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As 10 lições de Ian Beacraft sobre o futuro do trabalho que toda liderança precisa ouvir

exame.com By Marc Tawil 2026-03-17 1436 words
Ian Beacraft, CEO da Signal and Cipher, durante palestra no SXSW 2026, em Austin (Marc Tawil)

Marc Tawil

Estrategista de Comunicação

Publicado em 17 de março de 2026 às 05h00.

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O CEO da Signal and Cipher veio ao SXSW dizer aquilo que poucos têm coragem de nomear: as empresas não têm problema de IA. Têm problema de design. E isso muda tudo. O futurista Ian Beacraft subiu ao palco do SXSW nesta segunda, 16, para aposentar uma das palestras mais aguardadas do evento.

E, de cara, abriu com uma provocação: "A maioria das empresas está usando IA para fazer as mesmas coisas de sempre; só um pouco mais rápido". Isso, na análise dele, é o maior desperdício da história recente do mundo do trabalho.

Beacraft, que tem como sócia a brasileira Michelle Schneider, também palestrante nessa edição, dirige um laboratório focado no futuro do trabalho na interseção entre IA e design organizacional.

Por isso, a palestra dele não foi sobre ferramentas, mas sobre como reengenheirar o sistema inteiro (e por que ignorar isso é uma aposta contra o relógio).

Selecionei os 10 pontos que não saíram da minha cabeça assim que o talk dele, terminou. Acompanhe:

A maioria das empresas trata IA como um instrumento mais sofisticado ou "como uma câmera cara nas mãos de um mau fotógrafo". O resultado é incremental, não transformador. "Grandes ferramentas não fazem um bom chef. Grandes ferramentas de IA não fazem uma organização inteligente", disse Beacraft. O erro está em otimizar para um mundo que já não existe.

Beacraft citou uma pesquisa reveladora: quando perguntados o que fazem com o tempo que a IA libera, a maioria dos profissionais respondeu "mais trabalho". A textura do trabalho não mudou. A velocidade sim. E isso é exatamente o problema.

Durante décadas, construímos organizações baseadas nas limitações humanas: atenção finita, expertise escassa, tempo limitado. Com agentes de IA, o custo de executar tarefas despencou. Mas o custo de coordenar pessoas, alinhar culturas e tomar decisões continua alto. Quem não entende essa distinção vai otimizar o lado errado.

Toda empresa é simultaneamente um sistema de coordenação e distribuição de trabalho, e uma cultura que mantém pessoas unidas em torno de identidade e propósito. Esses dois sistemas estão tão entrelaçados que a maioria das organizações não consegue separá-los — e isso cria paralisia quando a IA começa a assumir a parte operacional.

Beacraft propõe uma mudança radical de como pensamos funções. Operar é fazer o trabalho — escrever o e-mail, o relatório, o briefing. Desenhar é criar sistemas que resolvem classes inteiras de problemas, não apenas casos individuais. Arquitetar é codificar valores, julgamento e cultura nos sistemas que os agentes vão usar. A maioria das pessoas está em 90% operar. O futuro inverte essa proporção.

Beacraft foi direto: as histórias de agentes deletando e-mails, fazendo compras milionárias ou tomando decisões erradas acontecem porque não há um sistema de governança que defina o que é sucesso, o que é falha e como escalar decisões para humanos. "Uma linha dizendo 'não faça isso' não é suficiente. Você precisa de um ecossistema inteiro que diga como se comportar."

Essa frase resume a mudança de paradigma que Beacraft está descrevendo. Quando falhar é barato e rápido, a lógica muda completamente. Não escolha a melhor ideia e execute. Execute todas e deixe a realidade decidir qual funciona. "Planejamento é só reverter suas suposições. Construir te dá feedback real."

Infraestrutura agêntica expõe quem não sabe gerenciar. Para trabalhar bem com IA, você precisa articular com precisão o que quer e o que não quer. Para trabalhar bem com agentes, você precisa saber delegar, dar contexto, definir sucesso e falha. São habilidades humanas fundamentais — e a IA está tornando a ausência delas visível de um jeito que nunca foi antes.

As ferramentas mudam a cada semana. Quem foca nas ferramentas entra em whiplash permanente. O que não muda são os valores, as políticas, a governança e os critérios de qualidade da organização. Quando esses estão bem articulados e documentados, qualquer nova ferramenta pode ser plugada no sistema sem perder o contexto. "Cavamos a fundação antes de tentar construir o edifício. A maioria das pessoas está tentando começar pelo nonagésimo nono andar."

Beacraft foi o único palestrante que nomeou isso com clareza: a disrupção no trabalho vai criar uma crise de identidade em escala massiva. Não porque a IA seja melhor do que humanos em tudo, e sim porque setores inteiros vão se reinventar mais rápido do que as pessoas conseguem se reposicionar. "Não há precedente para isso em escala social. E essa falta de precedente vai gerar caos."

Ian Beacraft veio ao SXSW falar sobre design organizacional numa era em que as restrições que moldaram o trabalho por 150 anos estão desaparecendo.

O questionamento que fica para mim está bem distante do "como uso IA?" e muito próximo do "como reengenheiro o sistema inteiro para um mundo onde execução é barata e coordenação é o verdadeiro ativo?"

Acredito que quem responder isso primeiro vai definir a mudança e não apenas sobreviver a ela.

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