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Presença de delegados em gabinetes alimenta desconfiança do Supremo com PF

veja.abril.com.br By Laryssa Borges; Alexandre de Moraes 2026-03-15 586 words
Presença de delegados em gabinetes alimenta desconfiança do Supremo com PF

Responsá
vel por investigações da trama golpista será assessor de Alexandre de Moraes; outro delegado auxilia André Mendonça

A recente nomeação do delegado da Policia Federal Fabio Shor para atuar no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deu dimensão a um incômodo que desde o ano passado tem gerado especulações entre magistrados da Corte: o de que grupos da PF tem ocupado postos estratégicos e poderiam influenciar os juízes em decisões sensíveis e com forte impacto na classe política, como as que envolvem o Banco Master e o escândalo do INSS.

Além de Shor, delegado principal das investigações sobre a trama golpista, no gabinete do ministro André Mendonça, por exemplo, está lotado desde outubro passado o delegado da PF Thiago Marcantonio Ferreira, ex-diretor de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça.

O ex-diretor-geral da corporação Paulo Maiurino, por sua vez, é próximo do ministro Dias Toffoli, embora não esteja formalmente cedido ao Supremo.

Entre integrantes do tribunal há a avaliação de que a
presença de policiais no STF serviria não só para analisar dados sensíveis de investigações em curso, como quebras de sigilo de investigados, mas para supostamente tentar influenciar os juízes sobre medidas judiciais mais extremas, como ordens de prisão.

Até hoje o tribunal não engoliu o fato de o diretor-geral da corporação Andrei Rodrigues ter entregado ao presidente do Supremo Edson Fachin um relatório que listava possíveis conexões do ministro Toffoli com o Master. Interlocutores de Daniel Vorcaro, por sua vez, já mapearam todas as oportunidades em que Rodrigues se encontrou com o banqueiro – em uma delas, revelou o site Poder 360, o policial participou de uma degustação de whisky em Londres que custou 640.000 dólares, o equivalente a 3,3 milhões de reais.

Ainda que desprovido de maiores evidências, um dos temores vocalizados a partir da presença de delegados no tribunal é o de que o ministro André Mendonça pudesse ser convencido a decretar a prisão do empresário Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula.

Citado no escândalo do INSS, ele teve os sigilos bancário e fiscal por ordem de Mendonça, relator do inquérito que investiga a participação de entidades sindicais e lobistas no desconto ilegal de vencimentos de aposentados e pensionistas.

A comissão parlamentar mista de inquérito do INSS, que também apura o esquema, aprovou a quebra dos sigilos de Lulinha, mas a ofensiva foi barrada por decisão do ministro do STF Flávio Dino. Quando a ordem de Dino foi submetida aos demais ministros na sexta-feira, 13, para confirmá-la ou a refutar, o decano pediu destaque da votação em Plenário Virtual, o que significa que o caso terá de ser recomeçado no futuro no Plenário físico, onde ministros proferem seus votos de forma pública e televisionada.

Neste caso, porém, interlocutores da Corte identificaram um ardil: sem prazo definido para apreciar o caso, continua valendo a proibição de os parlamentares acessarem os dados de Lulinha. Se não for prorrogada, a CPMI será encerrada no próximo dia 28 de março – e sem acesso amplo às movimentações financeiras do primogênito do presidente.

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