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Copasa desbanca Cogna e vira maior alta do Ibovespa em 12 meses

exame.com By Letícia Furlan 2026-03-16 645 words
Copasa: ação subiu 120% em 12 meses (Copasa/Divulgação)

Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 16 de março de 2026 às 05h00.

A Copasa (CSMG3) assumiu o posto de maior alta do Ibovespa nos último
s 12 meses, superando a Cogna (COGN3), maior alta do índice de referência da bolsa brasileira ao longo de 2025.

A variação da CSMG3 no período foi de 138%, enquanto a valorização de COGN3 foi de 119,6%. No acumula
do de 2026, Cogna caiu cerca de 6%, enquanto Copasa valorizou 18%.

A mudança no ranking acontece num contexto de forte valorização das duas empresas, mas também de um novo fôlego para a estatal mineira em meio à agenda de privatização e ao perfi
l atrativo de dividendos.

Cogna acumulou uma recuperação expressiva ao longo do último ano, mas o cenário mais recente de março trouxe uma correção para as ações do setor de educação.

A mudança no ranking também reflete mudanças no apetite dos investidores. Empresas c
om perfil de geração de caixa e distribuição de dividendos tendem a ganhar espaço em um ambiente de juros ainda elevados.

Um dos principais catalisadores para a valorização da estatal é a agenda de desestatização conduzida pelo governo de Minas Gerais.

De acordo com o banco, a operação deve ocorrer por meio de uma oferta secundária de ações (secondary follow-on), sem emissão de novos papéis pela companhia. O modelo também prevê a entrada de um investidor estratégico com participação mínima de 30% do capital.

O governo de Minas poderá manter cerca de 5% de participação caso haja esse investidor de referência ou vender 100% da fatia atual se o processo ocorrer sem um sócio estratégico.

O relatório também destaca mecanismos de governança desenhados para o processo, como um limite de 45% no poder de voto para qualquer acionista e um período de lock-up para o investidor estratégico, medidas que buscam garantir compromisso com as metas de universalização do saneamento.

Para o Safra, as diretrizes propostas são positivas e incluem algumas melhorias em comparação com outr
os modelos de privatização concluídos nos últimos anos. "Já que direitos de voto mais elevados, uma participação menor do governo estadual na empresa após a privatização e regras de lock-up diferentes provavelmente atrairão mais licitantes", afirmou a instituição em relatório.

"Lembramos que, em nossa última atualização, mencionamos que, supondo eficiências adicionais, melhores resultados de revisão, um custo de capital mais baixo, entre outras melhorias comuns após uma privatização, nosso preço-alvo poderia aumentar para R$ 65. Acreditamos que o mercado receberá bem as diretrizes iniciais propostas, enquanto aguarda detalhes adicionais", acrescentou o Safra.

O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) também vê a movimentação de forma positiva. O banco ma
ntém recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 52 para os próximos 12 meses, estimando valorização potencial de 1,3% e dividend yield de 3,9%.

Outro fator que tem sustentado o interesse dos investidores pela ação da Copasa é a política de remuneração ao acionista. O Santander projeta um dividend yield de cerca de 7,1% para a Copasa em 2025, patamar considerado atrativo dentro do setor de utilities.

As projeções do banco indicam lucro líquido de R$ 1,39 bilhão em 2025 e de R$ 1,23 bilhão em 2026, o que sus
tentaria a capacidade da companhia de manter uma distribuição consistente de proventos.

Esse perfil contrasta com companhias de crescimento, que dependem mais da expansão operacional e costumam ser mais sensíveis ao nível de juros da economia.

Apesar de ter perdido o posto de maior alta do Ibovespa, a Cogna ainda acumula um retorno expressivo para quem
comprou as ações no início de 2025.

Analistas veem a recente queda como um ajuste técnico após o for
te rali observado ao longo do último ano.

O movimento também reflete um ambiente macroeconômico mais desafiador. Dados de i
nflação acima do esperado pressionam empresas mais alavancadas ou dependentes de financiamento, caso de parte do setor educacional.

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