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Lulinha viajou para Portugal com o 'Careca do INSS' para visitar fábrica de cannabis, diz advogado

otempo.com.br By Ana Paula Ramos 2026-03-16 576 words
BRASÍLIA - A defesa de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, admitiu nesta segunda-feira (16/3) que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajou para Portugal em 2024 com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Preso deste setembro do ano passado, o lobista é apontado como o principal operador do esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em entrevista à "Globonews" nesta segunda-feira (16/3), o advogado Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que Lulinha não tinha conhecimento das fraudes, não participou do esquema e nem recebeu dinheiro desviado de aposentadorias e pensões do INSS. A Polícia Federal (PF) investiga se Fábio Luís atuou como sócio oculto de Antônio Carlos nas fraudes.

A defesa negou ainda que o filho do presidente recebeu recursos de Roberta Luchsinger, também investigada por suposto envolvimento no esquema de fraudes cometidas contra os beneficiários de pensões e aposentadorias do INSS.

Segundo Carvalho, a viagem a Portugal foi realizada a convite do Careca, em novembro de 2024, para que o filho do presidente visitasse com ele uma fábrica de produtos de cannabis medicinal.

"Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal", disse o advogado.

Na entrevista, Marco Aurélio de Carvalho relatou que a visita à fábrica aconteceu, mas não gerou nenhuma parceria comercial entre Lulinha e o Careca do INSS, embora a viagem a Lisboa tenha sido custeada pelo empresário.

Segundo o advogado, Lulinha também não recebeu dinheiro do empresário para fazer lobby junto ao Ministério da Saúde ou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com objetivo de vender canabidiol ao governo.

Leia mais: STF libera presidente da Contag e CPI do INSS cancela sessão desta segunda-feira

Quebra de sigilos revelou R$ 19,5 milhões em transações

O filho do presidente teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Polícia Federal, em janeiro deste ano, por autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS também aprovou a quebra dos sigilos dele, no final de fevereiro, mas a medida foi suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do STF. O plenário da Corte ainda vai analisar o caso.

Na semana passada, a quebra do sigilo de Lulinha revelou que ele movimentou R$ 19,5 milhões em suas contas bancárias, em quatro anos. Os registros detalham transações feitas entre janeiro de 2022 a 30 de janeiro deste ano, com cerca de R$ 9,8 milhões em entradas e um valor semelhante em saídas.

Entre as movimentações havia três depósitos que Lulinha recebeu do pai em 2022 e 2023, somando R$ 721 mil, e 17 transferências que ele fez para um ex-sócio, Jonas Suassuna, totalizando R$ 704 mil.

À "Globonews", Carvalho afirmou que todas as transações foram regulares e que a quebra de sigilo demonstrou que Lulinha não recebeu dinheiro desviado do INSS.

"A quebra de sigilos não trouxe nenhum fato que pudesse comprometer o Fábio em qualquer dos malfeitos que estão sendo investigados pela CPMI do INSS. Fábio não tem relação direta ou indireta com nada que tenha a ver com INSS", disse.

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