""O consumidor do Sul e do Sudeste, normalmente, é muito fechado, e, quan"
Clear attribution of quote to expert
Quote attribution""Os empreendimentos existentes centralizam o fluxo de consumidores de diversas cidad"
Direct quote with speaker identified
Quote attributionLogical Coherence
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
Generally coherent with one minor inconsistency in expert perspectives.
Specific Findings from the Article (3)
"Reis também acredita em um crescimento sustentável no médio e no longo prazo"
Contrasts with Oliveira's view of advanced maturity
Contradiction"Esses resultados mostram a relevância da região em meio a uma tendência global de redução do fluxo presencial"
Claims global trend but doesn't provide evidence
Unsupported cause"gião. "É um mercado que ainda não é envelhecido, em termos de maturidade. Muita coisa ainda que está sendo ten"
Minor inconsistency between experts on market maturity stage
Logic contradictionLogic Issues Detected
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Contradiction (low)
Minor inconsistency between experts on market maturity stage
"Reis: 'É um mercado que ainda não é envelhecido, em termos de maturidade' vs Oliveira: 'avalia o mercado nordestino como em estágio avançado de maturidade'"
-
Contradiction (high)
Conflicting values for 'northeast': $38.5 billion vs 19%
"Heuristic: Values conflict between P1 and P2"
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'northeast': $38.5 billion vs 94.5
"Heuristic: Values conflict between P1 and P3"
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Contradiction (high)
Conflicting values for 'northeast': 19% vs 94.5
"Heuristic: Values conflict between P2 and P3"
Core Claims & Their Sources
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"Northeast Brazil is the second largest shopping center revenue hub in Brazil with R$350 million average revenue per unit"
Source: Brazilian Shopping Center Census 2025/2026 by Abrasce Primary
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"Cultural traits of Northeastern consumers explain higher shopping center traffic"
Source: Ulysses Reis, professor at SBS and FGV Named secondary
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"Geographic expansion and interiorization strengthened the sector in the Northeast"
Source: Gabriella Oliveira, Strategic Planning Director at Abrasce Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (9)
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P1
"Northeast had R$38.5 billion in shopping center revenue in 2025"
Factual In contradiction -
P2
"Northeast has 19% of national shopping center earnings"
Factual In contradiction -
P3
"Northeast had 94.5 million monthly visitors to shopping centers"
Factual In contradiction -
P4
"43.4% of traditional shopping centers in Northeast are small-sized"
Factual -
P5
"Only 41% of shopping centers have their own apps"
Factual -
P6
"Cultural preference for social interaction causes Higher shopping center traffic in Northeast"
Causal -
P7
"Geographic interiorization causes Reduced dependence on major metropolitan areas"
Causal -
P8
"Lack of digital investment causes Potential loss of business to competitors"
Causal -
P9
"Smaller traditional shopping centers causes Neighborhood relationship with consumers"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (3)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Northeast had R$38.5 billion in shopping center revenue in 2025 P2 [factual]: Northeast has 19% of national shopping center earnings P3 [factual]: Northeast had 94.5 million monthly visitors to shopping centers P4 [factual]: 43.4% of traditional shopping centers in Northeast are small-sized P5 [factual]: Only 41% of shopping centers have their own apps P6 [causal]: Cultural preference for social interaction causes Higher shopping center traffic in Northeast P7 [causal]: Geographic interiorization causes Reduced dependence on major metropolitan areas P8 [causal]: Lack of digital investment causes Potential loss of business to competitors P9 [causal]: Smaller traditional shopping centers causes Neighborhood relationship with consumers === Constraints === P1 contradicts P2 Note: Conflicting values for 'northeast': $38.5 billion vs 19% P1 contradicts P3 Note: Conflicting values for 'northeast': $38.5 billion vs 94.5 P2 contradicts P3 Note: Conflicting values for 'northeast': 19% vs 94.5 === Causal Graph === cultural preference for social interaction -> higher shopping center traffic in northeast geographic interiorization -> reduced dependence on major metropolitan areas lack of digital investment -> potential loss of business to competitors smaller traditional shopping centers -> neighborhood relationship with consumers === Detected Contradictions === UNSAT: P1 AND P2 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P2 UNSAT: P1 AND P3 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P3 UNSAT: P2 AND P3 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P3