Embalagens e papel higiênico: a estratégia acertada da Suzano e Klabin para contornar o preço da celulose | InvestNews
E a decisão nos últimos tempos foi a de ampliar o peso dos produtos acabados. Uma forma diversificar o portfólio para suavizar a volatilidade do negócio de celulose.
A Klabin é o caso mais maduro dessa estratégia. Em 2025, 60% do resultado operacional (Ebitda) veio dos negócios de papéis e embalagens, que somaram R$ 4,7 bilhões do total de R$ 7,8 bilhões gerados no ano. Esses segmentos operaram com margens superiores às da venda de celulose de fibra longa – a matéria-prima das embalagens de papelão – e funcionaram como amortecedor num ciclo fraco da commodity.
Na Suzano, a fotografia ainda é bem diferente. A exportação de celulose de fibra curta, usada em papéis sanitários e de impressão, segue sendo o eixo econômico da empresa da família Feffer. No ano passado, o segmento de papel e derivados respondeu por R$ 2,8 bilhões, algo próximo de 12% do Ebitda, enquanto a celulose – commodity na qual a Suzano é líder no mundo – concentrou a maior parte do resultado.
Ciclo em descompasso
O mercado mundial de celulose vive hoje um desalinhamento. Na China, principal termômetro do setor, a tonelada da fibra curta (BHKP) – a que mais influencia o mercado brasileiro – gira em torno de US$ 580. O preço ensaia recuperação e está acima do visto no ano passado, mas ainda longe dos recordes de 2022, quando superou os US$ 850 por tonelada.
Na Europa, o mesmo produto está valendo mais que o dobro, perto de US$ 1.250 por tonelada – a maior cotação em 12 meses. A diferença: enquanto a Ásia ainda digere excesso de oferta e demanda fraca, a Europa opera com gargalos logísticos e estoques mais apertados, o que sustenta preços elevados.
Em ciclos de alta, tanto o mercado europeu quanto o chinês costumam subir juntos. Quando a China lidera a subida, o setor entra em euforia global. Hoje, a recuperação é parcial – e isso ajuda a explicar por que grandes produtoras estão preferindo vender menos celulose a pressionar ainda mais os preços.
Segundo analistas do Itaú BBA, a dinâmica global de oferta e demanda deve permanecer mais apertada no primeiro semestre de 2026. O banco aponta ausência de novos projetos relevantes ao longo do ano, o que ajuda a sustentar preços, mas ainda está longe de configurar um novo ciclo de euforia.
Os papéis para higiene
Na Suzano, o plano de reduzir a dependência da commodity já vinha desde a gestão do ex-CEO Walter Schalka. Em 2023, a companhia concluiu a compra, por US$ 175 milhões, do negócio de papéis para higiene (tissue) da Kimberly-Clark no Brasil.
A operação colocou nas mãos da Suzano marcas como Neve e Scott e deu à empresa participação superior a 20% no mercado de papel higiênico. No mesmo movimento de diversificação, a empresa pagou US$ 110 milhões no começo de 2024 por duas fábricas da americana Pactiv Evergreen, nos Estados Unidos, avançando também no mercado de embalagens.
Com a chegada de Beto Abreu ao comando da companhia, em julho de 2024, a estratégia ganhou escala global. No ano passado, a Suzano anunciou investimento de US$ 1,7 bilhão para assumir 51% de uma joint venture com a Kimberly-Clark no mercado mundial de tissue, com 22 fábricas e venda de papéis higiênicos, toalhas de papel e lenços em mais de 70 mercados, incorporando marcas globais como Kleenex e Cottonelle.
Mas, ainda assim, o maior investimento recente da Suzano foi para ampliar sua produção de celulose. Em dezembro de 2024, a companhia inaugurou em Mato Grosso do Sul o Projeto Cerrado, o maior investimento da história da empresa. O projeto exigiu investimentos de R$ 22,2 bilhões e elevou em mais de 20% a capacidade instalada da Suzano, que passou a 13,5 milhões de toneladas anuais.
A estratégia de diversificação não elimina a natureza cíclica do negócio, mas ajuda a sustentar o caixa enquanto o setor atravessa um período mais fraco. No quarto trimestre, a Suzano sentiu o impacto dos preços menores da celulose na comparação anual, mas ainda conseguiu fechar no azul. No acumulado de 2025, a companhia reportou lucro líquido de R$ 13,4 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 7 bilhões registrado um ano antes.
Segundo o CEO, Beto Abreu, 2025 marcou um ponto de virada em competitividade. "Temos a obrigação de entender a rentabilidade e olhar o negócio com grande nível de detalhe", disse durante uma teleconferência com analistas nesta quarta-feira (11). Para 2026, a avaliação do executivo é que a dinâmica de curto prazo está "melhor do que o esperado". Ainda assim, a Suzano decidiu manter a produção 3,5% abaixo da capacidade, priorizando margem em vez de volume.
Na prática, isso significa retirar deliberadamente centenas de milhares de toneladas do mercado – postura que analistas descrevem como atuação de swing producer, uma produtora capaz de influenciar preços ao ajustar oferta – como a Arábia Saudita faz com petróleo. A estratégia agradou investidores: as ações da companhia lideraram as altas do Ibovespa nesta quarta-feira, no day-after à divulgação do balanço.
