B
25/30
Good

Relatório: Ataques cibernéticos são estratégicos em guerra no Oriente Médio | CNN Brasil

cnnbrasil.com.br By Beatriz Oliveira 2026-03-17 510 words
Relatório: Ataques cibernéticos são estratégicos em guerra no Oriente Médio

Monitoramento da Apura Cyber Intelligence registrou 149 reivindicações de ataques de negação de serviço realizadas por grupos pró-Irã nos primeiros cinco dias de guerra

Os ataques cibernéticos passaram a integrar a dinâmica da guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã e ocorrem, muitas vezes, antes das ofensivas militares. A avaliação faz parte de um relatório da Apura Cyber Intyelligence, empresa brasileira que monitora os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Segundo o estudo, o ambiente digital tornou-se um dos principais campos de disputa estratégica do conflito, com campanhas de hacktivismo, espionagem digital, desinformação e tentativas de censura ocorrendo paralelamente às operações militares.

O levantamento identificou que, logo após as primeiras ofensivas contra o Irã, grupos hackers alinhados ao país itensificaram ataques contra sistemas digitais ligados a alvos israelenses e norte-americanos.

Nos primeiros cinco dias de guerra, o monitoramento da empresa registrou 149 reivindicações de ataques DDoS (negação de serviço) realizadas por grupos pró-Irã contra 110 organizações diferentes em 16 países. As ações foram conduzidas por pelo menos 12 grupos hackers, e parte deles recebeu apoio de coletivos estrangeiros, incluindo integrantes associados à Rússia.

O relatório também aponta que a ofensiva digital não ocorre apenas por parte de grupos independentes.

Operações conduzidas por governos estariam sendo utilizadas para apoiar ações militares
, com atividades de reconhecimento de alvos, coleta de informações estratégicas e tentativas de desestabilização de sistemas de defesa.

Os ataques DDoS tornam um sistema, site ou servidor indisponível para usuários legítimos, sobrecarregando-o com tráfego falso.

De acordo com a Apura, além dos DDoS, as principais técnicas utilizadas nesses ataques são:

Invasões com alteração de páginas na internet, conhecidas como defacement, ação que altera o conteúdo de uma página web para ganhar visibilidade e atingir maior número de visitantes;

Ações de ransomware, técnica que bloqueia o acesso a computadores e dados e, em seguida, exige um resgate.

O especialista em cybersegurança da Apura, Anchises Moraes, afirma que os ataques têm se concentrado principalmente em setores considerados estratégicos, como infraestrutura crítica, telecomunicações, sistema financeiro e defesa.

"O risco digital nesse tipo de cenário se torna politicamente motivado e altamente imprevisível, especialmente quando envolve países com histórico consolidado em operações cibernéticas sofisticadas", explicou Moraes.

Ainda segundo o levantamento, ataques cibernéticos chegaram a ser usados para mapear alvos militares e políticos dentro do Irã. A investigação cita o uso de dados obtidos por meio da invasão de celulares e de câmeras de monitoramento urbano na capital iraniana para identificar padrões de deslocamento de autoridades iranianas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia de conflito.

Para os analistas da companhia, a itensificação dessas ações indica que o domínio digital passou a ser um dos principais instrumentos de retaliação do Irã diante da pressão militar.

Até o momento, não foram identificados ataques direcionados ao Brasil ou a outros países da América Latina.

Ainda assim, a empresa alerta que o risco para a região existe de forma indireta, sobretudo para setores como energia, telecomunicações, sistema financeiro, saúde, defesa e infraestrutura de transporte.

Tap highlighted text for details

Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic