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VÍDEO: Júlia Zanatta reclama de proibição de dinheiro vivo na compra de imóveis - Revista Fórum

revistaforum.com.br By Henrique Rodrigues 2026-03-16 882 words
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VÍDEO: Júlia Zanatta reclama de proibição de dinheiro vivo na compra de imóveis

Iniciativa que tem por objetivo virar lei foi aprovada na CCJ do Senado. Família Bolsonaro comprou 107 imóveis em 30 anos, sendo 51 deles total ou parcialmente em espécie

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou projeto que proíbe a compra de imóveis com dinheiro em espécie; medida segue tendência internacional de transparência financeira.

A deputa federal Júlia Zanatta (PL-SC) criticou o projeto em redes sociais, argumentando que a proposta representa vigilância estatal e ataca liberdade dos cidadãos.

O texto do projeto visa coibir lavagem de dinheiro e evasão fiscal; países como Portugal, França e Alemanha já impõem restrições semelhantes a transações imobiliárias em espécie.

A família Bolsonaro adquiriu 107 imóveis ao longo de três décadas, sendo 51 pagos total ou parcialmente com dinheiro vivo, conforme investigações jornalísticas.

A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), uma das vozes mais ruidosas da extremista bancada bolsonarista no Congresso, utilizou suas redes sociais para atacar uma medida que avança a passos largos no Legislativo brasileiro. Em vídeo e texto publicados recentemente, a parlamentar manifestou sua indignação contra o projeto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, que visa proibir a compra de imóveis utilizando dinheiro em espécie.

A iniciativa, que busca se tornar lei federal, segue uma tendência global de transparência financeira. Países da União Europeia, como Portugal, França e, mais recentemente, a Alemanha, já aplicam restrições severas ou proibição total ao uso de "dinheiro vivo" em transações imobiliárias. O objetivo é óbvio: coibir a lavagem de dinheiro e a evasão fiscal. Afinal, em um mundo digital e bancarizado, não há justificativa técnica ou prática para se adquirir patrimônios de alto valor transportando malas de dinheiro, exceto a tentativa de apagar o rastro da origem do recurso.

O "modelo Bolsonaro" de negócios imobiliários

A defesa veemente de Zanatta pela manutenção desse tipo de pagamento anacrônico não é isolada. Ela ressoa diretamente com o histórico do clã que chefia seu grupo ideológico. Conforme revelado em extensas investigações jornalísticas e detalhado no livro "O Negócio do Jair: A história proibida do clã Bolsonaro", da jornalista Juliana Dal Piva, a família do ex-presidente adquiriu, ao longo de três décadas, um total de 107 imóveis, dos quais 51 foram pagos total ou parcialmente com dinheiro vivo.

Essas transações, que somam milhões de reais em notas de papel, sempre despertaram suspeitas de autoridades e motivaram investigações sobre o uso de recursos ilegais, como o esquema de "rachadinhas". A luta contra a proibição desse método converte-se uma espécie de escudo ideológico para práticas que colocam o Brasil na contramão das diretrizes internacionais de combate ao crime organizado.

A retórica

Em sua publicação, Zanatta utiliza uma narrativa que mistura o conceito de liberdade individual com o medo de uma suposta vigilância estatal opressora. Leia abaixo o posicionamento da parlamentar:

"A CCJ do Senado aprovou um projeto que proíbe a compra de imóveis com dinheiro vivo. O espantalho é sempre o mesmo: combater o crime organizado. Nós derrotamos o DREX, mas eu avisei que a liberdade exige eterna vigilância e que os ataques continuariam vindo. Não podemos legislar pela má-fé, partir do pressuposto de que todo cidadão é um criminoso em potencial e, nesse processo, sacrificar nossas liberdades fundamentais. 'Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.' Enquanto insistem em importar o modelo chinês, em que o governo tem controle e rastreabilidade total do dinheiro dos cidadãos, o mundo livre vai na contramão desse pensamento."

"A CCJ do Senado aprovou um projeto que proíbe a compra de imóveis com dinheiro vivo. O espantalho é sempre o mesmo: combater o crime organizado. Nós derrotamos o DREX, mas eu avisei que a liberdade exige eterna vigilância e que os ataques continuariam vindo. Não podemos legislar pela má-fé, partir do pressuposto de que todo cidadão é um criminoso em potencial e, nesse processo, sacrificar nossas liberdades fundamentais. 'Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.' Enquanto insistem em importar o modelo chinês, em que o governo tem controle e rastreabilidade total do dinheiro dos cidadãos, o mundo livre vai na contramão desse pensamento."

Veja o vídeo:

Teorias da conspiração e o bloqueio do DREX

Além da defesa do dinheiro físico em grandes transações, Zanatta se orgulha abertamente de ter liderado, junto a outros parlamentares de extrema direita, o movimento que barrou o avanço do DREX. A ferramenta, desenvolvida pelo Banco Central do Brasil, é uma plataforma moderna que funcionaria como o "Real Digital", colocando o país na vanguarda do sistema financeiro global.

Entretanto, para frear a modernização, o grupo utilizou uma enxurrada de desinformação sistemática e teorias conspiratórias. Sem qualquer base na realidade, os parlamentares vincularam o modelo digital brasileiro ao sistema de crédito social da China, alegando que o governo teria o poder de "desligar" o dinheiro dos cidadãos. Essa narrativa, classificada por especialistas como uma verdadeira alucinação retórica, ignora os protocolos de segurança e eficiência do Banco Central, servindo apenas para manter o sistema financeiro em uma zona de sombra que favorece quem prefere a falta de rastreabilidade.

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