Para a diretoria da Suzano, o foco não é crescer a qualquer custo, mas atravessar o ciclo preservando rentabilidade. "O principal recado aqui é o nível de resiliência do nosso negócio […] um negócio que ficará ainda mais forte para enfrentar qualquer ambiente", prosseguiu Abreu.
Os números ajudam a explicar o raciocínio. A Suzano entregou geração de caixa livre ajustada de R$ 3,4 bilhões no trimestre e reduziu a alavancagem para 3,2 vezes o Ebitda, mesmo em um cenário de preços inferiores ao pico do ciclo.
Em relatórios após o balanço, o Itaú BBA destacou a forte geração de caixa e a queda do custo caixa como sinais de competitividade, enquanto o time de análise do BTG Pactual classificou a companhia como a produtora "melhor posicionada" para atravessar um ciclo prolongado de rentabilidade moderada.
Embalagens
Na Klabin, a estratégia passa menos por controlar oferta e mais por reduzir a exposição direta ao ciclo da celulose. Nos últimos anos, a companhia reforçou um modelo integrado em que embalagens e papéis funcionam como amortecedor contra a volatilidade da commodity.
No balanço de 2025, segmentos ligados a consumo e logística – como alimentos industrializados, higiene e limpeza – seguiram crescendo, ajudando a sustentar volumes de papéis para embalagens, feitos de fibra longa, mesmo em um ambiente de preços mais fracos para a fibra curta.
Apesar dessa proteção operacional, o balanço seguiu pressionado. A Klabin encerrou o ano com fluxo de caixa livre ajustado negativo e alavancagem de 3,3 vezes o Ebitda. Parte dessa pressão é herança do maior ciclo de investimentos da história recente da companhia: nos últimos anos, a empresa investiu quase R$ 13 bilhões no projeto Puma II, que ampliou a capacidade de papéis para embalagens, e expandiu sua base florestal com a compra de ativos da Arauco.
Encerrada a fase de expansão, a empresa entrou em" modo colheita". Para reforçar o caixa, acelerou a monetização de ativos florestais, que é a venda de terras excedentes com contratos de arrendamento que preservam o suprimento de eucalipto.
Só em 2024, o movimento gerou cerca de R$ 2,7 bilhões. Em 2025, novas operações no mesmo modelo levantaram algo próximo de R$ 2 bilhões, incluindo aportes externos em plataformas como o Projeto Plateau. A estratégia permite antecipar liquidez sem comprometer a operação e é peça central no plano de desalavancagem até 2026.
No balanço divulgado na quarta-feira, a administração afirmou que o foco para o próximo ano será capturar ganhos de eficiência e ampliar margens em papéis e embalagens, vistos internamente como a principal defesa contra a instabilidade da commodity.
Iniciativas como a redução de gramatura – que diminui o consumo de matéria-prima por embalagem e melhora a margem sem perda de desempenho – e o avanço do projeto Piracicaba II, de papelão ondulado, fazem parte desse esforço.
No acumulado de 2025, a Klabin registrou lucro líquido de R$ 1,7 bilhão, abaixo dos R$ 2 bilhões de 2024. A dívida líquida terminou o ano em R$ 25,9 bilhões, com alavancagem estável. Para analistas, a companhia representa uma aposta menos volátil dentro do setor, mas agora entra numa fase em que a diversificação precisa se traduzir em geração consistente de caixa.
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Core Claims & Their Sources
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"Suzano and Klabin are diversifying into finished products to reduce volatility from cellulose commodity cycles"
Source: Financial data and analyst reports supporting the strategy Named secondary
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"The global cellulose market is currently misaligned with different regional price dynamics"
Source: Market price data and analyst commentary Named secondary
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"Both companies are maintaining profitability through strategic production adjustments and portfolio diversification"
Source: CEO statements and financial results Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (8)
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P1
"Klabin generated 60% of EBITDA from paper and packaging in 2025"
Factual -
P2
"Suzano's tissue business acquisition gave them over 20% market share in toilet paper"
Factual -
P3
"Global cellulose prices show US$580/ton in China vs US$1,250/ton in Europe"
Factual -
P4
"Suzano reported net profit of R$13.4 billion in 2025"
Factual -
P5
"Diversification into finished products causes reduces volatility from commodity cycles"
Causal -
P6
"Production cuts by Suzano causes maintains margins instead of volume"
Causal -
P7
"Klabin's integrated model causes cushions against cellulose price volatility"
Causal -
P8
"Regional supply-demand imbalances causes cause price disparities between markets"
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: Klabin generated 60% of EBITDA from paper and packaging in 2025 P2 [factual]: Suzano's tissue business acquisition gave them over 20% market share in toilet paper P3 [factual]: Global cellulose prices show US$580/ton in China vs US$1,250/ton in Europe P4 [factual]: Suzano reported net profit of R$13.4 billion in 2025 P5 [causal]: Diversification into finished products causes reduces volatility from commodity cycles P6 [causal]: Production cuts by Suzano causes maintains margins instead of volume P7 [causal]: Klabin's integrated model causes cushions against cellulose price volatility P8 [causal]: Regional supply-demand imbalances causes cause price disparities between markets === Causal Graph === diversification into finished products -> reduces volatility from commodity cycles production cuts by suzano -> maintains margins instead of volume klabins integrated model -> cushions against cellulose price volatility regional supplydemand imbalances -> cause price disparities between markets
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.