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Quem dá nome aos túneis de Fortaleza

opovo.com.br By Bárbara Mirele; Barbara-Mirele 2026-03-15 1155 words
Quem dá nome aos túneis de Fortaleza

Você conhece os personagens históricos que nomeiam os túneis de Fortaleza? A Capital conta com seis espaços distribuídos entre as avenidas. O POVO mapeou os locais e revisita um lugar na história de cada um.

Leia a re
portagem especial sobre a Praça dos Mártires e a Confederação do Equador

No Brasil, a lei 6.454 de 1977 instituída pelo presidente Ernesto Geisel, proíbe a
atribuição de nomes de pessoas vivas a bem público, de qualquer natureza, pertencente à União ou a pessoas jurídicas da administração indireta.

Conheça quem são as personalidades por trás dos túneis da Capital

Barros Pinho

Barros Pinho foi um importante político que contribuiu no processo da resistência à ditadura militar e redemocr
atização. Até o ano de sua morte, em 2012, atuava pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e exercia o cargo de presidente da Fundação Cultural de Maracanaú.

Além de ter sido vereador e deputado estadual entre os anos de 1979 a 1985, também foi prefeito de Fortaleza entre 1985 e 1986.

O túnel fica localizado na avenida Santos Dumont sob a Via Expressa.

Juraci Vieira Magalhães

Foi gestor municipal da Capital e responsável pelas transformações urbanas que realiz
ou em seu mandato.

Lembrado por ter sido o prefeito com mais tempo no poder, Juraci Magalhães geriu Fortaleza por três pleitos, entre os anos de 1990 a 1992 e durante 1997 a 2004.

O espaço
fica localizado entre as avenidas Padre Antônio Tomás e Almirante Henrique Sabóia.

Deputado Welington Landim

Médico especializado em ultrassonografia, Landim iniciou a carreira política após virar prefeito de Brejo Santo, de 1989 a 1992.

No ano de 1994, ocupou uma vaga na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Em 1998, após ser reeleito, foi presidente da assembleia por dois biênios.

Em maio de 2015 foi internado vítima de uma meningite bacteriana, o estado mais avançado da doença. Em junho do mesmo ano o falecimento foi anunciado.

O túnel em sua homenagem fica entre as avenidas Engenheiro Santana Júnior e Padre Antônio Tomás.

Governador Beni Veras

Nascido Benedito Clayton Veras Alcântara, veio de uma família comunista, ele e o pai saíram de Crateús para Fortaleza.

Foi vice-governador de Tasso Jereissati, ocupando o cargo após o titular renunciar para tentar uma vaga no Senado Federal.

Atuou como governador de abril de 2002 a janeiro de 2003. Além disso, foi ministro do Planejamento em 1994, e senador de 1991 a 1999.

Parceria entre a Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Ceará, o túnel em sua homenagem fica nas avenidas Alberto Sá e Almirante Henrique Sabóia — na Via Expressa.

Demócrito Dummar

Figura marcante no jornalismo cearense, Demócrito fundou o Grupo de Comunicação O POVO em 1928. "É uma pessoa que fez história no seu fazer jornalístico", declarou o historiador e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Altemar Costa Muniz.

Em uma pa
lestra do jornalista, Altemar conta que o ouviu dizer: "Eu pretendo conhecer todos os lados e tentar dar uma dimensão da realidade a partir deles. [Ele] era uma pessoa muito acessível e afável", afirma.

O túnel em homenagem ao jornalista está localizado na avenida Alberto Craveiro até à Via Expressa.

Wagner Barreira

Natural de Fortaleza, foi o segundo filho do casal Dolor Uchôa Barreira e Maria José Turbay Barreira. Casou-se com Maria Luiza Fontenelle Barreira e teve 4 filhos, onde todos seguiram carreira no Direito.

Foi nomeado pelo Governo federal em junho de 1938 para reger na Faculdade Ceará, a cadeira de Direito Judiciário Penal e posteriormente outras cadeiras da advocacia. Em 1961, exerceu por nomeação do Governo Federal o cargo de juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), na categoria de jurista.

Além disso, foi Sócio da Associação dos Professores do Ensino Superior do Ceará (APESC). Wagner faleceu na Capital, vítima de um câncer de pâncreas.

Deputado Edson Queiroz Filho

Filho de Edson Queiroz e Yolanda Vidal Queiroz, Edson formou-se em Engenharia Mecânica, em 1974, pela Universidade Federal do Ceará (UFC). No mesmo período, passou a integrar o Conselho de Administração do Grupo Edson Queiroz.

Em 1994 conquistou mandato de deputado federal pelo Partido Progressista, obtendo mais de 60 mil votos.

"Deixou c
omo legado a imagem de um empresário formado na cultura do trabalho desde cedo e de um político que transitou entre o poder econômico e a arena pública com postura própria", é o que afirma o historiador Evaldo Lima.

Pintor An
tônio Bandeira

Nascido em Fortaleza no ano de 1922, é um dos nomes centrais da arte moderna brasileira, destacando-se como pioneiro e referência da abstração lírica no país.

Conforme Evaldo, Bandeira participou de importantes exposições no Brasil
e no exterior, integrando o circuito internacional da arte moderna.

Faleceu precocemente, aos 44 anos. "Seu legado o consagra como artista de gesto radical e poético, cuja pintura permanece como expressão de inquietação, liberdade e verdade interior na história das artes visuais brasileiras", declarou o historiador.

Sérgio Nogueira

Sérgio Nogueira entrou na Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor) em 1998, como Diretor de Implantação. No ano de 2005 se tornou presidente da instituição.

Em 2007 ocupou o cargo de Gerente de Obras Civis. Sérgio faleceu em outubro de 2011. Na nota de falecimento, postada pela Secretaria da Infraestrutura do Estado do Ceará (Seinfra), a causa da morte não foi especificada.

Olga Barroso

Raimunda Olga Monte Barroso é natural de Sobral e em vida atuou como educadora, jornalista e cronista.

No campo social, criou em 1962 a Sociedade de Amparo à Criança Cearense, mantenedora do Hospital Infantil Olga Monte Barroso, instituição de referência na assistência à infância e sede dos cursos de Pediatria e Puericultura da UFC.

"Figura de relevo na história cultural e humanitária do Ceará, Olga Barroso legou uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, a literatura e a proteção à infância, inscrevendo seu nome na memória pública do Estado como exemplo de serviço cívico e sensibilidade social", declarou Evaldo.

Ambos os quatro túneis não possuem um endereço único, pois ambos ligam o Centro de Convenções do Ceará (CEC) e a Universidade de Fortaleza (Unifor) à região de Messejana, passando sob a Avenida Washington Soares.

O POVO mapeou ainda um túnel, sem nomeação, conhecido por "Túnel do Mondubim". Ele fica na avenida Wenefrido Melo.

"Nomear é sacramentar a memória", afirma historiador

Para Altemar Muniz, ao nomear espaços públicos com nome de personalidades históricas, um "direcionamento político do que reproduzir no futuro" está sendo feito.

"Normalmente, o nome de ruas, viadutos e praças, tem a ideia de sacramentar uma memória que nós queremos que seja postergada no futuro".

Ele continua: "Às vezes, uma memória que era importante naquela época, de repente é um problema. Essa lembrança é simplesmente esquecida desde o caso do mausoléu do Castello Branco, no Palácio da Abolição", cita.

Conforme Altemar, a ideia é indicar quem será homenageado: "Nâo quero homenagear ditadores, mas sim democratas que foram fundamentais no período de redemocratização, que o caso dessas personalidades", conclui.

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