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CSN é a próxima na fila das recuperações extrajudiciais? Entenda

exame.com By Mitchel Diniz 2026-03-16 833 words
CSN: dificuldade para vender ativos e reduzir dívida (Monty Rakusen/Getty Images)

Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 16 de março de 2026 às 05h00.

A CSN tem uma dívida de R$ 9,6 bilhões a pagar ainda este ano. Desse total, R$ 1 bilhão vence no próximo mês. Os investidores se deram conta de que a situação financeira era mais delicada do que se imaginava após a divulgação dos resultados do quarto trimestre, semana passada. A alavancagem, que mede o quanto a dívida líquida da companhia equivale ao seu resultado operacional (Ebitda) cresceu pela primeira vez em 2025, para 3,47 vezes, ficando acima do que a CSN projetava para o ano.

O prazo de alguns vencimentos foi alongado para 2030. Mas é a parte curta da dívida que preocupa, principalmente depois que o último resultado foi impactado pela ausência de pré-pagamentos de exportação de minério de ferro no quarto trimestre, o que costuma financiar a companhia em alguns bilhões de dólares sobretudo no começo e no final do ano.

A empresa entrou em 2026 com um plano de reorganização do portfólio para reduzir sua dívida bruta entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões ainda este ano. A estraté
gia passa pela venda de ativos da companhia, como o controle da CSN Cimentos e uma participação relevante na CSN Infraestrutura. O pilar que reúne ativos ferroviários, portuários e multimodais da empresa está no centro da nova estratégia. Mas a CSN entende que é possível vender uma participação do negócio e otimizar o capital investido.

"Nosso foco é a redução material do endividamento bruto, com alocação de capital eficiente e disciplina rigorosa", afirmou Marco Rabello, CFO e diretor de relações com investidores da companhia.

De acordo com a Bloomberg, empresas como Votorantim e a chinesa Huaxin Cement estariam em negociações para adquirir a unidade de cimentos da CSN. O preço de compra, de acordo com as fontes da agência, poderia chegar a US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões pela cotação de hoje).

A companhia também confirmou que pretende tomar um empréstimo ponte, para cobrir necessidades imediatas de caixa, dando ativos da CSN Cimentos como garantia. O valor pode chegar a US$ 1,5 bilhão, de acordo com a Agência Estado. Na última teleconferência de resultados, a empresa informou que a transação estava quase concluída. Mas o início da Guerra com o Irã e a onda de recuperações extrajudiciais do mês adiaram a sua conclusão.

Os analistas do Bradesco BBI destacam que a companhia teve um desempenho operacional sólido na mineração, mas registrou saídas de caixa de aproximadamente R$ 2 bilhões. Isso contribuiu com um aumento de 10% na dívida líquida em relação ao trimestre anterior. E embora o BBI veja potencial para uma melhor geração de caixa devido pelo lado dos preços do minério de ferro, os analistas acreditam que só isso não vai ser suficiente: o alívio real no balanço financeiro exigirá progressos na agenda de desinvestimentos da companhia.

Relatório da Hub do Investidor, casa de análise independente, indica que a venda de ativos é o ponto mais crítico da tese no momento. As notícias e a própria percepção do mercado indicam que o controlador vem enfrentando mais dificuldade que o esperado para avançar nessas negociações, inclusive com maior resistência na execução do processo", diz o texto.

Em um cenário de stress, no qual a empresa continue operando com a estrutura que tem hoje, o relatório aponta para um período de pressão financeira ainda mais relevante, com posição de caixa reduzida e uma maior percepção de risco sobre a CSN, o que também limitaria o acesso a novas captações.

"A companhia poderia passar a conviver com caixa abaixo de R$ 10 bilhões, patamar incomum em seu histórico, além do maior risco de descasamento de prazos médios e eventual necessidade de renegociação com credores em um ponto mais crítico do ciclo", diz o texto.

GPA e Raízen também estão em uma situação de endividamento elevado, com uma parcela relevante dos débitos vencendo no curto prazo. Ambas são companhias de grande porte, listadas na bolsa e têm um terceiro ponto em comum: entraram em recuperação extrajudicial na semana passada.

A dona da rede Pão de Açúcar tem mais de R$ 2 bilhões em dívidas vencendo este ano, situação que fez a administração disparar um alerta sobre o futuro operacional da companhia em seu última resultado trimestral. O plano de recuperação extrajudicial, já aprovado e homologado pela Justiça tem como objetivo alongar uma dívida de R$ 4,5 bilhões e trata dos débitos que a varejista tem com bancos.

No caso da Raízen, o montante em questão é quase 15 vezes superior. A recuperação extrajudicial da companhia, controlada por Shell e Cosan, é de R$ 65,1 bilhões, a maior já registrada no Brasil. A companhia também vinha executando um plano de desinvestimento, no qual vendeu algumas usinas e até a sua participação na rede de mercados de conveniência Oxxo, antes uma joint venture e que passou a ser administrado somente pela Femsa após a saída da Raízen.

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