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Estudo mostra como fundos imobiliários reagem aos ciclos de cortes de juros

infomoney.com.br · Angelo Pavini · 2026-03-20 · 1,221 words
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Um corte de 0,25 ponto porcentual, menor que os 0,50 ponto esperados há três semanas, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de quarta-feira (18) não deve pesar tanto no desempenho dos fundos imobiliários quanto o tamanho final do ciclo de redução de juros, mostra estudo da gestora RB Asset.

O levantamento analisa os dados dos últimos 15 anos, desde a concepção do Índice de Fundos Imobiliários, o IFIX, em 2011 e quatro ciclos de corte de juros promovidos pelo Banco Central em 2011, 2016, 2019, e 2023. "Desses quatro ciclos, somente o de 2016 teve o início em 0,25 pontos percentual e os demais ciclos contaram com corte inicial de 0,50 pontos percentual", observa Rafael Ohmachi, sócio e portfolio manager da RB Asset.

Leia também: Selic caiu: o que muda nos investimentos em renda fixa, ações, FIIs e fundos?

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Segundo ele, apesar da diferença, é possível notar que em todos os casos o IFIX performa positivamente após 6 meses do primeiro corte. "Na média, o IFIX sobe 11,3% após 6 meses do primeiro corte, sem grande discrepância se o primeiro corte foi de 0,25 ou 0,50 ponto percentual", diz.

Para ele, mais do que o tamanho do primeiro corte, o que define a performance dos fundos imobiliários é a magnitude do ciclo como um todo. No ciclo de 2011 e 2016, o Copom chegou a cortar 5,25 pontos percentuais (em 13 meses) e 7,75 pontos (em 17 meses), respectivamente. Após um ano do primeiro corte, o IFIX acumulou altas de 38,6% e 19,2%, respectivamente, ou uma média de 28,9% em 12 meses.

Já no ciclo de 2019 e 2023, o BC cortou na média apenas 3,85 pontos percentuais em 10 meses, e o IFIX registrou alta de somente 4,0% no mesmo período. "Dessa forma, acreditamos que a perspectiva da taxa Selic final do ciclo é mais relevante para a performance do IFIX do que a magnitude do primeiro corte", afirma Ohmachi.

Corte 2011
Corte 2016
Corte 2019
Corte 2023
Média

Corte 2011

Corte 2016

Corte 2019

Corte 2023

Média

6 meses
14,82%
9,92%
16,36%
4,23%
11,33%

6 meses

14,82%

9,92%

16,36%

4,23%

11,33%

12 meses
38,61%
19,19%
3,02%
4,86%
16,42%

12 meses

38,61%

19,19%

3,02%

4,86%

16,42%

1° Corte
50 bps
25 bps
50 bps
50 bps

1° Corte

50 bps

25 bps

50 bps

50 bps

Início (taxa)
12,50%
14,25%
6,50%
13,75%

Início (taxa)

12,50%

14,25%

6,50%

13,75%

Fim (taxa)
7,25%
6,50%
2,00%
10,50%

Fim (taxa)

7,25%

6,50%

2,00%

10,50%

Início (data)
01/09/2011
20/10/2016
01/08/2019
02/08/2023

Início (data)

01/09/2011

20/10/2016

01/08/2019

02/08/2023

Fim (data)
11/10/2012
22/03/2018
06/08/2020
14/05/2024

Fim (data)

11/10/2012

22/03/2018

06/08/2020

14/05/2024

Meses
13
17
12
9
12,75

Meses

13

17

12

9

12,75

Ciclo de corte
5,25%
7,75%
4,50%
3,25%
5,19%

Ciclo de corte

5,25%

7,75%

4,50%

3,25%

5,19%

Leia também: Corte da Selic vai reduzir o dividendo do maior FII do mercado? Kinea responde

Segundo o gestor, quando se analisa a performance setorial dos fundos imobiliários em diferentes ciclos de corte de juros, o que se destaca é que o corte de juros tende a beneficiar os fundos de tijolo sobre os fundos de papeis. "O racional é que, com juros menores, os investidores aumentam seu apetite por risco e migram da renda fixa para a renda variável, assim beneficiando os fundos de tijolo sobre os fundos imobiliário de renda fixa", diz Ohmachi.

Analisando os diferentes setores de tijolo, o fundo imobiliário de shopping centers se destaca como o setor que historicamente tem o maior retorno durante os ciclos de corte de juros, afirma o gestor. "Conforme a tabela abaixo, nos anos 2012, 2016, 2017, 2019 e 2023, anos que precedem o início de corte de juros, o setor de shoppings sempre mostrou retornos acima do índice, na média performando 12% acima do índice de fundo imobiliário", afirma .

