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A visão dos estudantes sobre a proibição do celular nas escolas - Nexo Jornal

nexojornal.com.br · Vanessa Fajardo · 2026-04-07 · 1,056 words
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Source Quality 4
Perspective Balance 5
Contextual Depth 4
Language Neutrality 5
Transparency 4
Logical Coherence 5
Article
Após mais de um ano da implementação da lei 15.100/2025, que proíbe o uso de celulares em escolas públicas e privadas de todo o Brasil, o que os estudantes pensam sobre a restrição está longe de ser consenso. Sem o celular na escola alguns alunos se dizem adaptados e satisfeitos, com a possibilidade de interagir mais com os colegas na ausência da tela, especialmente nos intervalos, outros afirmam que ainda não superaram o "vício" de mexer no celular o tempo todo e sentem falta de dar aquela espiada nas redes sociais durante a aula.

Porém, todos eles, mesmo os contrários à legislação, acreditam que estão mais focados e engajados nas atividades escolares, desde que passam menos tempo com o celular em mãos.

"Ficava tanto no celular que eu acabava esquecendo de falar com as pessoas que estavam ao meu redor. Também melhorei nos estudos porque o celular me deixava muito desconcentrada na hora de estudar. Quando essa lei veio, eu consegui me concentrar mais e minhas notas melhoraram bastante", conta Lívia de Souza Xavier, 14 anos, aluna do 9º ano no Ginásio Educacional Olímpico (GEO) Reverendo Martin Luther King, no Rio de Janeiro.

Sua colega Kamilly Luanny, 14 anos, conta que, no geral, a adaptação da escola não foi fácil porque os alunos criaram uma dependência do celular no período da pandemia e tiveram de aprender uma nova forma de convivência sem mediação das telas.

"A gente desacostumou a conviver com o outro e aí teve que aprender a viver tudo de novo. Mas como aqui na escola a proibição já ocorre há muito tempo, hoje é bem tranquilo. A gente interage e socializa muito", diz Kamilly. Ela conta que antes os alunos trocavam mensagens entre eles do tipo "está por onde?", mesmo estando no mesmo ambiente escolar. "Como a gente já não tem mais o telefone, temos de levantar e procurar quem quisermos."

Rio de Janeiro foi pioneiro na restrição

Quando a legislação nacional passou a valer em 2025, os alunos da rede municipal do Rio de Janeiro já estavam habituados a viverem sem seus telefones na escola, pois a proibição na cidade começou de forma pioneira, a partir de fevereiro de 2024
, por meio de um decreto municipal.

Em entrevista ao Portal Lunetas, o Secretário Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha, disse que ficou obcecado pelo tema desde que as aulas retornaram depois da pandemia.

"Nossos alunos estavam muito mais ansiosos, agitados, impacientes e focando muito menos na escola, na interação com os seus amigos. Percebemos que o uso exacerbado de telas e celulares nas escolas estava contribuindo diretamente com isso", lembra.

O secretário teve como argumento para o decreto municipal o relatório da Unesco "Tecnologia na Educação" que faz uma alerta para a "epidemia de distração" causada pelo uso dos celulares na escola.

Depois da medida na cidade, Renan batalhou pela proibição em nível nacional e foi relator no Congresso Nacional da lei 15.100/ 2025, aprovada em 13 de janeiro de 2025.

"As famílias compreenderam a importância disso. Os professores estavam ansiosos por essa medida, porque sabem que é impossível tentar dar aula dividindo atenção com o algoritmo. As crianças passaram a se adaptar e os adolescentes demoraram um pouco mais, mas também passaram a redescobrir a escola à medida que a gente insiste nessa medida", diz.

'Lei é boa, mas ruim ao mesmo tempo'

Quem ainda sofre com a restrição mesmo depois do aniversário de um ano da lei é uma turma de alunos do Ensino Médio da Escola Estadual (EE) República da Argentina, localizada na zona norte de São Paulo. Eles ainda reclamam que sentem falta de acessar o aparelho durante a jornada escolar, atribuindo ao "vício", alegam ter necessidade de falar com a família nesse período, mas ainda assim dizem que a medida permitiu que estivessem mais focados nas aulas e atividades pedagógicas.

