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Como Guerra no Irã pode inibir tomada de risco mesmo com juros caindo?

exame.com · Rebecca Crepaldi · 2026-03-19 · 856 words
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Source Quality 4
Perspective Balance 4
Contextual Depth 4
Language Neutrality 5
Transparency 5
Logical Coherence 5
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Juros: conflito do Oriente Médio fez bancos revisarem tamanho do corte da Selic por aqui (fotopoly/Getty Images)

Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 19 de março de 2026 às 05h00.

A escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos (EUA) tem consequências que vão além de políticas – são também econômicas. A aversão ao risco chega para mudar o cenário e, mesmo com a queda de juros iniciada no Brasil nesta quarta-feira, 18, o mercado tende a ser mais cauteloso como resultado das consequências do confronto.

Isso porque entrou no jogo o Estreito de Ormuz, onde passa 25% do petróleo marítimo global e 20% do gás natural (GNL). O bloqueio ou ameaça de interrupção causa um choque na oferta imediato e, como reflexo, um salto abrupto nos preços do petróleo que ultrapassaram a casa dos US$ 100.

Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital, explica que o petróleo é um bem essencial e sem substitutos imediatos. Sendo assim, mesmo com um choque de oferta, o consumo não reduz na mesma proporção.

"As famílias continuam precisando de combustível para ir ao trabalho, as companhias aéreas precisam abastecer seus aviões e as fábricas precisam de energia para operar. Não é possível trocar a frota global de veículos a combustão por elétricos da noite para o dia", diz.

"As famílias continuam precisando de combustível para ir ao trabalho, as companhias aéreas precisam abastecer seus aviões e as fábricas precisam de energia para operar. Não é possível trocar a frota global de veículos a combustão por elétricos da noite para o dia", diz.

É exatamente essa rigidez que garante que o choque geopolítico se transforme rapidamente em um choque inflacionário, forçando os bancos centrais a manterem os juros altos e, consequentemente, inibindo a tomada de risco nos mercados.

Bassani continua: "Além do impacto mecânico da inflação, a guerra inibe a tomada de risco através do canal da incerteza. Os mercados financeiros são capazes de precificar e absorver choques quando a trajetória estratégica é clara. O que paralisa o capital é a ambiguidade."

Isso cria um ambiente onde a tomada de risco é duplamente penalizada, explica o especialista.

"Primeiro, pelo risco de duração – se a inflação voltar, os juros de longo prazo subirão, causando perdas em títulos de longa duração. Segundo pelo risco de crédito – se o choque energético causar uma recessão, os spreads de crédito corporativo se alargarão devido ao risco de inadimplência."

Consequentemente, o capital flui para ativos de segurança extrema, como o ouro, que ultrapassou a marca histórica de US$ 5.000 a onça recentemente, em um movimento de flight to quality (fuga para a qualidade).

Gustavo Harada, head de alocação da Blackbird Investimentos, também afirma que o conflito pode ter impacto direto nos mercados globais, citando, para além da inflação e a fuga para ativos mais seguros, o fortalecimento do dólar, o que impacta diretamente países emergentes. "O que pode gerar uma abertura na curva de juros e um possível atraso no ciclo de afrouxamento monetário."

As recentes atualizações de grandes bancos mostram, inclusive, revisões baixistas do corte. Goldman Sachs e Itaú, por exemplo, ajustaram suas projeções de 0,50 p.p. para 0,25 p.p. Bank Of America também foi pelo mesmo caminho. E a XP até projeta uma manutenção da taxa.

Uma pesquisa recente do BTG Pactual (mesmo grupo de controle da EXAME), com 52 participantes do mercado financeiro, indica que a maioria (88%) espera que o Copom inicie um ciclo de cortes nesta reunião.

Entretanto, o predomínio claro é de um cenário de redução de 0,25 p.p. (71%); 17% ainda veem espaço para um início com 0,50 p.p.; enquanto 12% projetam manutenção da Selic em 15%.

Apesar da aversão ao risco, o Brasil tem algumas vantagens. Uma delas é bem simples: estamos longe do conflito. "A gente não vai para nossa casa com medo de um um míssel cair no bairro. Isso realmente tem valor para o investidor internacional", ressalta Thiago Picanço, sócio e head de Wealth Management da Reach Capital.

Outro ponto é que os produtos que estão sendo afetados pela questão no Estreito de Ormuz, o Brasil está bem posicionado. Por exemplo, é exportador de petróleo e de diversos alimentos. "Obviamente precisamos de petroquímicos e outros bens de insumo que vem da região, mas são bens que a gente conseguiria substituir", diz Picanço.

Para ele, o ânimo com o Brasil não muda. "Quem etá em ativos locais, seja renda fixa ou ações, em termos geopolíticos globais, não deveria ficar mais preocupado por conta da guerra do Irã", comenta.

Mas, segundo ele, há fatores domésticos que são mais preocupantes, como a greve dos caminhoneiros e pedidos de recuperação judicial de diversas empresas devido aos juros altos.

Em sua visão, o Brasil irá, sim, começar a cortar juros ainda hoje – e, por mais que não seja um corte tão grande como se esperava anteriormente – já dará uma visibilidade de que o processo de afrouxamento monetário está começando.