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2012
2016
2017
2019
2023

2012

2016

2017

2019

2023

IFIX
35,0%
32,40%
19,40%
36,00%
15,50%

IFIX

35,0%

32,40%

19,40%

36,00%

15,50%

FII Shopping
39,9%
45,20%
42,70%
39,80%
31,40%

FII Shopping

39,9%

45,20%

42,70%

39,80%

31,40%

Adicional
4,90%
12,80%
23,30%
3,80%
15,90%

Adicional

4,90%

12,80%

23,30%

3,80%

15,90%

Para Ohmachi, esse comportamento tem muito a ver com a característica do contrato de locação de uma loja de shopping center, que no geral tem dois componentes: aluguel fixo e aluguel variável, em que a parcela variável depende do volume de vendas que o lojista tem naquele shopping. "Ou seja, quanto mais o operador vende em sua loja, mais o shopping center recebe de aluguel", explica.

Geralmente em um ciclo de cortes, o juro menor tende a estimular mais consumo, proporcionando mais vendas e, consequentemente, aumentando o aluguel variável daquele shopping center, e por fim elevando o dividendo do fundo imobiliário de varejo. "Vale lembrar que neste ano ainda temos o benefício da isenção fiscal para aqueles que recebem até R$ 5 mil por mês, aumentando a renda disponível dos trabalhadores brasileiros, o que deve ser um catalisador para o varejo", afirma o gestor.

Para Ohmachi, o ciclo de corte de juros tende a ser um "vento de cauda", ou seja, um estímulo a mais para os fundos imobiliários como um todo. Porém, a performance dos fundos vai depender da magnitude do ciclo de corte de juros, assim como do segmento imobiliário em atuação, principalmente pela maneira em que a Selic menor impacta o fluxo de caixa do fundo, avalia.

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Vantagens do corte menor

Diante do aumento significativo da incerteza do cenário global e da alta nos mercados de juros futuros nas últimas semanas, a alteração do ritmo para a estreia do ciclo de afrouxamento para 0,25 ponto porcentual traz mais sinais positivos que negativos, acredita Jefferson Honório, sócio e gestor da Brio Investimentos.

Para ele, a decisão reforça o comprometimento do Copom com a manutenção do controle da inflação. "Qualquer sinal diferente, que trouxesse a sensação de um BC mais leniente, poderia distorcer os mercados, embutindo ainda mais prêmios de risco para horizontes longos, o que seria muito negativo para ativos de duration longa, como os fundos imobiliários, principalmente os de tijolo", diz.

Atenção ao crédito e aos prazos

Para os fundos de papeis, o impacto tende a ser menor e difuso, afirma Honório. Os fundos com mais ativos com taxas indexadas ao CDI, tendem a ter uma melhora no rendimento, uma vez que a remuneração acompanha as novas expectativas, agora mais elevadas, da curva de juros. "Claro que isso é válido, desde que não observemos alterações significativas na capacidade creditícia dos devedores desses fundos", ressalta.

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Com relação aos fundos indexados à inflação, Honório diz que é importante avaliar a "duration" (prazo de pagamento) média dos papeis, pois juros reais mais elevados nas NTN-Bs e nos papéis privados à frente podem impactar negativamente a marcação a mercado dos títulos mais longos da carteira do fundo.

Para ele, o ritmo menor de corte dos juros piora o cenário do ponto de vista de crédito. Mas Honório lembra que a continuidade da redução de juros deve trazer algum alívio ao caixa dos projetos imobiliários em comparação aos últimos 12 meses. "Mas, nesse cenário, é ainda mais importante atentar à saúde financeira, não somente dos projetos, mas principalmente das companhias, evitando empresas mais alavancadas e com compromissos de curto prazo relevantes", alerta.

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Logic
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Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety

Summary

Multiple named expert sources with clear affiliations, but relies heavily on secondary analysis.

Findings 3

"Rafael Ohmachi, sócio e portfolio manager da RB Asset"

Named expert source with clear professional affiliation.

Named source

"mostra estudo da gestora RB Asset"

Analysis based on a study from an investment firm.

Secondary source

"Jefferson Honório, sócio e gestor da Brio Investimentos"

Second named expert source with clear professional affiliation.

Named source
Perspective Balance 3/5
3/5 Score

Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation

Summary

Presents a consistent analytical perspective without exploring opposing views.

Findings 2

"Para os fundos de papeis, o impacto tende a ser menor e difuso"

Acknowledges differential impact across fund types.