"Eu acho que a lei é boa, mas ao mesmo tempo é ruim.
Porque na sala de aula quando a gente usava o celular, não prestava muita atenção, agora sem, a gente presta mais", diz Laura Parcelio dos Santos, aluna do 3º ano do Ensino Médio.

"Sou contra a lei porque sou viciado no celular, estou tentando melhorar, mas estamos mais focados nas aulas", conta Pedro Henrique de Souza Silva, aluno do 3º ano do Ensino Médio e representante geral do grêmio da Escola República Argentina.

Para João Pedro Perluiz de Oliveira, no começo da proibição foi mais difícil ficar longe do celular, mas agora está mais acostumado. "Ficava o dia inteiro com o celular na cara, um vício, é difícil acostumar ficar longe. Mas as ações do grêmio ajudam muito, eles abrem a quadra, colocam música no intervalo. Está mais de boa."

Jogos, música e bolinha de gude no intervalo

Tanto na escola em São Paulo quanto na do Rio de Janeiro, o intervalo ganhou uma nova cara desde que as telas deixaram de ser bem-vindas.

Na EE República da Argentina, o grêmio da escola criou alternativas divertidas para o intervalo escolhidas por meio de votação entre os alunos, como o "Dia do Despluga" em que as mesas dos refeitórios são tomadas por jogos de tabuleiro, como dama e xadrez, dominó e Uno. Os alunos também podem escolher as músicas que vão tocar no intervalo e a sala de leitura fica aberta para que eles frequentem na hora do almoço. O grêmio ainda organiza gincanas como queimada, rouba-bandeira, handebol, além de competições entre as classes de vôlei e basquete.

"As ações do grêmio deixaram as atividades bem mais divertidas e conseguimos interagir muito mais", afirma Vitoria Lopes Siqueira, aluna do 3º ano do Ensino Médio.

No Rio de Janeiro, o pátio do GEO Reverendo Martin Luther King passou a ter rodinhas de alunos sentados sobre cangas, jogando baralho, conversando, lendo e até jogando bolinha de gude – uma brincadeira que andava escassa no espaço escolar. "Antes o pátio era mais silencioso, mas hoje a gritaria é bem mais satisfatória", conta Kamilly.

"No começo eu ainda tentava achar um jeito de pegar no celular mesmo que fosse por uns poucos minutos para conseguir mexer, mas depois eu comecei a ver as coisas que realmente importam. Quando você vai conhecendo as pessoas que estão ali em volta, vendo hobbies, suas diferenças, é muito mais interessante conversar do que falar pelo celular", complementa Lívia.

'Implementação humanizada'

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Source Quality
Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic
Source Quality 4/5
4/5 Score

Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety

Summary

Good mix of primary sources (named students, education secretary) and secondary sources (UNESCO report), but lacks expert academic sources.

Findings 3

""Ficava tanto no celular que eu acabava esquecendo de falar com as pessoas que estavam ao meu redor. "

Direct quote from named student Lívia de Souza Xavier.

Primary source

""Nossos alunos estavam muito mais ansiosos, agitados, impacientes e focando muito menos na escola, "

Direct quote from named official Renan Ferreirinha, Municipal Education Secretary.

Primary source

"relatório da Unesco "Tecnologia na Educação" que faz uma alerta para a "epidemia de distração""

Cites a UNESCO report as evidence.

Secondary source
Perspective Balance 5/5
5/5 Score

Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation

Summary

Article actively explores multiple student perspectives, including those who support, oppose, and have mixed feelings about the ban.

Findings 3

"o que os estudantes pensam sobre a restrição está longe de ser consenso"

Article explicitly states there's no consensus among students.

