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A jogada dos PFs que vazam peças do inquérito, por Luís Nassif

jornalggn.com.br By Luis Nassif 2026-03-16 476 words
Vamos a algumas premissas irrefutáveis:

O inquérito do Banco Master é sigiloso.

Inicialmente, quem estava vazando para a imprensa são policiais federais através de jornalistas que participaram do pacto da Lava Jato.

Com a decisão do Ministro André Mendonça, de liberar parte do inquérito para a CPI do INSS, ampliaram-se as fontes de vazamento: policiais federais e políticos do Centrão.

Até agora, as principais hipóteses para o vazamento estão no campo político. Policiais Federais lavajatistas pretendendo direcionar o inquérito para os lados do governo Lula e dos Ministros do Supremo.

Em entrevista à TV GGN 20 horas, o jurista Pedro Serrano traz uma hipótese até agora pouco considerada: quem está vazando sabe que está cometendo crime, mas sua intenção é abrir espaço para a anulação dos inquéritos contra Daniel Vorcaro.

Além da questão da incompetência territorial da 13a Vara Federal de Curitiba, e do reconhecimento da suspeição do juiz Sérgio Moro, os seguintes pontos pesaram na anulação dos processos da Lava Jato:

Violação ao direito de defesa.


Houve casos em que a ordem processual foi invertida, prejudicando os réus.

Os casos mais emblemáticos foram as condenações baseadas em delações premiadas. O STF decidiu que réus delatados devem apresentar alegações finais depois dos delatores, e não ao mesmo tempo, como foi feito.

Abusos em prisões preventivas e delações.

Pressões longas foram utilizadas como mecanismo de pressão para obter delações.

Contaminação política de decisões judiciais.

No caso da Lava Jato, a nomeação de Sérgio Moro como Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro foi o estopim para a comprovação da tese. Os ataques da PF, através de vazamentos, contra determinados alvos podem configurar o mesmo padrão.

Vazamentos como elemento de "ambiente de pressão"

Ministros do STF afirmaram que a Lava Jato utilizou divulgação seletiva de informações para criar impacto político e social.

Isso incluía trechos de delações premiadas, gravações telefônicas e informações de investigações em andamento.

Para alguns ministros, esse padrão ajudava a influenciar a opinião pública e pressionar os tribunais.

O episódio mais emblemático foi a divulgação de interceptação telefônica entre Lula e Dilma. A gravação foi divulgada publicamente por decisão de Moro em 2016.

Mais que isso. Quando começaram as investigações, houve vazamento imediato das perícias da PF e o risco de se jogar para a 1a Instância e aparecerem inidiciados com prerrogativa de foro.

Ao assumir o inquérito, o ministro Dias Toffoli agiu corretamente. Primeiro, trocou os peritos da PF, responsáveis pelos vazamentos. Depois, anunciou uma filtragem para identificar casos de prerrogativa de foro. O que não tivesse, iria para a 1a Instância.

Foi atropelado por seus negócios com fundos ligados ao Master, e pela estratégia conjunta mídia-PF de desviar o foco das investigações do centrão, com vistas às eleições de 2026.

No fim, assim como na Lava Jato, a intenção dos jogadores é apenas valer-se politicamente do episódio, com as mais variadas intenções.

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