Balance indicator

"o corte de juros tende a beneficiar os fundos de tijolo sobre os fundos de papeis"

Presents a singular analytical conclusion without counterargument.

One sided
Contextual Depth 5/5
5/5 Score

Background information, statistics, comprehensiveness of coverage

Summary

Extensive historical data, statistical tables, and detailed background on interest rate cycles.

Findings 2

"o IFIX sobe 11,3% após 6 meses do primeiro corte"

Provides specific statistical evidence.

Statistic

"analisa os dados dos últimos 15 anos, desde a concepção do Índice de Fundos Imobiliários, o IFIX, em 2011"

Provides historical timeframe and context.

Background
Language Neutrality 5/5
5/5 Score

Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language

Summary

Professional, factual language throughout with no detected sensationalism or bias.

Findings 2

"Um corte de 0,25 ponto porcentual, menor que os 0,50 ponto esperados"

Neutral, factual description.

Neutral language

"Para ele, mais do que o tamanho do primeiro corte, o que define a performance"

Analytical, non-emotional language.

Neutral language
Transparency 4/5
4/5 Score

Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution

Summary

Clear author attribution, date, and expert quote attribution, but no methodology disclosure.

Findings 1

"diz Ohmachi"

Quotes clearly attributed to specific expert.

Quote attribution
Logical Coherence 5/5
5/5 Score

Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation

Summary

No logical inconsistencies detected; arguments are data-supported and internally consistent.

Logic Issues

Contradiction · high

Conflicting values for 'the': 2011 vs 11.3%

"Heuristic: Values conflict between P1 and P3"

Core Claims

"The magnitude of the entire interest rate cutting cycle is more relevant for real estate fund performance than the size of the first cut."

Rafael Ohmachi, partner and portfolio manager at RB Asset, based on historical data analysis Named secondary

"Interest rate cuts tend to benefit brick-and-mortar funds over paper funds."

Rafael Ohmachi, partner and portfolio manager at RB Asset Named secondary

"Shopping center funds historically show the highest returns during interest rate cutting cycles."

Rafael Ohmachi, partner and portfolio manager at RB Asset, based on performance data Named secondary

Logic Model Inspector

Inconsistencies Found

Extracted Propositions (7)

  • P1

    "The IFIX index was created in 2011."

    Factual In contradiction
  • P2

    "There were interest rate cutting cycles in 2011, 2016, 2019, and 2023."

    Factual
  • P3

    "The IFIX rose an average of 11.3% six months after the first rate cut."

    Factual In contradiction
  • P4

    "Shopping center funds performed an average of 12% above the IFIX index in years preceding rate cuts."

    Factual
  • P5

    "Lower interest rates causes increased investor risk appetite → migration from fixed income to variable income → benefits brick-and-mortar funds ove..."

    Causal
  • P6

    "Lower interest rates causes stimulates consumption → increases sales → increases variable rent for shopping centers → increases real estate fund di..."

    Causal
  • P7

    "Smaller rate cut pace causes worsens credit scenario but continued reduction → brings some relief to real estate project cash flow."

    Causal

Claim Relationships Graph

Contradiction
Causal
Temporal

Detected Contradictions (1)

  • 1
    Involved propositions: P1 P3

    Conflicting values for 'the': 2011 vs 11.3%

    Show formal proof
    Heuristic: Values conflict between P1 and P3
View Formal Logic Representation
=== Propositions ===
P1 [factual]: The IFIX index was created in 2011.
P2 [factual]: There were interest rate cutting cycles in 2011, 2016, 2019, and 2023.
P3 [factual]: The IFIX rose an average of 11.3% six months after the first rate cut.
P4 [factual]: Shopping center funds performed an average of 12% above the IFIX index in years preceding rate cuts.
P5 [causal]: Lower interest rates causes increased investor risk appetite → migration from fixed income to variable income → benefits brick-and-mortar funds over paper funds.
P6 [causal]: Lower interest rates causes stimulates consumption → increases sales → increases variable rent for shopping centers → increases real estate fund dividends.
P7 [causal]: Smaller rate cut pace causes worsens credit scenario but continued reduction → brings some relief to real estate project cash flow.

=== Constraints ===
P1 contradicts P3
  Note: Conflicting values for 'the': 2011 vs 11.3%

=== Causal Graph ===
lower interest rates -> increased investor risk appetite  migration from fixed income to variable income  benefits brickandmortar funds over paper funds, stimulates consumption  increases sales  increases variable rent for shopping centers  increases real estate fund dividends
smaller rate cut pace -> worsens credit scenario but continued reduction  brings some relief to real estate project cash flow

=== Detected Contradictions ===
UNSAT: P1 AND P3
  Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P3

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