"Nesse contexto, a estratégia passa por utilizar o caixa disponível para retomar gradualmente o risco, ao mesmo tempo em que se amplia a exposição à renda fixa, que ainda apresenta boas oportunidades", conclui Picanço.

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Transparency
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4/5 Score

Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety

Summary

Multiple named expert sources with clear credentials, but no primary sources like direct interviews with officials.

Findings 4

"Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital"

Named expert with clear professional affiliation

Named source

"Gustavo Harada, head de alocação da Blackbird Investimentos"

Named expert with clear professional affiliation

Named source

"Thiago Picanço, sócio e head de Wealth Management da Reach Capital"

Named expert with clear professional affiliation

Named source

"Goldman Sachs e Itaú, por exemplo, ajustaram suas projeções"

References to institutional analysis without direct quotes

Secondary source
Perspective Balance 4/5
4/5 Score

Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation

Summary

Acknowledges both risks and opportunities, presents multiple expert viewpoints with some counterpoints.

Findings 3

"Apesar da aversão ao risco, o Brasil tem algumas vantagens."

Explicit acknowledgment of contrasting factors

Balance indicator

"Mas, segundo ele, há fatores domésticos que são mais preocupantes"

Presents domestic concerns alongside geopolitical analysis

Balance indicator

"Entretanto, o predomínio claro é de um cenário de redução de 0,25 p.p."

Presents market consensus with specific percentages

Balance indicator
Contextual Depth 4/5
4/5 Score

Background information, statistics, comprehensiveness of coverage

Summary

Provides substantial economic context, statistical data, and background on geopolitical impacts.

Findings 4

"onde passa 25% do petróleo marítimo global e 20% do gás natural (GNL)"

Specific quantitative data on Strait of Hormuz importance

Statistic

"preços do petróleo que ultrapassaram a casa dos US$ 100"

Specific price data point

Statistic

"ouro, que ultrapassou a marca histórica de US$ 5.000 a onça"

Specific price data point

Statistic

"Isso porque entrou no jogo o Estreito de Ormuz"

Explains causal mechanism behind economic impact

Context indicator
Language Neutrality 5/5
5/5 Score

Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language

Summary

Consistently neutral, factual language with no sensationalist or politically loaded terms.

Findings 3

"A escalada do conflito entre Irã e Estados Unidos (EUA) tem consequências"

Neutral description of conflict

Neutral language

"Isso cria um ambiente onde a tomada de risco é duplamente penalizada"

Analytical language without emotional manipulation

Neutral language

"As recentes atualizações de grandes bancos mostram"

Factual reporting of institutional actions

Neutral language
Transparency 5/5
5/5 Score

Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution

Summary

Full author attribution, clear date/time, all quotes properly attributed to sources.

Findings 4

"Rebecca Crepaldi"

Clear author byline

Author attribution

"Publicado em 19 de março de 2026 às 05h00."

Specific publication date and time

Date present

"0. Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital, explica "

Clear attribution of quotes to specific experts

Quote attribution

"também afirma que o conflito pode ter impacto direto"

Clear attribution of analysis to expert

Quote attribution
Logical Coherence 5/5
5/5 Score

Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation

Summary

No logical inconsistencies detected; arguments flow logically with clear causal chains.

Core Claims

"The Iran-US conflict will inhibit risk-taking in markets despite falling interest rates in Brazil"

Analysis from multiple named financial experts (Bassani, Harada, Picanço) Named secondary

"Strait of Hormuz disruption causes immediate oil price shocks that create inflationary pressure"

Economic analysis from Marcelo Bassani with supporting statistics Named secondary

"Brazil has geopolitical advantages despite global risk aversion"

Analysis from Thiago Picanço of Reach Capital Named secondary

Logic Model Inspector

Consistent

Extracted Propositions (7)

  • P1

    "25% of global maritime oil passes through Strait of Hormuz"

    Factual
  • P2

    "Oil prices exceeded US$100"

    Factual
  • P3

    "Gold surpassed US$5,000 per ounce"

    Factual
  • P4

    "88% of market participants expect Copom to start rate cuts"

    Factual
  • P5

    "Geopolitical conflict causes uncertainty → inhibited risk-taking"

    Causal
  • P6

    "Strait of Hormuz disruption causes oil price shock → inflation → high interest rates"

    Causal
  • P7

    "Brazil's distance from conflict causes relative safety for international investors"

    Causal

Claim Relationships Graph

Contradiction
Causal
Temporal
View Formal Logic Representation
=== Propositions ===
P1 [factual]: 25% of global maritime oil passes through Strait of Hormuz
P2 [factual]: Oil prices exceeded US$100
P3 [factual]: Gold surpassed US$5,000 per ounce
P4 [factual]: 88% of market participants expect Copom to start rate cuts
P5 [causal]: Geopolitical conflict causes uncertainty → inhibited risk-taking
P6 [causal]: Strait of Hormuz disruption causes oil price shock → inflation → high interest rates
P7 [causal]: Brazil's distance from conflict causes relative safety for international investors

=== Causal Graph ===
geopolitical conflict -> uncertainty  inhibited risktaking
strait of hormuz disruption -> oil price shock  inflation  high interest rates
brazils distance from conflict -> relative safety for international investors

All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.

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