Balance indicator

"gógicas. "Eu acho que a lei é boa, mas ao mesmo tempo é ruim. "

Quote from student Laura Parcelio dos Santos showing nuanced perspective.

Balance indicator

""Sou contra a lei porque sou viciado no celular, estou tentando melhorar, mas estamos mais focados nas aulas""

Quote from student Pedro Henrique showing opposition while acknowledging benefits.

Balance indicator
Contextual Depth 4/5
4/5 Score

Background information, statistics, comprehensiveness of coverage

Summary

Provides good historical context about the law's implementation, pandemic background, and specific examples of alternative activities.

Findings 3

"Após mais de um ano da implementação da lei 15.100/2025"

Provides temporal context about when the law was implemented.

Background

"Rio de Janeiro foi pioneiro na restrição Quando a legislação nacional passou a valer em 2025, os alunos da rede municipal do Rio de Janeiro já estavam habituados a viverem sem seus telefones na es..."

Provides historical context about Rio's earlier implementation.

Background

"os alunos criaram uma dependência do celular no período da pandemia"

Explains the pandemic context for increased phone dependency.

Context indicator
Language Neutrality 5/5
5/5 Score

Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language

Summary

Language is consistently neutral and factual throughout, reporting student perspectives without sensationalism.

Findings 3

"o que os estudantes pensam sobre a restrição está longe de ser consenso"

Neutral framing of the issue.

Neutral language

"alguns alunos se dizem adaptados e satisfeitos, com a possibilidade de interagir mais com os colegas na ausência da tela, especialmente nos intervalos, outros afirmam que ainda não superaram o "vício""

Balanced reporting of different student experiences.

Neutral language

"Para João Pedro Perluiz de Oliveira, no começo da proibição foi mais difícil"

Neutral reporting of individual experience.

Neutral language
Transparency 4/5
4/5 Score

Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution

Summary

Good attribution with author, date, and clear quote attribution, but lacks methodology disclosure.

Findings 1

"conta Lívia de Souza Xavier, 14 anos, aluna do 9º ano no Ginásio Educacional Olímpico"

Clear attribution with name, age, and school.

Quote attribution
Logical Coherence 5/5
5/5 Score

Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation

Summary

No logical inconsistencies detected; article presents coherent narrative about law implementation and student responses.

Core Claims

"Brazil's cellphone ban in schools has produced mixed student reactions but generally improved focus."

Multiple named student interviews showing varied perspectives Primary

"The ban has led to increased social interaction and alternative activities during breaks."

Student descriptions of new activities like board games, sports, and conversation Primary

"Rio de Janeiro implemented restrictions earlier than the national law."

Statement from Municipal Education Secretary Renan Ferreirinha Primary

Logic Model Inspector

Consistent

Extracted Propositions (6)

  • P1

    "Law 15.100/2025 prohibits cellphone use in Brazilian schools"

    Factual
  • P2

    "Rio de Janeiro implemented restrictions starting February 2024"

    Factual
  • P3

    "The law was approved on January 13, 2025"

    Factual
  • P4

    "Cellphone ban causes improved student focus and engagement"

    Causal
  • P5

    "Pandemic causes increased student dependency on phones"

    Causal
  • P6

    "Ban implementation causes development of alternative social activities"

    Causal

Claim Relationships Graph

Contradiction
Causal
Temporal
View Formal Logic Representation
=== Propositions ===
P1 [factual]: Law 15.100/2025 prohibits cellphone use in Brazilian schools
P2 [factual]: Rio de Janeiro implemented restrictions starting February 2024
P3 [factual]: The law was approved on January 13, 2025
P4 [causal]: Cellphone ban causes improved student focus and engagement
P5 [causal]: Pandemic causes increased student dependency on phones
P6 [causal]: Ban implementation causes development of alternative social activities

=== Causal Graph ===
cellphone ban -> improved student focus and engagement
pandemic -> increased student dependency on phones
ban implementation -> development of alternative social activities

All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.

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